terça-feira, 18 de junho de 2019

Nada que já não se esperasse...


Comentário: Estamos perante o fruto do intenso trabalho político de desvalorização da classe docente, que contraria de forma inequívoca o mito urbano de que somos uns privilegiados. Se fossemos realmente uma classe privilegiada, estou certo que os cursos de formação de professores estariam a abarrotar!

Se acrescentarmos a este facto, o número elevado de pedidos de reforma, julgo que em poucos anos teremos todas as condições para a escola pública entrar em falência. Obviamente que isso não interessa nada aos nossos políticos, pois as "soluções" são sempre pensadas para resolver problemas (normalmente, os deles) e não para os evitar.

Calendário escolar 2019/2020 em despacho

Foi hoje publicado em Diário da República, o Despacho n.º 5754-A/2019 que aprova o calendário escolar 2019/2020, assim como as datas das provas de aferição, provas finais, provas de equivalência à frequência e exames nacionais. Para acederem ao mesmo, cliquem na imagem abaixo.


Perguntas frequentes relativas à recuperação dos 2 anos, 9 meses e 18 dias (II)

No dia 23 de maio a DGAE publicou (aqui) uma nota informativa relativa à recuperação dos 2 anos, 9 meses e 18 dias... Passadas algumas semanas, publica um aditamento (acolá) à nota informativa em causa, e pode ser cansaço da minha parte, mas persistem dúvidas, nomeadamente ao nível da mobilização da avaliação do desempenho.

Passo a explicar:

Na nota informativa de 7 de junho, relativa ao mesmo tema, é indicado que "os docentes que progridem ao longo do ano de 2019 e até 31 de julho de 2020 em virtude da recuperação do tempo de serviço, em qualquer uma das suas modalidades, e só estes, e que não tenham ainda os restantes requisitos do artigo 37.º do ECD, podem mobilizar a última avaliação do desempenho, ao abrigo do n.º 7 do artigo 40.º do ECD, desde que a mesma corresponda à efetiva avaliação de 2007/2009, 2009/2011 ou pelo DR n.º 26/2012, de 21 de fevereiro, ou outra legislação aplicável". Também é contemplada a exceção não aceite do suprimento da avaliação atribuído pela Lei do Orçamento de Estado para 2018.

Já neste último aditamento, e não obstante de se confirmar que o suprimento da avaliação decorrente da Lei do Orçamento do Estado para 2018 não é aplicável, é acrescentado que a última avaliação anterior a essa poderá ser mobilizada, mas se nunca tiver sido usada antes

Posso estar enganado, mas nestas condições ("nunca ter sido usada antes") não sei como será possível mobilizar avaliação do desempenho... Que confusão!

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Uma luta com vários anos...


Comentário: Por motivos óbvios estaremos mais atentos a estes últimos anos de luta (principalmente desde o "reinado" de Maria de Lurdes Reis Rodrigues), no entanto, importa conhecer a história subjacente aos direitos que foram sendo adquiridos e também aqueles que entretanto nos foram retirados.

De leitura recomendada, principalmente para aqueles que generalizam uma ineficácia e ineficiência de raiz nos sindicatos de professores. Nem sempre foi assim, e convém não esquecer, sob pena de enfraquecermos ainda mais as únicos estruturas que (para o bem e para o mal) nos representam. 

Sim...

...hoje estou mais ativo no blogue, mas isso resulta da conjugação de 3 fatores: em Vila Real é feriado, a minha esposa está a trabalhar (na localidade onde ela leciona não é feriado) e os meus sogros tiraram o dia para estar com os netos.

Entre terminar relatórios, elaborar tabelas excel, terminar uns trabalhos para uma pós-graduação, responder a algumas mensagens de correio eletrónico e rever uns relatórios de autoavaliação, hoje irei andar por aqui.



E é isto...

...sempre que penso nesta confusão que se tornou a nossa classe profissional.

Música dos "Hurts" (Tema: Miracle)

Tirar do sério sem consequências, é apenas publicidade...


Comentário: Mário Nogueira afirma que os professores terão sido os únicos a tirar o Governo do sério... Refere também que "às vezes as pessoas podem não se aperceber disso", mas para quê nos apercebermos de algo que não teve efeitos práticos. A devolução dos 2 anos, 9 meses e 18 dias foi uma decisão governamental, que nenhuma influência teve dos sindicatos... Mesmo o teatro parlamentar da devolução de todo o tempo de serviço furtado, acabou por dar no que deu: capitalização de votos para o PS, resultado de mais uma vez se "bater" na nossa classe profissional.

Bem sei que os sindicatos têm uma intervenção limitada, tendo em conta os compromissos partidários da geringonça, que visam não a reposição da justiça, mas a manutenção do poder e da influência, mas para mim, de parco consolo me serve sermos assumidos como incómodos.

Na notícia também ficamos a saber que os próximos 3 anos serão os últimos do "eterno líder" sindicalista. Não fico especialmente entusiasmado com esse facto, até porque não sei quem será o seu sucessor (ou sucessora) e, também sei que a FENPROF terá sempre uma forte influência politica de esquerda. Ficarei na expectativa... Uma expectativa ensombrada pelo facto de já não ter grande esperança na devolução do restante tempo de serviço furtado e também por saber que se não nos devolvem esse tempo na próxima legislatura, pouco ou nada haverá a fazer. E quem lá vai estar à frente do rumo dos sindicatos na próxima legislatura? É esse mesmo... Mário Nogueira.

Claro que não recomendam...


Comentário: Recomendo a audição desta reportagem da Antena 1... São pouco mais de 27 minutos de pura agonia, não apenas por aquilo que se ouve, mas acima de tudo pela identificação pessoal com muito do que é relatado. É um retrato fiel da nossa classe profissional, onde poucos ainda conseguem resistir à exaustão emocional, à desvinculação afetiva aos nossos alunos, ao conflito e indisciplina (quase) permanente.

Infelizmente os nossos governantes não têm qualquer interesse em gerir de uma forma positiva esta situação, capitalizando-a de forma perniciosa e depreciativa, para capitalizar o estigma contra os professores, somando votos de quem considera que somos uma classe privilegiada.