quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Para relaxar...

Música de "Tiago Bettencourt" - (Tema: Se Me Deixasses Ser)

Será que já não bastava a partidarização da educação?


Comentário: Continuamos a caminhar no sentido da partidarização de todos os setores da nossa sociedade... Infelizmente ainda não consegui compreender como se (sobre)vive num ambiente inquinado pelos partidos (algo que é particularmente notório em diversas escolas do interior norte, por onde já tive a sorte de lecionar), mas receio bem que terei de o fazer dentro em breve, sob pena de perder a (pouca) sanidade mental que ainda detenho.

Temos negociação suplementar...

...e pelo que pude apurar, são vários os sindicatos que a solicitaram. Embora admita que possam ser mais, através de uma curta pesquisa na internet, consegui encontrar seis sindicatos que pediram negociação suplementar. As fundamentações para tal, encontram-nas clicando nos links abaixo:


Não obstante de ainda estarmos longe de propostas ideiais (se é que isso existe, quando são tão variados os interesses), julgo que já foram concretizados alguns avanços que importa segurar. Estou em crer que a maior confusão estará relacionada com o diploma da vinculação extraordinária, mas sinceramente não me parece ser possível agradar a todos.

Da felicidade contida...


Definitivamente...

...não fui feito para "alvoradas" às 5:45h. E quando as mesmas se repetem no tempo e são antecedidas de solicitações de nutrição às 2h da manhã, é quase inevitável não adormecer imediatamente a seguir ao jantar. Definitivamente a minha rotina mudou!


Não é cegueira parental...

...é mesmo vontade de dar à filha uma educação baseada em violência, sem comprovar se os factos são como os relataram (sim, porque os nossos filhos também mentem) e admitindo que bateu num professor, como quem admite ter tomado um café e comido uma nata ao pequeno-almoço. Se quiserem ver o vídeo completo, podem aceder ao sítio virtual do Correio da Manhã (CM) ou então verem o vídeo abaixo com uma versão resumida, concretizada aqui pela "casa".

Desde que a minha caixa de correio eletrónico foi agraciada com os queixumes escritos de um jornalista do CM, que prometi a mim próprio abandonar sempre que possível referência a este meio de comunicação social, mas depois de ter visto a "pérola" que é a entrevista ao pai agressor, não consegui mesmo evitar. Por esse motivo, fica o meu pedido de desculpas. Não é meu interesse ferir a vossa inteligência.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Da cultura...

São, no total, quinze alunos… Três têm Necessidades Educativas Especiais… A verdade é que trabalhar com os outros doze não é menos fácil… Têm quase todos tantas dificuldades de aprendizagem que dei comigo, várias vezes, a ter de consultar os meus apontamentos para confirmar os nomes dos meninos com NEE… É, sim, uma turma com alunos fraquinhos… Bem sei que fica mal dizer-se que há alunos “fraquinhos”, mas é verdade: são, em termos de aproveitamento, “fraquinhos”… 
Quinze alunos com histórias que eu conheço e que eu desconheço. 
Há a Joana, que vive numa instituição e não fala com os pais. 
Há o Marco, que fugiu de casa com a mãe porque se fartavam de receber porrada. 
Há a Patrícia, que vive com a avó de 80 anos. 
Há a Sofia que trabalha ao fim-de-semana num restaurante e, quando pode, no final do dia, faz umas horas num café perto de casa. 
Há o João da ilha. Mas ora dorme na ilha, em casa da mãe, ora por aqui, em casa do pai, ou ainda em casa da avó, quando esta não se sente muito bem. 
Há o Paulo, que tem de cuidar da irmã, porque a mãe trabalha em três sítios e raramente está em casa. 
E há o colega que está chocado. - Há sempre um ou dois colegas assim. - Está chocado muitas vezes. Desta vez, está chocado porque lhes deu um trabalho sobre tolerância e os miúdos inventaram histórias, em vez de pesquisar sobre o Gandhi ou o Luther King… Aliás, eles não sabem quem é o Gandhi ou o Luther King… E então, o colega nada tolerante que dá trabalhos sobre tolerância está escandalizado com a falta de cultura destes miúdos… Oh pá… Vão desculpar-me, mas eu não consigo deixar de achar que é muita falta de cultura ficar-se escandalizado com a falta de cultura dos outros…

Relativamente às negociações...

...assumo desde já a perceção de que os sindicatos (qualquer que ele seja) não têm tarefa fácil, uma vez que independentemente do que proponham, retifiquem ou até defendam, existe e existirá sempre quem critique e não esteja satisfeito. É por estas e por outras, que o estar "de fora" é um lugar privilegiado, mas que não deve ser nunca desculpa para não se fazer ouvir ou sequer para intervir.

Tal como em outras negociações, o ruído é imenso, a confusão é grande, as interferências (como por exemplo, a das alegações de corrupção na adoção de manuais) são brutais, mas não nos devemos arredar do que realmente é relevante. E o que é relevante é mantermos alguma serenidade, ler com atenção aquilo que entretanto vai sendo negociado (que ao contrário de alguns, me parece mais positivo que negativo), intervirmos onde é possível e, quando insatisfeitos com algum sindicato, só temos mesmo é de cortar na filiação.

Como muitos sabem, defendo a graduação nas listas nacionais como critério de colocação e o respeito pelo Código de Trabalho no que a vinculações diz respeito, mas constato também (e porque não sou surdo nem cego) que tal não irá ocorrer com este Ministério da Educação e com o paradigma do "é melhor poucos que nenhuns" dos nossos sindicatos. E não, não é uma crítica, é uma constatação, sabendo de antemão que se os sindicatos batessem o pé para que o Código do Trabalho fosse cumprido (não assinando qualquer proposta "intermédia") também seriam criticados.