quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A manutenção da divisão na nossa classe...

E eis que quando surge um motivo de forte união entre os professores (para quem - ainda - não sabe: a eliminação de 9 anos e meio, para efeitos de progressão na carreira) e quando parece estarem reunidos argumentos para iniciativas relevantes, temos mais do mesmo nas salas de professores e grupos das redes sociais: uns não fazem porque é só um dia (e consideram insuficiente), outros não fazem porque é à sexta-feira (e parece mal), outros acham que nos "repõem" o tempo de serviço mais facilmente se avançarmos com mais uma petição (daquelas que depois ninguém sabe muito bem qual o destino)...

Enfim.

Se este roubo de tempo de serviço, aparentemente exclusivo na função pública, não é suficiente para perceberem que "é agora ou nunca" em termos de regresso à união da classe, não será a negociação de um novo concurso, ou do aparecimento de vagas para ingresso na carreira ou mesmo um novo concurso extraordinário que a vai trazer.

Se não lutarmos agora, este tempo de serviço vai ser para sempre eliminado! Nenhum Governo que vier a seguir, vai voltar atrás com isto... 

Quanto a eventuais propostas para ultrapassar este problema, já li algumas que me parecem interessantes, nomeadamente a de que os "anos do congelamento contarem para a antecipação da idade da reforma" (da autoria do Alexandre Henriques) ou mesmo uma solução que passasse pela "permanência em cada escalão, ou apenas em alguns, reduzida. Ou, poder-se-ia optar por uma diluição destes sete anos pela, restante, carreira de cada docente afetado" (da autoria do Rui Cardoso).

Seja como for, dificilmente o Governo vai recuar, se não tivermos alguma posição de força. E uma posição de força pode não ser apenas uma greve de um dia, mas poderá ser o início de algo.

Greve nacional a 27 de outubro...


terça-feira, 17 de outubro de 2017

O regresso da chuva...

...pelo menos, à minha cidade. 

Que bom é ouvir a chuva no telhado. Já tinha saudades.

Música de "Ed Sheeran" (Tema: Perfect)

Episódios do dia a dia...

À medida que vou envelhecendo, cada vez mais dou por mim a apreciar a interação entre colegas de profissão... E nestes últimos dias constatei o (aparente) prazer com que um colega (o "castigador") atormenta outro (o "castigado"), com questões sistemáticas sobre o seu desempenho num determinado cargo, lembrando de forma sistemática que em anos letivos anteriores é que funcionava bem.

O "castigado" lá se vai justificando... E quanto mais se justifica, mas o "castigador" se engrandece, parecendo mesmo que se coloca em bicos de pés. Podem achar que estou a exagerar, mas não... A linguagem não verbal do "castigador" é inequívoca, e o aumento do volume da sua voz também.

Já me apeteceu intervir por diversas vezes... Intervir no sentido de importunar o "castigador", dando-lhe a provar um pouco do seu próprio veneno... Mas... Não consigo! Não porque não queira, mas porque neste último ano, adquiri alguns conhecimentos novos e desenvolvi uma série de competências, que me permitem viver melhor no mundo que me rodeia. O problema é que nestas situações de bullying, acabo por passar demasiado tempo a "digerir" a situação, e quando dou por mim, já o capítulo de agressão terminou.

Enfim.

Maldito curso de Coaching... Acho que dei cabo da minha costela "transmontana". Saudades de quando resolvia tudo à "chapada" (mesmo que verbal). Eh eh eh.

A tal classe privilegiada...


Comentário: A questão da não consideração do "período pinguim" para efeitos de progressão poderia (e deveria) ser um motivo para a união dos professores, no sentido de pressionar o Governo para uma solução menos penalizadora. 

Mas não... 


Quem tem Facebook, consegue encontrar com facilidade colegas resignados com esta situação e, pior, colegas que embora não defendam, remetem para a inevitabilidade da não consideração do tempo de serviço.


Pois bem, estamos a falar de 9 anos e meio, apagados... Isto é, os professores devem aceitar que os intervalos de tempo entre 31 de agosto de 2005 a 31 de dezembro de 2007 e desde 1 de janeiro de 2011 até 31 de dezembro de 2017, são mesmo para esquecer! Se isto não for fundamento catalisador para maiores iniciativas sindicais e para o regresso dos professores à luta, então não sei o que mais será necessário. 

A regra é cortar...


Comentário: Parece que o atual Governo tentou esconder um corte no orçamento para a Educação, com o anúncio de um aumento de 150 milhões de euros... Não parece muito lógico, nem sequer razoável, mas é assim a política portuguesa. O raciocínio, esse, é o que abaixo transcrevo. Pode não fazer sentido, mas dizem-me que no ano passado também assim foi.

"(...) A diferença está na forma como o Executivo trata e divulga os dados. O governo compara os valores que são inicialmente estimados, ignorando o que realmente é gasto. Ou seja, para o Executivo, o valor tido em referência é o valor que estimou gastar em 2017, excluindo todos os acréscimos e reforços que foi tendo ao longo do ano (o executado). 


É a segunda vez consecutiva que o Executivo usa esta estratégia para dizer que há um reforço no investimento da Educação, quando na realidade o que existe é uma redução."


