sábado, 18 de novembro de 2017

Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual


O Conselho da Europa  instituiu o dia 18 de Novembro como o Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual. 

Na edição de 2017, o Conselho da Europa propõe que a celebração do Dia Europeu se centre no tema específico da "Proteção das crianças contra a exploração sexual e abuso sexual facilitado pelas tecnologias de informação e comunicação", atendendo à muito atual pertinência, vasta e rápida acessibilidade que em muito aumentam a exposição das crianças ao risco de sofrerem este tipo de abusos.

Nesse sentido, aqui fica um video que podem - e devem - utilizar nas aulas para divulgar a mensagem. Para aceder ao mesmo, basta carregar na imagem acima.


Coisas que se leem por aí..

E depois de inúmeros esclarecimentos, não sei o que me deixa mais atônita: se a recusa das escolas em pagar o devido, se a letargia e conformismo de que padecem (ainda) alguns professores...



Quem valoriza os professores?

O problema que está na ordem do dia - progressão - não é, infelizmente, o único que afeta negativamente o processo ensino-aprendizagem. 

Um  artigo de opinião interessante, que transcrevo integralmente.

"Os professores não são uma classe apreciada. Os alunos não estimam quem os ensina e os pais pouca importância atribuem àqueles que conduzem, ao longo dos anos, a educação dos seus filhos. Os governantes também não lhes prestam muita atenção. Nem os partidos políticos. No espaço mediático, são regularmente notícia pelas greves que promovem. E nunca são parte do país que é chamado a dizer o que pensa sobre o rumo de uma sociedade que todos os dias ajudam a construir, a partir das suas escolas.

Talvez sejam excessivas as atuais exigências dos professores para um Orçamento do Estado que procura equilibrar a despesa pública. Na verdade, todos sabem que os ministérios da Educação e, sobretudo, o das Finanças não terão muita margem de manobra para ir satisfazendo imposições de aumentos salariais, mas também ninguém ignora que o Governo não quererá afrontar, nesta altura, os sindicatos. Por isso, esta fase será adequada para negociações que conduzam a algumas cedências. Todavia, o problema de fundo continua por resolver: a dignificação da carreira docente. Que não passa apenas por atualizações remuneratórias.

Ser hoje professor é desgastante. Antes de se fixarem numa determinada escola, os docentes fazem um extenuante e repetitivo périplo pelo país real, com consequências nefastas para a qualidade do ensino. Quem está de passagem por uma escola não investe em projetos de médio prazo. Todos sabem isso. Normalmente, são os estabelecimentos de ensino periféricos que integram um corpo docente mais flutuante, ou seja, as instituições que recebem alunos com carências económicas e socioculturais mais expressivas são aquelas onde os professores menos anos aí permanecem, sendo, portanto, difícil construírem planos pedagógicos sólidos. Eis como se acentuam os desequilíbrios a partir de idades muito precoces.

Não se pense, porém, que as escolas com uma equipa estável estão imunes a problemas. Não estão. O envelhecimento dos professores carrega em si a dificuldade de saber ensinar conteúdos mais consistentes com um tempo em que tudo muda muito depressa. Vamos a um exemplo. Todos nós estamos conscientes de que é fulcral dotar os mais novos de ferramentas de leitura crítica dos média. E isso deve ser um trabalho da escola. Quem estará, pois, habilitado para promover essa literacia dentro da sala de aula? Para discutir aquilo que é noticiado pelos jornais, transmitido pela rádio e TV e veiculado pelo universo digital, particularmente pelas redes sociais, é preciso, pelo menos, conhecer como funcionam esses universos, de que modo se constroem aí os conteúdos e qual o respetivo impacto ao nível do consumo... Alguém ensinou isso aos professores? Convém lembrar que ninguém ensina (bem) aquilo que não sabe...

Falemos agora das perceções sociais que hoje são construídas à volta dos docentes. Outrora olhada com deferência, esta classe é agora desvalorizada pelos alunos e seus pais. Dentro da sala de aula, é frequente haver graves problemas de disciplina que colocam em causa o ensino-aprendizagem que é suposto promover. Em vez de preencherem o tempo com as matérias fixadas por um programa curricular, muitos professores gastam parte do período letivo a pedir à turma para não ter conversas paralelas, para não enviar SMS, para não consultar o WhatsApp ou, simplesmente, para não se mostrar apática em relação a uma dinâmica que, muitas vezes, é apenas criada pelo docente. É desolador tamanho desinteresse. Em casa, os pais também não se constituem como uma contracorrente a este tipo de comportamento. E isso ainda é mais preocupante.

Por estes dias, Governo, partidos políticos e sindicatos da educação vão centrar o seu discurso na progressão (ou não) dos professores com base na contagem de todo o tempo de serviço prestado nos últimos anos de congelamento das carreiras. Convém não esquecer que debatemos aqui uma parte daquilo que consome a classe docente, porque o problema de fundo está ainda por discutir: a qualidade do ensino-aprendizagem e a valorização dos professores. Nisto ainda ninguém se meteu a sério."

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Para limpar os ouvidos...

...do péssimo jornalismo a que tive oportunidade de assistir, ontem, em diversos meios de comunicação social. Tão mau, que me recuso a divulgá-lo ou criticá-lo.

