quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Da previsibilidade da falta de professores a curto e médio prazo...


Comentário: A pergunta tem várias respostas e quem é professor conhece-as perfeitamente... É um panorama há muito previsto, e fruto das recentes políticas educativas, que centram a sua ação na degradação de uma classe profissional, não só em termos de perda de autoridade, de desrespeito, de desmotivação, mas acima de tudo, na burocratização. 

Os professores estão imersos em legislação e estão a ser formatados para se limitarem a aplicá-la e justificá-la, não deixando grande espaço para aquilo que deveria ser central na classe: ensinar! E quando finalmente os professores criaram metodologias e estratégias para desenvolverem aquilo que está legislado, eis que alguém volta a "baralhar as cartas" e a mudar as designações. Isto é motivador? Claro que não... Se aliarmos a isto, o roubo de tempo de serviço, os salários irreais para uma classe que deixa muito na estrada e nos alugueres de quartos, a indisciplina dos alunos e a falta de educação de alguns progenitores, é óbvio que nas próximas duas décadas, estas notícias serão em maior número.

Posso (e quero) estar enganado, mas creio que estamos perante uma situação dificilmente reversível, tendo em conta que não existe vontade política para a modificar.

Greve ao trabalho extraordinário...


Comentário: Bem sei que dificilmente encontraremos um colega de profissão que não saiba que estamos novamente em greve ao serviço extraordinário, no entanto, fica o esclarecimento de que esta greve iniciou na passada segunda-feira (14 de outubro) e não tem prazo definido para terminar.

Para memória futura, fica um excerto do pré-aviso de greve (aqui) para que saibam exatamente o que podem (não) fazer ao abrigo do mesmo:

Nota: negritos e sublinhados da minha autoria.

"A greve convocada através deste aviso prévio incide sobre as reuniões de avaliação intercalar dos alunos, caso as atividades da escola não sejam interrompidas para o efeito

A greve também incidirá sobre reuniões gerais de docentes, bem como as reuniões de conselho pedagógico, conselho de departamento, grupo de recrutamento, conselho de docentes, conselho de turma, coordenação de diretores de turma, conselho de curso do ensino profissional, reuniões de secretariado de provas de aferição ou de exames, bem como a reuniões convocadas para a implementação do DL 54/2018 e do DL 55/2018, designadamente as que forem convocadas no âmbito da Portaria n.º 181/2019 (PIPP), sempre que as mesmas não se encontrem expressamente previstas no horário de trabalho dos docentes. 

Está ainda abrangida por este aviso prévio a frequência de ações de formação a que os professores estejam obrigados por decisão das escolas ou das diferentes estruturas do Ministério da Educação, quando a referida formação não seja coincidente com horas de componente não letiva de estabelecimento marcada no horário do docente e, não sendo, a convocatória acompanhada de informação concreta de dispensa daquela componente não letiva de estabelecimento

A greve também abrange as atividades de coadjuvação e de apoio a grupos de alunos, em todos os casos em que as mesmas não se encontram integradas na componente letiva dos docentes

A greve também abrange a reposição de horas de formação nos cursos profissionais, sempre que seja imposta para além das horas de componente letiva ou nas interrupções letivas, ainda que remuneradas como serviço extraordinário.

Por último, a greve abrange todas as atividades (formação, preparação, deslocação, observação, elaboração de registos e reuniões) atribuídas aos avaliadores externos, no âmbito da avaliação de desempenho dos professores, sempre que lhes sejam impostas para além das horas de componente não letiva de estabelecimento, ainda que remuneradas como serviço extraordinário, ou, ainda que integrem aquela componente, quando obriguem a alterações na organização da componente letiva, como a realização de permutas ou a marcação de aulas para tempos diferentes dos previstos no horário estabelecido."

A decisão de adesão a esta greve é sempre pessoal, mas convém sabermos exatamente o que está "em cima da mesa", para não termos surpresas desagradáveis.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Descontos por greve ao serviço extraordinário

Para que não restem quaisquer dúvidas, aqui fica o esclarecimento enviado às escolas/agrupamentos no ano letivo anterior, por ocasião da greve homóloga à que teve início nesta segunda-feira:
Se, ainda assim, as vossas escolas vierem a proceder a descontos, aqui recupero a minuta para pedido de esclarecimentos.



sexta-feira, 27 de setembro de 2019

E pedem muito bem!


Comentário: De acordo com a notícia em causa, os alunos pedem pequenas pausas nas aulas para manterem a concentração e o interesse. 

Fazem bem! 