Que não digam que o que lhes falta em honestidade, lhes sobra em criatividade!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Comunicado DGEsTE | Encerramento de Escolas


Hoje, por Trás-os-Montes, e à semelhança do que -lamentavelmente - se tem verificado por todo o país, o ar tem sido irrespirável.

Nesse sentido, no site da DGEsTE (aqui) pode ler-se o  comunicado que transcrevo abaixo. Oxalá o dia de amanhã nos traga alguma chuva. Que ano negro!



Na sequência dos incêndios, o Ministério da Educação informa que, pelo menos, duas dezenas de Agrupamentos de Escolas encontram-se encerrados, por inviabilidade de funcionamento ou por estarem a servir de centros de acolhimento às populações.


Região Norte
Agrupamento de Escolas de Alijó
Agrupamento de Escolas de Castelo da Paiva
Agrupamento de Escolas de Couto Mineiro do Pejão, Castelo de Paiva
Agrupamento de Escolas de Moimenta
Agrupamento de Escolas de Monção
Agrupamento de Escolas de Murça

Região Centro
Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal
Agrupamento de Escolas de Fornos de Algodres
Agrupamento de Escolas de Gouveia
Agrupamento de Escolas de Mira
Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades
Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital
Agrupamento de Escolas de Penacova
Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul
Agrupamento de Escolas de Tábua
Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo
Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Vagos
Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, Marinha Grande
Agrupamento de Escolas de Vouzela e Campia
Agrupamento de Escolas Henrique Sommer, Maceira, Leiria
Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente
Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos

Maria Manuela Pastor Faria

Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Mais do mesmo...


Comentário: Todos os que lêem este blogue há alguns anos, sabem que sou contra os concursos extraordinários (pelo menos, nos moldes em que têm sido concretizados, nomeadamente com a utilização de critérios - aparentemente - aleatórios), porque não obstante de reporem algum justiça, geram injustiças nuns casos e ampliam-nas em outros. O melhor mesmo seriam concursos ordinários, com apuramento real de vagas e onde todos fossem a jogo... Estas entradas aos "bochechos" causam-me confusão.

No entanto, a fórmula parece agradar a Governos, partidos e (alguns) sindicatos... Vai daí, repetem-se anualmente vinculações extraordinárias, com vagas exclusivas para alguns e com outros que se encontram vedados de a elas concorrer, por falta de sorte no tempo de serviço.

Para perceberem melhor o que poderá acontecer, o melhor mesmo é lerem o excerto da notícia que coloco abaixo:

Nota: negritos e sublinhados de minha autoria.

"Tal será feito, disse a bloquista Joana Mortágua, através de uma norma travão que determinará que serão três, em vez de quatro, os contratos necessários para os docentes serem vinculados (estes contratos continuam a ter de ser sucessivos, anuais e completos); e que eliminará a regra de terem de ser no mesmo grupo de recrutamento. Para além destas alterações, haverá uma nova vinculação extraordinária

As duas primeiras regras da norma travão permitirão vincular 1200 professores, caso contrário seriam apenas cerca de 400. E não são "uma alteração extraordinária", permanecerão na lei, garantiu a deputada: "Foi uma alteração estrutural à lei que facilita a vinculação de professores para o futuro." Já a abertura de um novo processo de vinculação extraordinária permitirá vincular os restantes 2400."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Está para próximo o pré-aviso de greve "fofinha"


Comentário: Recordo a todos que o pré-aviso de greve que a FENPROF vai entregar na próxima quinta-feira, é relativa a uma tipologia de greve que visa apenas as atividades desenvolvidas "diretamente com aluno" e que esteja "inscrita na componente não letiva". 

Bem sei que a (des)união docente não ajuda à formulação de iniciativas de maior impacto, mas também seria interessante que colocassem no tabuleiro estratégico a forte rejeição que os professores sentem por tudo o que seja proveniente de alguns "eternos" sindicalistas. 

Sempre defendi que seria bem mais interessante "conquistar" as atuais estruturas sindicais (de modo a promover a necessária renovação de liderança), do que criar novas (ou uma nova... sim, também podemos meter uma ordem profissional nesse "saco"), mas já me disseram que isso demora muitos anos, e que também é facto assumido que muitos colegas (mesmo aqueles que vão com vontade de "mudar" para melhor) acabam por ceder aos seus próprios interesses (em substituição dos interesses da classe).

E quando não são injustiças, são ilegalidades


Comentário: Este "erro" de cálculo no apuramento de vagas de quadro já havia sido referido em maio (aqui), e parece que só agora (com mais fontes de informação, entretanto divulgadas) parece provado. Falta o Ministério da Educação assumir o erro (podemos - obviamente - esperar deitados), mas como estamos à porta de negociações para novos concursos de professores, devem empurrar com a barriga para a frente e (eventualmente) juntar tudo.

Se quiserem saber um pouco mais, o melhor mesmo é acederem à página de FENPROF. Fica a tabela de apuramento destes "erros" (furtada do sítio virtual da FENPROF), para mais tarde recordar.


Um descongelamento lento... muito lento.


Comentário: Dificilmente seríamos exceção pela positiva... Não creio que alguém na nossa classe profissional, estivesse à espera de um "descongelamento" em moldes diferentes daqueles que estão a ser anunciados. 