Música de "AGIR" (Tema: Minha Flor)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Da hipocrisia política


Comentário: Os partidos políticos não deviam ter reagido, mas sim agido no sentido de combater uma situação de discriminação negativa a que a nossa classe tem sido sujeita... Não fosse a greve e a sua expressividade, continuariam a estar calados.

A situação (quase) exclusiva de não contabilização de tempo de serviço obtida durante o "congelamento" já é conhecida há umas boas semanas. Se não somos nós, professores, a lutar pelos nossos direitos e pela justiça em relação à restante função pública, estaríamos bem tramados.

Em dia de greve...

...Santana Castilho e a sua habitual assertividade.


"Na Assembleia da República, a 2 do corrente mês, António Costa disse que para a progressão na carreira dos professores conta simplesmente o tempo e que o mérito não é considerado. Por ignorância ou má-fé, António Costa mentiu. E para comprovar o que escrevo, qualquer cidadão pode ler o decreto-regulamentar 26/2012 e verificar quão deplorável foi o topete do primeiro-ministro. Com efeito, a avaliação do desempenho dos professores, a que todos estão sujeitos, mede a sua competência científico-pedagógica, a sua actividade na escola e na comunidade e o seu percurso em termos de formação contínua (25 horas de formação mínima por cada dois anos de carreira); envolve vários órgãos de gestão interna e elementos externos; termina com uma classificação de 1 a 10, posteriormente transformada numa menção qualitativa; uma menção qualitativa de “insuficiente” implica a não contagem do respectivo tempo de serviço para a progressão na carreira. O que António Costa fez, em termos práticos e mentindo, reitero, foi classificar com “insuficiente” os milhares de professores a quem subtraiu quase 10 anos de trabalho. 

Compreenderiam os professores que António Costa não lhes pudesse pagar o que ficou por pagar no período em que viram as suas vidas profissionais congeladas. Mas não compreendem a natureza discriminatória com que este malabarista da política agora os trata. O que disse não é sério. O que disse comprova, em definitivo, tudo o que tenho escrito sobre o modo como o PS de António Costa trata a Educação. Maria de Lurdes Rodrigues começou, perversamente, a destruir a carreira profissional dos docentes. Tiago Brandão Rodrigues, que prometeu lutar radicalmente por ela, fugiu depois pela porta de uma garagem. António Costa acaba de a fazer em cacos. Se outras não houvesse, esta era razão mais que suficiente para a greve que acontecerá no dia em que estas linhas vierem a lume e no dia em que os deputados discutirão o OE para a Educação. 

São sempre especulativas as teorias sobre a intencionalidade conspirativa das acções do Governo. Concedendo que se pode tratar de uma lamentável coincidência, não posso deixar de registar que tenha sido escolhida esta altura para tornar público um estudo oficial a exibir os maus resultados dos nossos alunos e, subliminarmente, a sugerir a deficiente qualidade do trabalho das escolas públicas e dos seus professores. Refiro-me a um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência sobre os resultados dos alunos do 3º ciclo, em 2014/15. A um documento desta natureza está vedado, por definição, o registo opinativo e o uso repetido de qualificativos impressivos. Mas neste é recorrente o uso do termo “impressionante” aposto a dados estatísticos que podem não “impressionar” quando relacionados com outros. Por exemplo, que significa dizer (pág. 5) que é impressionante que 85% dos retidos tenham negativa a cinco ou mais disciplinas, se nos escondem o número absoluto de que partem? Por exemplo, o próprio documento reconhece (pág. 3) que não é tecnicamente correcto, numa escala de níveis, usar a expressão “negativas” para designar a colocação dos alunos nos níveis 1 e 2. Mas é essa expressão que o estudo adopta e é depois escolhida, naturalmente, para os títulos que se seguiram na comunicação social. Não podendo aqui, por limitação de espaço, fundamentar com mais exemplos a implícita orientação da prosa que acompanha os dados para propalar a mensagem, nada inocente, de estarmos face a um desastre, resta a consolação de, na mesma altura, um outro estudo, vindo da Comissão Europeia, revelar que o número de alunos com maus resultados está a descer em Portugal, em contraciclo com o resto da Europa, onde esse número cresce. Impressionante, não? Impressionante que por cá se insinue que escolas e professores são medíocres e por lá se afirme que os resultados escolares são melhores que os do resto da Europa."

In Público de 15.11.17

Temos compromisso governamental na Comissão Parlamentar...


Comentário: De acordo com a notícia, a "Secretária de Estado Adjunta e da Educação acaba de garantir na comissão parlamentar que o Governo vai recuar na intenção de não contar quase 10 anos de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira". Aparentemente a solução "ainda terá de ser negociada com os sindicatos", mas poderá resultar num faseamento da consideração do tempo de serviço.

Atenção que este "faseamento" e a força dos sindicatos é consequência da nossa adesão à greve, como tal, se ainda estão em dúvida em aderir à greve, pensem nesta notícia.

A Greve nos meios de comunicação social


Comentário: Obviamente que ainda é muito cedo para concluir o que quer que seja, relativamente à adesão dos professores à greve que tem como objetivo ver repostos nove anos e meio de tempo de serviço para efeitos de progressão... 

Aguardemos para o fim do dia, para começarem a surgir números mais fidedignos.

Certo é que se os professores não se unirem agora e por este motivo, dificilmente o voltarão a fazer.