sexta-feira, 26 de maio de 2017

Both sides now...

Para as apresentações orais (em Inglês) deste período, os meus alunos de 11.º podiam optar por um tema livre ou então algo relacionado com o último tópico desenvolvido nas aulas: o ambiente. Para esta última opção, dei-lhes algumas sugestões baseadas naquilo que o manual utilizado apresentava. Uma delas tinha a ver com a análise de uma canção (letra e/ou vídeo) que tivesse a ver com o tema. Apresentei alguns exemplos (pedacinhos de música do YouTube). Os dois primeiros que me vieram à cabeça foram o “Mercy, Mercy Me” do Marvin Gaye e o “Big Yellow Taxi” da Joni Mitchell, mas pensei que, por serem canções mais antigas, não iam gostar do “beat” (como eles dizem), e então, sem omitir o nome dos verdadeiros autores, apresentei-lhes, no primeiro caso a cover dos Strokes/Eddie Vedder/Josh Homme (que eu adoro), e, no segundo caso, a versão dos Counting Crows/Vanessa Carlton. 
Na sexta-feira à noite, enquanto estava a jantar com uns amigos, recebo o “bip” do Messenger no meu telemóvel. Uma das minhas alunas acabava de me enviar o link no YouTube do “Big Yellow Taxi” cantado pela Joni Mitchell… “A versão original é muito melhor, professora. Não querendo ofender o outro senhor, esta senhora dá-lhe 10/0. Uma voz única mesmo, adorei!” E eu fiquei com um sorriso de admiração (admiração de espanto, mas também admiração de consideração) o jantar todo. 

Há uns anos, no final do ano letivo, a minha direção de turma estava a organizar um último jantar e queria aproveitar a Semana Académica para juntar o agradável ao super/mega/hiper agradável… Uns alunos falaram, já não sei como – até porque acho que nem estava incluído no cartaz naquele ano –, de Kusturica and The No Smoking Orchestra. 
- Esperem lá, Kusturica? Emir Kusturica? 
- Sim, professora… 
- Vocês conhecem? 
- Ya… 
- Esperem lá… Deve ser um nome “emprestado”. Não pode ser o mesmo Kusturica de que eu estou a falar. O sérvio que faz filmes fabulosos? 
- Sim. Gato Preto, Gato Branco… Arizona Dream… 
- (silêncio) 
- Professora? 
- Desculpem-me, estou um pouco abananada… E vocês gostam? 
- YA!!?? 
- E da música também? 
- YA!!?? 

Isto tudo para dizer que... há miúdos FANTÁSTICOS! Irão com certeza, voltando à Joni Mitchell, aprender a ver a vida "from both sides", mas que nunca se tornem amargos como muitos adultos que eu conheço por aí... Sim, aceito alunos no Facebook. Sim, por vezes, converso com eles no Messenger. Não, nunca me dei mal com isso. Sim, ficaria triste, aqui, com um comentário recriminatório nesse sentido. Mas a verdade é que estas pequenas alegrias fora do palco da aula compensam bem isso tudo. E dá-me um enorme gozo, já que corro o país, poder continuar a vê-los por aqui: promessas de seres humanos interessantes que eu tento/tentei, enquanto professora, ajudar a construir...


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Em português...

Música de "Virgul" (Tema: Só Eu Sei)

Do nosso omnipresente presidente...


Mais um concurso de vinculação extraordinário na calha?


Comentário: Aquando dos primeiros rumores da primeira vinculação extraordinária, defendi (terei sido dos primeiros na blogosfera) que em vez de fazerem vinculações por "impulsos", com critérios à la carte, o melhor mesmo seria calcularem com seriedade as reais necessidades das escolas e fazerem um concurso externo ordinário, tendo em consideração as mesmas.