As propostas da FENPROF até podem ir no sentido de atenuar o "mal", mas sem uma ação firme (uma greve "fofinha" à componente não letiva, não me parece suficiente), até podem ser mais ambiciosos, que os resultados serão... nenhuns! Mas como é sempre bom ler, fica o excerto da notícia:

"(...) É por ter noção do impacto orçamental de todo o tempo de serviço que a Fenprof não exige que estes sete anos de trabalho sejam totalmente e imediatamente considerados. Mário Nogueira explicou ao Negócios que o que quer é negociar a recuperação faseada desse tempo de serviço. "Nós não admitimos nenhum faseamento para o descongelamento. O que admitimos é negociar uma forma faseada de recuperação do tempo de serviço", tal como já aconteceu em processos anteriores. 

Além disso, a Fenprof exige a publicação de portarias que desbloqueiem progressões anteriores a 2011 e o reconhecimento do tempo de serviço dos professores ex-contratados (por vezes décadas) e que entraram na carreira depois de 2009 sem que o tempo de serviço anterior tenha sido considerado."

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Uma ameaça de greve...


Comentário: Calma.. A FENPROF ainda não convocou qualquer greve. Apenas estamos perante uma ameaça de greve. E não é uma greve qualquer! É uma greve que apenas irá "incidir sobre a parte do horário dos professores denominada componente não letiva, que os docentes não querem que continue a ser usada para trabalho direto com os alunos".

Uma greve seletiva, com consequências previsíveis. Uma greve possível, porque os sindicatos sabem exatamente como a classe se sente e qual o seu grau de união.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Não nos atirem areia para os olhos!

Estou tão, mas tão farta da demagogia que tem marcado este assunto...
E como me revejo nas declarações do nosso ilustre deputado Porfírio Silva, quando disse que "a desfaçatez em política deveria ter, apesar de tudo, alguns limites."....

Hoje não pude deixar de ler as declarações da Alexandra Leitão. E, se nada mais, haja ao menos coerência!  Afirmou a Srª Secretária de Estado que:


Ah.... mas esperem lá... 

Se a preocupação do ME é, de facto, a poupança - coisa que não posso deixar de defender enquanto contribuinte - não deveria ter garantido, aquando da RR1 (dia 6 de setembro), que qualquer professor dos quadros de um determinado grupo fosse colocado em horários com, pelo menos, maior número de horas que os dos contratados do mesmo grupo?     DEVERIA!
Foi isso que aconteceu?      NÃO!

Vou ilustrar com alguns exemplos, que facilmente poderão confirmar no sítio da DGAE. 

LISTA DE COLOCAÇÕES DA RESERVA DE RECRUTAMENTO 1 - GRUPO 330 - (6/9/17) 

     Quadro 1 | MOBILIDADE INTERNA:
Comentário:
Basta uma página para se constatar que o ME colocou, no dia 6/9/2017, vários professores dos quadros (obrigatoriamente opositores a todas as escolas do QZP 1) em horários incompletos. 


     Quadro 2 | CONTRATAÇÃO:
Comentário:
Também aqui e bastando para tanto uma página, podemos confirmar que o ME contratou, no dia 6/9/2017, vários professores contratados para horários completos em escolas pertencentes ao QZP 1.

Agora voltem acima nesta publicação, releiam as afirmações da secretária de Estado da Educação e tirem as vossas conclusões... 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Quando não estou em aula...