Eu agradeço que  peçam, pois é exatamente isso que eu faço nas aulas de 90 minutos (seja no 3.º ciclo ou secundário), não só pelos alunos, mas também por mim. E aproveito os momentos de "pausa" dos conteúdos formais, para conhecer melhor os meus alunos, para partilhar um pouco da minha vida e para pedir aos meus alunos que partilhem a deles. São estes momentos, aqueles que eu mais valorizo e os únicos que ainda me mantêm motivado! Sem eles, provavelmente, já não estaria nesta profissão. E as alternativas ainda não se conseguem sobrepor à vontade que tenho em dar o meu melhor, por aqueles que podiam ser os meus filhos.

É uma questão de cidadania e não de justificação legal...


Comentário: Julgo que quase todos os professores se terão deparado com alunos a questionar a legitimidade em fazerem greve pelas alterações climáticas... Não estarei errado em afirmar que a legitimidade é total, não obstante de saber que alguns destes jovens que hoje se "manifestaram" são os mesmos que diariamente padecem de uma quase total inconsciência ecológica, e que aproveitam a possibilidade de falta justificada para libertarem uma tarde de aulas. 

No que concerne às faltas, julgo que aqui os pais e encarregados de educação poderão ter um papel pedagógico... Independentemente do diretor de uma escola/agrupamento de escolas assumir a aceitação de uma justificação por greve (algo que me suscita dúvidas legais, mesmo perante um quadro de autonomia), julgo ser mais relevante compreender os motivos que levam os nossos filhos a aderirem a uma iniciativa deste tipo. E se os motivos forem justos, porque não apoiá-los no seu exercício de cidadania? Mesmo que seja apoiando em algo que não está ao abrigo de justificação legal, mas que não prejudicará outros.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

E quando a formação dos professores só "trabalha" a legislação, não podemos ter grandes resultados...


Comentário: Acho que a falta de formação vai muito além da gestão de alunos com défice de atenção... Os professores necessitam urgentemente de formação em inteligência emocional, ou se quiserem, uma formação que nos prepare para a nova realidade dos nossos alunos e do mundo que nos rodeia. Para uma realidade completamente diferente daquela para a qual fomos formatados.

Temos sido bombardeados com formações em flexibilidade curricular, empreendedorismo, educação inclusiva... Mas nenhuma delas terá efeitos positivos, se não trabalharmos todas as competências que estão subjacentes à mudança. E a mudança não se faz por decreto! Não é por ter um normativo legal que me "ordena" flexibilidade e educação inclusiva, que eu irei conseguir melhorar a qualidade das aprendizagens dos meus alunos. É preciso trabalhar a montante! Trabalhar a inteligência emocional dos professores, para conseguirmos lidar com tudo aquilo que nos pedem. E que é (mesmo) muito! Neste momento, muitos de nós não conseguimos compreender a realidade dos nossos alunos. Alguns porque não querem, mas acredito que a esmagadora maioria, não compreende porque efetivamente não desenvolveu as (suas) "ferramentas" internas de inteligência emocional. E este desenvolvimento dificilmente ocorrerá, se não tivermos formação.

Somos uma classe envelhecida...


Comentário: Começo por afirmar que me recuso a tecer grandes comentários a outra notícia que faz (mais uma vez) falsa publicidade ao salário que auferimos (aqui). É algo que surge ciclicamente e que já foi por diversas vezes desmentido, tendo em conta que entre muitos outros fatores, existem vários descontos que não são considerados e que atiram para baixo, aquilo que efetivamente são os números reais.

Adiante.

No que concerne à notícia em causa... Não há dúvidas. Somos uma classe envelhecida (desde que entrei no ensino, tenho sido sempre - ou quase - o docente mais novo das escolas por onde vou passando, e já estou bem próximo dos 42 anos). Todos (incluindo, quem nos tem governado) sabemos que a médio prazo teremos falta de professores nas escolas, e isso será um grave problema para o qual não existirá solução fácil. As campanhas políticas de enxovalhamento da nossa classe, tiveram os seus resultados. E este é um deles!

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Calendário escolar 2019/2020 para edição e impressão

Como vem sendo tradição neste blogue, na semana que antecede o início de um novo letivo, faço uma pequena pesquisa no Google, para ver eventuais novidades em termos de calendários escolares para download.

Deixo-vos com as tradicionais versões A, C e D, e acrescento mais uma (a versão B). Se tiverem alguma versão de calendário escolar que queiram partilhar, é só indicarem o link nos comentários, que eu acrescento à lista abaixo.

É só escolherem...

- Opção A (excel) (fonte: "Economia e Finanças");

- Opção B (pdf) (fonte: Agrupamento de Escolas de Soure);

- Opção C (pdf) (fonte: "O Cantinho do Primeiro Ciclo");

- Opção D (doc) (fonte: "O Cantinho do Primeiro Ciclo").