Lembro-me que recebi imensos hate mails de "colegas" que defendiam que era melhor a entrada em quadros de poucos que nenhuns (algo que a FNE sempre defendeu com muitas unhas e poucos dentes). Eu lá respondia que se fosse respeitado o Código de Trabalho e se determinassem as vagas com seriedade, estas situações extraordinárias poderiam ser evitadas, e que a não serem evitadas poderiam gerar mais injustiças (muito por causa das condições de "acesso" às vagas serem aparentemente aleatórios). 

Entretanto, lá se concretizaram uns quantos concursos extraordinários... Muitos estarão satisfeitos, muitos mais estarão descontentes. Criaram-se injustiças que jamais se poderão reparar, mas alguns dirão que a "vida é assim" e que nada se pode fazer. Mas pode. Um dos primeiros passos seria mesmo terminar com estes "extraordinários", que podem corrigir algo, mas apenas poucos (ou se quiserem neste ano, em concreto, para metade).

Se isto não é brincar com os professores, o que será??

Registo com agrado a defesa dos professores por parte do atual Primeiro Ministro...

O problema é que estamos perante pura retórica, sem consequências políticas e legislativas que produzam resultados positivos no sentido de realmente melhorar as condições de trabalho e de estabilidade profissional (e pessoal, obviamente).

Fica o registo...

Eis a proposta de calendário escolar 2017/2018


Comentário: Para já ainda não estamos a falar de datas definitivas, uma vez que ainda faltarão os pareceres do Conselho de Escolas e da Associação Nacional de Municípios. No entanto, não acredito que surjam grandes novidades ao que o jornal i divulga.

Sendo assim, deixo-vos com alguns excertos da notícias que poderão ser relevantes, uma vez que ainda não se conhece a proposta em versão proposta normativa:

Nota: negritos e sublinhados de minha autoria.

- "As aulas do próximo ano letivo vão começar entre 8 e 13 de setembro."

- "(...) o pré-escolar vai ser ajustado ao ano letivo do 1º ciclo. As atividades letivas destes dois anos escolares terminam no mesmo dia, a 22 de junho de 2018."

- "O 1.º período do ano letivo termina a 15 de dezembro e o 2.º período arranca a 3 de janeiro e termina a 23 de março de 2018, com o domingo de Páscoa marcado para dia 1 de abril."

FENPROF termina negociação do diploma de permutas em desacordo com o ME

A justificação para tal reação sindical é a que podem ler abaixo (e que foi retirada daqui):

"O ME enviou à FENPROF, ontem, dia 23 de maio de 2017, a versão final da sua proposta de regime da permuta, não tendo introduzido qualquer alteração, por mínima que fosse, no projeto que esteve em apreciação na segunda reunião negocial realizada, a este propósito, no passado dia 19 de maio. 

Confirma-se que o ME, contrariando o que foi afirmado naquela reunião pela presidente da sua equipa de negociação, Dr.ª Elda Morais, não tinha afinal qualquer abertura para acolher as propostas apresentadas pela FENPROF. 

Termina assim este processo negocial tal como tinha começado: com o total desacordo da FENPROF ao projeto do ME, face à restrição do direito de permutar que ele encerra, pois deixarão de poder aceder à possibilidade de permuta docentes que, até aqui, puderam dela beneficiar. É o caso dos docentes candidatos ao concurso interno, dos colocados no concurso externo e, ainda, dos colocados no concurso de contratação inicial em horários anuais e completos. 

Acrescenta-se, pois, mais um episódio à incapacidade ou indisponibilidade para resolver problemas que a atual equipa do Ministério da Educação tem repetidamente revelado. É tempo de inverter este caminho. 

Lisboa, 24 de maio de 2017 

O Secretariado Nacional"

De acordo com a boa tradição ministerial, teremos então a última versão a ser convertida em normativo legal, sem grandes conversas com os sindicatos.

Para quem considera que somos uns privilegiados...

...e também para aqueles que acham que está tudo bem e que não temos grandes motivos para contestação.