Olho para os dossiers de Direção de Turma dos meus colegas. Estão todos direitinhos, organizadinhos, bonitinhos, arrumadinhos… O meu está em branco, só com os separadores… Tenho uma data de papéis soltos dentro de uma capa à espera de serem arquivados… Atrevo-me a comentar a minha situação e as colegas, porreirinhas, tranquilizam-me: - “Com tempo, Dalila, isto é aos poucos!” -, enquanto arquivam mais uns documentos nos já volumosos dossiers que são os delas…
Vou dar uma espreitadela aos meus mails. Já recebi 97 na minha caixa de correio institucional iniciada a 8 de setembro… Foram rápidos a criá-la. A escola é até bastante eficaz com essas coisas. Não me posso queixar. Disponibilizam tudo. Têm tudo organizado, esquematizado, prontinho para ser usado. E não deixam dúvidas. É assim e pronto. Gosto que seja assim. O que não falta por aí são coordenadores ou diretores que são ambíguos, não esclarecem, contradizem-se, e na hora em que as coisas correm mal, somos nós que não soubemos “interpretar” ou então fomos mesmo incompetentes… 
Os meus colegas são prestáveis e parecem-me todos muito cumpridores e profissionais. Isso é bom, é ótimo, mas deixa-me ainda mais nervosa. Era tão bom poder culpar alguém por andar à nora! Não… Já todos me enviaram vários documentos… regimentos (tudo tem um regimento), papéis relacionados com as tutorias, com as necessidades educativas especiais, com a equipa para a prevenção da indisciplina, testes diagnósticos, plano anual de atividades… Ontem, andaram em trocas de mails sobre o PAA. Será que também queriam a minha opinião? Não consegui arranjar tempo para me debruçar sobre aquilo… 
Ai, as siglas! Na nossa profissão, gostam todos muito de siglas e de acrónimos…Consegui perceber alguns: aqueles que também se usam nas outras escolas. Tenho apontado os outros para pesquisar depois… Já repararam que quase todos têm um P? Depois… Faço isso depois… Há coisas mais urgentes para já! 
Ao meu lado, uma colega que está nas duas escolas do agrupamento. Agora tem de ir para a terceira escola que ela conseguiu para completar o horário. Tem tudo calculado, esquematizado, programado. Não pode falhar nem distrair-se um pouco. “Tem de ser!”, diz ela. 
Tenho que me encontrar com a professora de Educação Especial para falar dos vários casos da minha Direção de Turma. Apontar as alíneas. Tenho que apontar as alíneas e enviar isso aos meus colegas do Conselho de Turma. 
Logo, tenho reunião para perceber o funcionamento da Equipa para a Prevenção da Indisciplina. Não me posso esquecer! 
Deixa-me ver se não tenho mais alunos para as tutorias. Pediram-me para confirmar isso, já me esquecia… 
Deixa-me ir ao cacifo buscar o meu bloco de notas para ver o que me falta. Deram-me a chave ontem. Tenho um cacifo! Há anos que não tinha! Espera, qual é a chave? É esta! Sim, é esta! E agora, qual é o cacifo? Não me lembro do número… Apontei-o mas está lá no bloco de notas dentro do cacifo… Bolas… Vejo depois… 
Tenho que pedir os manuais às editoras. Faço isso por mail mais logo. Até é rápido… Mas tantas coisas rápidas juntas e passa-se o dia… Ainda bem que as minhas colegas me emprestaram os delas enquanto chegam e não… 
Deixa-me ver se está muita gente na secretaria. Não. Boa! Vou aproveitar e ver o que se passa com as horas de Direção de Turma que ainda não tenho no sistema para sumariar. Ah! Chegou o cartão da escola. Aproveita também para o levantar, Dalila… 
“A tua Gabriela voltou a dar-me uma resposta torta!”, diz-me uma colega quando saio da secretaria. A “minha” Gabriela… Pois, são meus… Vão ser os meus João, António, Manel, Francisco… As minhas Ana, Sofia, Teresa… A “minha” Gabriela… Caramba, não me recordo de nenhuma Gabriela! Qual delas é? Sorrio. “Eu vou falar com ela!”, acabo eu por dizer. “Não, não vale a pena! Era só pra saberes!”… 
Falando em maus comportamentos, tenho que redigir as participações dos miúdos do CEF. Aquelas aulas com eles dão cabo de mim! Ainda tenho que fazer fichas para eles para a aula de amanhã… Não me posso esquecer que a reprografia está fechada na hora do almoço. Tenho que arranjar maneira de as fotocopiar de manhã no intervalo. Pode ser que não haja muita gente ou estou tramada… 
“Dalila, já conheceste a colega Maria? Ela andava à tua procura. É a DT dos miúdos a quem dás TT (Olha, este acrónimo não tem “P”!) e como costuma ser uma disciplina dada pelo DT, ela queria falar contigo para se organizarem em conjunto!”. O colega que me aborda é super prestável. Já me ajudou com pequenas coisas várias vezes. Quero dizer o nome dele, mas não me lembro… Bolas… Ele sabe o meu nome e eu não sei ainda o dele… Bolas… Limito-me a sorrir “Não, não conheci ainda…”. E ele continua “Eu já lhe disse quem tu eras, quando ela chegar à sala dos professores, apresento-vos!” E eu quero dizer “Obrigada, João ou Manel ou Pedro ou Alziro”, mas fico-me pelo “Obrigada!” sem me conseguir lembrar do nome… 
Está na hora da minha aula. Corro os vários cacifos com a chave até encontrar o meu. Retiro de lá os testes diagnósticos e corro para a sala. Separo os alunos e começo a distribuir as folhas. Ai, não é este! É o outro! Recolho as folhas e distribuo o teste adequado. Que figurinha a minha! Foca-te, Dalila! Concentra-te! 
Já na sala dos professores, conheço a Maria e falamos do tal TT da sua DT. Uma outra colega vem ter comigo. Quero tomar um cafezinho, mas acho que não vou conseguir. “Tu é que és a Dalila? Eu sou a mãe da Rita da tua Direção de Turma!” Quem é a Rita? Oh, valha-me Deus! Sorri! Sorri, Dalila… Ai, não, o assunto é sério. Pára de sorrir! Foca-te! Concentra-te! Ouve! Esquece o café! 
De volta aos meus mails, leio os assuntos antes de abrir. Tanta oferta formativa. Devia ler isto com atenção, mas não tenho tempo. Tantas ofertas de atividades para os alunos. Também devia ler isto com calma, já que tenho Direção de Turma… Mas… Prioridades, Dalila! Abro tudo aquilo que está relacionado com a DT. É tanta coisa que até me assusta, mas acabo por me sentir amparada. Está aqui tudo… Abro um documento “Calendário para realização de embelezamento da escola”. Fico perplexa. A medo, pergunto à minha colega no computador ao lado “Desculpa, que documento é este? Sabes?”. Muito simpática, responde-me “Temos que marcar uma vez por mês, acho eu, no Tempo Turma uma hora para cuidar da escola. Pode ser apanhar lixo, decorar uma sala, coisas assim…”. Fecho a boca para a abrir de novo, desta vez com um sorriso “É uma iniciativa muito louvável!”, acabo eu por dizer, antes de voltar a fixar o meu ecrã… Por instantes, apetece-me bater com a cabeça na parede, mas há mais pessoal na sala e acabo por conseguir conter-me… 
Tenho que agendar a minha primeira reunião com os Encarregados de Educação… Ainda não tenho dossier, mas tenho que tratar disso… Não posso deixar arrastar. Mais uma vez, tenho ordem de trabalhos já pronta para essa reunião. Boa! Vou ver para redigir a convocatória. Com tantas coisas para fazer, é bom que esteja tudo assim: mecanizado. É só fazer e pronto! Há um ponto que é "Tomada de conhecimento dos documentos referidos na alínea q) do artº 7º da Lei nº 51/2012 de 5 de setembro"… Que é isto? Ah! Regulamento Interno, Estatuto do Aluno… Claro, claro… 
Na hora de TT, trato da eleição do delegado e do subdelegado de turma. “Professora, estávamos a pensar fazer a nossa viagem de finalistas em Espanha. A escola dá-nos autorização para sairmos do país?” Respondo que vou perguntar, e só penso “Mas a viagem de finalistas também tem a ver com a escola?” e tremo só com a pergunta… 
Quando chegar a casa, tenho que enviar os conteúdos dados na minha disciplina à DT daquele miúdo que tem faltado… E tenho que fazer a ata da eleição do delegado… E as fichas de CEF…. Se sobrar tempo, preparo a aula para o 9.º e a do 8.º… Se não sobrar tempo, abro os livros e sigo as instruções dadas pelas editoras sobre os passos da aula… As editoras também são super organizadas hoje em dia…Está tudo mecanizado! Felizmente… Sim, felizmente… É mecanizar tudo para se ser eficaz… Assim, consigo fazer as coisas… Consigo, sim… Mecanizar! Mecanizar!... Alguém me explica este sabor a ferro  que me incomoda apesar de tudo?

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Dia quente...

Música de "Soprano" (Tema: Mon précieux)

Da geringonça...

...no período pós-autárquicas.


"Onde está a solução para injustiças na colocação de professores por mobilidade interna?"

A questão não é minha, é da FENPROF (aqui). E a ausência de resposta justa, é responsabilidade do Ministério da Educação (ME). Recordo aos mais desatentos ou desinteressados neste tema, que a solução encontrada pelo ME (acolá) para os problemas na Mobilidade Interna (podem ler este artigo da Helena Rechena para o jornal Observador, para melhor se situarem), não satisfazem, por não corrigirem de imediato as injustiças que se criaram, não podendo sequer ser consideradas como procedimentos que permitam essa correção no futuro.

Ficam as soluções da FENPROF, que decerto não recolherão a atenção dos nossos patrões, agora que as eleições autárquicas já terminaram:

"No sentido de resolver este problema, a FENPROF, no ofício agora enviado, voltou a apresentar ao primeiro-ministro as propostas que já fez chegar ao ME, ainda que, até agora, sem qualquer reação da sua parte. Assim, defende: 

- Simulação da colocação a que teriam direito os docentes lesados e colocação administrativa nas escolas ou agrupamentos em que teriam direito; 
- Abertura de processo negocial tendo em vista a necessária introdução de alterações que se encontram devidamente identificadas relativamente ao diploma legal de concursos; 
- Realização, no ano letivo 2017/2018, de um concurso geral, antecipando a realização de concurso interno e mobilidade interna, realizando um novo concurso de integração extraordinário e contratando docentes no âmbito da contratação inicial sem recurso à figura de renovação de contrato."


Da nossa realidade...


Comentário: Mais um daqueles estudos que comprova a realidade das nossas salas de professores... Somos uma classe envelhecida e cansada, quanto a isso não há dúvidas.




Eis as inscrições para ações de formação de professores classificadores de provas de avaliação externa a realizar até final do ano de 2017.

Para acederem à página do IAVE, cliquem na imagem abaixo.





sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Mais alguém anda intrigado...

... sobre o paradeiro do nosso ME, Tiago Brandão Rodrigues, a quem ainda não ouvimos prestar quaisquer declarações sobre as reivindicações dos professores colocados a 25/8?

Sr. Ministro, os professores merecem mais e melhores explicações (para ser simpática, usemos um eufemismo) que aquelas que ouvimos à Secretária de Estado Adjunta e da Educação e ao Sr. Deputado Porfírio Silva sobre esta matéria. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Quem não os tem...

Música de "Julia Michaels" (Tema: Issues)

De leitura (profundamente) recomendada...


Comentário: Para quem teima em não compreender o que aconteceu na Mobilidade Interna, o melhor mesmo é lerem este excelente artigo da "nossa" Helena Rechena, feito exclusivamente para o Observador... No essencial, um artigo certeiro que mais do que explicar o que realmente aconteceu a 25 de agosto (assim como as suas consequências), fundamenta a ineficiência da gestão dos recursos humanos feita pelo nosso Ministério da Educação e justifica de alguma forma o porquê da revolta e indignação de quem viu as regras do "jogo" das colocações alterado.

Acredito que lendo o artigo de forma não contaminada pelo rancor de azares passados (vulgar nas redes sociais e grupos virtuais de professores) ou pela alegria com a desgraça alheia (sentimento tão típicos da nossa classe profissional), poderão perceber melhor o que aconteceu na Mobilidade Interna para este ano letivo.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

4 em 1

Escola tem uma única professora para todos os alunos do 1º ciclo

Mas alguém considera ser humanamente possível, à professora, acudir às necessidades de tantos alunos de 4 anos de escolaridade "metidos" na mesma sala em simultâneo? Pior ainda, tratando-se de alunos de 1º ciclo, em que a autonomia é quase nula. Queixam-se os pais e repletos de razão.
Pobres alunos, pobre professora, pobres pais. 

Provedoria da Justiça | Queixas Mobilidade Interna

Foi hoje divulgada a tomada de posição do Provedor de Justiça relativamente às queixas apresentadas por um conjunto alargado de professores opositores à Mobilidade Interna, conforme se transcreve abaixo.

No fundo, podemos sumariar a posição como "um puxão de orelhas" ao Ministério da Educação e um "neste momento não há muito a fazer" aos queixosos. :(


"O Provedor de Justiça recebeu um conjunto alargado de queixas de docentes sobre os resultados do concurso de mobilidade interna. É contestada, no essencial, a decisão tomada pela Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) de, no referido procedimento, não ter posto a concurso todos os horários até então indicados pelas escolas, mas apenas os horários completos, vindo o preenchimento dos horários incompletos a ocorrer somente na primeira reserva de recrutamento.
De tal opção, alegam, resultou o desrespeito pela ordenação concursal assente na graduação, uma vez que docentes menos graduados obtiveram colocação na primeira reserva de recrutamento em escolas que os docentes mais graduados haviam escolhido preferencialmente.
Como é sabido, o Governo divulgou junto das organizações sindicais a intenção de antecipar a abertura de concurso interno para o próximo ano, ao que se seguirá novo concurso de mobilidade interna. Mais anunciou que «neste procedimento será permitida a mobilidade de todos os docentes que manifestem essa vontade, não sendo obrigado a fazê-lo quem não queira”, ou seja “os docentes que este ano obtiveram colocação [no concurso de mobilidade interna] e não desejem ser opositores ao procedimento antecipado» poderão manter as colocações obtidas no presente ano.
Esta solução traduz o reconhecimento, por parte da Administração Educativa, da inadequação dos resultados concursais. Só tal premissa justifica a abertura de novo concurso interno apenas um ano depois do lançado em 2017 e contrariando a periodicidade regra de quatro anos.
Na verdade, e independentemente da questão de saber se o diploma que rege os concursos permite a submissão ao concurso de mobilidade interna de apenas uma parte dos horários existentes, não pode deixar de se salientar que imperativos de justiça e boa-fé que predominam em toda a atividade administrativa exigem, em qualquer procedimento de natureza concursal, que seja dado aos candidatos conhecimento atempado de todas as regras concursais. Nos concursos de docentes, este conhecimento assume especial importância na medida em que os candidatos são chamados a manifestar as suas escolhas quanto às escolas onde pretendem ser colocados. E, independentemente de tais opções estarem sujeitas a limitações (os docentes dos quadros de zona pedagógica, por exemplo, são candidatos obrigatórios a todas as escolas e agrupamentos de escolas integradas no quadro a que pertencem), a sua manifestação em condições de liberdade e igualdade exige que toda a informação relevante sobre o concurso esteja disponível e seja clara, de modo a permitir aos candidatos antever, ainda que no plano das probabilidades, as consequências das opções tomadas.
Sob outro prisma, não pode a Administração Educativa prevalecer-se do desconhecimento, por parte dos candidatos, de uma parte das opções concursais por si tomadas, para obter ganhos em matéria de recrutamento de novos docentes que, de outra forma, não lograria integralmente.
A solução agora adotada difere, pois, a “correção” dos resultados concursais para o próximo ano escolar, tendo em consideração as prevalecentes razões de interesse público ligadas à necessidade de garantir a regularidade do início das atividades escolares. Na verdade, por força da tramitação sucessiva dos diversos procedimentos de recrutamento de doentes, a repetição do concurso de mobilidade interna envolveria forçosamente a reconstituição dos procedimentos seguintes, pois apenas os horários não preenchidos através daquele concurso podem ser submetidos à contratação inicial e reservas de recrutamento subsequentes. Donde resultaria que – a respeitar-se a reconstituição integral dos procedimentos concursais –, as atividades letivas apenas seriam encetadas com os docentes dos quadros de escola e de agrupamento que não tivessem concorrido à mobilidade interna.
Neste enquadramento, o Provedor de Justiça não deixará de apreciar, no momento em que for conhecida, a conformação, designadamente legislativa, que vier a ser conferida ao próximo concurso de mobilidade interna, com vista a garantir a ponderação dos diversos interesses em presença."

* negrito da minha autoria

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Analogias...

"Dizer que um professor trabalha 22 horas por semana é como dizer que um jogador de futebol trabalha 90 minutos por semana. Acho que assim todos os portugueses entendem..."

Fonte: Facebook (autor não identificado)


Mais do que palavras... ações!


Comentário: Não obstante da elementar justificação para tais queixas, há algo que ninguém pode negar: estamos perante colegas de "fibra", que mais do que contestarem nas redes sociais, nas salas de professores, conseguiram organizar-se, financiar-se e traçar uma estratégia de ação.

Muitos afirmam que estão ou estiveram em pior situação. Admito que sim. Mas a diferença entre estes últimos e os que agora se movem no sentido da reposição da justiça, é a passagem à ação. Este é um caso de estudo, que mereceria uma análise mais atenta, até porque é deste tipo de união que precisamos na nossa classe.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Isto só visto



CONCURSO INTERNO
VINCULAÇÃO EXTRAORDINÁRIA
MOBILIDADE INTERNA
CONCURSO EXTERNO e a grande estreia do

 .. tcharan...

CONCURSO INTERNO EXTRAORDINÁRIO e
MOBILIDADE INTERNA OPCIONAL!

(Escapou-me algum?!)



A DGAE está prestes a promover mais concursos que a SIC e a RTP em conjunto.

(Não sei se catalogue esta publicação como "Humor" ou "Concursos". Na dúvida seguem os dois.)

Da (falta de) vergonha...


Comentário: Chamo a atenção daqueles que apenas lêem os títulos das notícias, que não estamos atualmente perante colegas excluidos, mas sim colegas que viram os seus recursos hierárquicos deferidos, tal como podem constatar da leitura do seguinte excerto:

"(...) cerca de duas centenas já terão visto a sua situação regularizada, depois de lhes ter sido dada razão no recurso hierárquico que interpuseram, estando já colocados nas escolas ou até mesmo vinculados aos quadros, quando a sua graduação profissional assim o permitia."

Mas não só...

"(...) há um conjunto de professores – cerca de uma centena –, que só foi notificado da decisão relativa ao seu recurso no dia em que foram publicadas as listas dos concursos dos quais foram excluídos ou poucos dias depois, havendo ainda casos de quem aguarda, passados dois meses, uma decisão."

Caso para dizer que, ao contrário do que muitos afirmam, não creio que os concursos de professores tenham decorrido com normalidade, com alguns problemas pontuais. Acredito que estes colegas a quem foram deferidos os recursos hierárquicos, vejam a sua situação corrigida nas próximas semanas... Mas o problema maior não será na dúvida da correção do erro. O maior problema será este tempo de indecisão, onde nada se sabe, nada se pode fazer e onde quem tem ascendentes ou descendentes a cargo, estará numa situação bem complicada de gerir.

E é isto...

...no final de um dia extremamente cansativo.

Música de "P!nk" (Tema: What About Us)

Amar também é isto...



A solução encontrada pelo ME para os problemas com a Mobilidade Interna...

...em 2 partes:

a) O aumento do período de permutas para quem foi opositor à Mobilidade Interna 2017/2018 (que já se encontra a decorrer, conforme poderão constatar aqui);

b) Abertura de um concurso interno extraordinário já para o próximo ano letivo.

Fonte: SIPPEB

Nem a primeira nem a segunda solução são viáveis para resolver aquilo que aconteceu na Mobilidade Interna. A primeira porque quem está bem não quererá permutar e a segunda, pelo facto de que quem ficou "bem" colocado, não se irá atrever a ir a concurso, e também por um previsível número reduzido de vagas a concurso, que possam implicar alguma mudança de "cadeiras". Para além disso, a abertura de um novo concurso interno já no próximo ano letivo, implicará uma necessária alteração do atual normativo legal dos concursos, sob pena de remeter (obrigatoriamente) todos os professores dos Quadros de Zona Pedagógica para a Mobilidade Interna.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Olhe que não, Sr. Deputado, olhe que não...


"A Srª Deputada Nilza de Sena falou, no que diz respeito ao concurso de professores, do drama de milhares de professores do quadro, da alteração do concurso e de ilegalidades. Nada disso é verdade. Nada disso é verdade. Não houve nenhuma alteração do concurso.  Não houve nenhuma ilegalidade e não há nada como milhares de professores nessa circunstância."

Não houve? Então proponho-lhe um desafio: verifique as listas de Mobilidade Interna de agosto de 2016 e compare-as com as de agosto de 2017. Concluirá que, ao contrário do que sucedeu este ano, em agosto de 2016 houve professores a obter colocação em horários inferiores a 22 h. Houve ou não a aplicação de uma regra diferente?

Mobilidade Interna - 30/8/2016:

Mobilidade Interna - 25/8/2017:


Quanto a haver ou não milhares de professores nessa circunstância (longe de casa) julgo que o número é irrelevante. Trata-se de aferir se estamos ou não perante uma ilegalidade. Um ladrão é sempre um ladrão, quer assalte 10 casas, quer assalte 100 num mês. 

"Vinculação extraordinária de professores: é para colocar os professores, onde o sistema precisa. Estava lá uma regra "Qualquer professor vinculado, tem que ficar, pelo menos, um ano na vaga onde vincula porque foi para lá para preencher uma necessidade. Pelos vistos há pessoas que assinam baixo-assinados a protestar contra essa regra embora tenham concorrido a um concurso onde essa regra era explícita."

Está lá essa regra mesmo? Não se estará a confundir com a regra das permutas e impossibilidade de obter mobilidade por doença no caso dos professores vinculados extraordinariamente em 2017?
O que há é uma regra que refere que qualquer docente que viesse a vincular em 2017 no concurso externo extraordinário teria obrigatoriamente que exercer funções na escola de colocação da Mobilidade Interna. Ao contrário do que afirma o Sr. Deputado, isso não quer dizer que o professor tenha que ficar um ano na vaga (e por vaga, presumo que queira dizer QZP) onde vincula. Se assim fosse, só lhes seria permitido concorrer a vagas para escolas do QZP a que pertencem. Não foi isso que aconteceu. Os professores vinculados este ano puderam concorrer a qualquer escola do país, sendo porém, obrigados a concorrer também às escolas do QZP em que vincularam.


"O Governo já anunciou que, apesar de algumas estratégias que os professores utilizam, legitimamente, para procurar melhorar e progredir na sua carreira, terem resultado mal, por exemplo, professores que assinalaram 100, 150, 160 preferências no concurso isso em alguns casos deu mau resultado. Mas, apesar disso, e porque compreendemos, queremos corrigir essas situações que vai haver um concurso extra para que esses professores só, se quiserem, possam no próximo ano tentar corrigir essa situação."

Ponto prévio: não lhes chame "estratégias" porque pode dar a ideia de que os professores estarão a fazer coisas menos corretas. Que fique claro que as regras lhes permitem isso, logo estamos dentro da legalidade. Os professores assinalaram tantas preferências porque: 1º as regras lho permitem, 2º isso deu, em muitos casos, maus resultado não por culpa dos próprios mas sim porque houve uma supressão enorme de horários à Mobilidade Interna de agosto (supressão de todos os horários incompletos que só vieram a ser atribuídos em setembro a professores tendencialmente menos graduados). Já agora, a situação que tão generosamente "deixam corrigir" não é imputável aos professores. Os professores manifestaram as preferências em consciência e não terão nada a corrigir. 

E já que fala nisso, deixo um desafio todos os professores da Mobilidade Interna: teriam alguma coisa a corrigir às preferências que manifestaram em agosto? 

Numa coisa, porém, estamos de acordo, Sr. Deputado Porfírio Silva:  "A desfaçatez em política deveria ter, apesar de tudo, alguns limites"

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A solução política do ME anunciada por Mário Nogueira...

Ouçam bem os primeiros 5 minutos! Não se assumem erros, nem se avançam soluções e aparentemente espera-se que os professores se "acomodem". Assume-se o alargamento das permutas e pouco mais.

Quanto a Mário Nogueira... Bem... É melhor ouvirem. Agarrem-se às cadeiras!

Concursos de professores 2017/2018: Reserva de Recrutamento 2

Eis as listas da segunda Reserva de Recrutamento. Cliquem na imagem abaixo, para acederem às mesmas.





A não ser que algo tenha ocorrido, podem ver abaixo o que estava disponível por volta das 21:50h: ausência de listas!

Nota importante: se após as 22h ainda estavam com este panorama nos vossos computadores, limpem a "cache" do vosso browser... Depois de o fazerem, terão listas.




Em português...

...porque ocasionalmente também é bom calibrar o gosto auditivo. Espero que gostem.

Música de "Fernando Daniel" (Tema: Espera)

E enquanto não é comunicada a "decisão política" para os problemas com a Mobilidade Interna...


Comentário: O "eterno" Mário Nogueira bem anunciou que hoje existiria o anúncio da "decisão política" relativamente à polémica das colocações em Mobilidade Interna, mas a FNE já veio afirmar que a única solução apresentada foi aquela que já todos ouvimos falar e que, em boa verdade pouco ou nada resolverá: o alargamento do prazo do regime de permutas.

Se esta for a "decisão política" anunciada, para resolver este imbróglio, receio bem que só vá aumentar a motivação de quem se organizou, no sentido de fazer valer a sua indignação. Isto não é uma solução, na melhor das hipóteses será uma pseudo-solução encontrada numa refeição repleta de feijões.

O dia 15 de setembro ainda não terminou...

...e de facto, já tivemos listas de colocação a serem publicadas "noite dentro", mas com tanta perturbação no que a concursos diz respeito, causa alguma estranheza um eventual arrastar da publicitação de listas da segunda Reserva de Recrutamento (leiam esta nota informativa) para o fim deste dia.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O drama dos professores explicado aos que não o são

Para além do drama familiar que estas vidas errantes arrastam, cujos exemplos estão relatadas no vídeo abaixo, falta apenas explicar, de uma forma simplificada, o que aconteceu entre agosto e setembro. 

No dia 25 de agosto o Ministério optou por colocar os professores "efetivos" com maior graduação (isto é, professores com mais tempo de serviço) apenas em horários completos. Embora isso não estivesse previsto, temos que admitir que não seria uma medida completamente desprovida de sentido. 

Mas então qual foi o problema? 

O problema surge quando, cerca de duas semanas mais tarde (a 6 de setembro) o mesmo Ministério subverte a regra que aplicou aos professores colocados em agosto, colocando os restantes professores "efetivos" (tendencialmente com menos tempo de serviço) quer em horários completos, quer em incompletos.

É fácil de ver que, tendo acesso quer a horário completos, quer incompletos,  estes professores colocados mais tarde (já em setembro) acabaram por ter acesso a um maior conjunto de horários para escolher. Isto levou a que, grosso modo, os últimos - sem que qualquer culpa lhes possa ser atribuída - tivessem ficado colocados em escolas muito mais perto das suas casas que os professores com mais tempo de serviço.

E foi assim que aconteceu. :(