sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Voltamos ao mesmo...

Agressão a professora leva docentes da Escola do Cerco a apelar ao Governo 

Comentário: Bem podemos apelar ao Governo para que reforce a segurança nas escolas e de alguma forma dê instrumentos aos professores (e às escolas) para que atos de violência contra professores sejam punidos de forma mais célere. 

O problema reside no próprio Governo a quem pedimos auxílio... É este Governo (o os que lhe antecederam) que colocou a autoridade do corpo docente na "lama", numa espécie de grau zero da dignidade onde alguns encarregados de educação e alunos se acham no direito (e às vezes parece-me que até o encaram como dever) de bater nos professores quando as regras não lhes agradam.

Infelizmente são estas mesmas regras que lhes permitem continuar a agredir, e simultaneamente a usufruir de benefícios que são pagos por aqueles que são agredidos. Não culpo a justiça portuguesa, mas sim os políticos que nada fazem para que estas situações sejam definitivamente erradicadas. 

Da realidade...

Quatro dias e sete escolas: a história de um pesadelo com um final feliz 

Comentário: Será uma de centenas de situações que certamente estarão a acontecer como consequência de uma Bolsa de Contratação de Escola erradamente anunciada como resultado de um mecanismo central... Se o mecanismo fosse central e baseado na graduação profissional não teríamos tantas colocações simultâneas, tantas indecisões e tanto prejuízo (para os professores, para os alunos e para os encarregados de educação).  

Da falta de esclarecimentos ministeriais...

MEC não soube responder a questões de ordem técnica, nem quis responder às de decisão política 

Comentário: A FENPROF reuniu ontem com o MEC e aquilo que conseguiu obter ao nível de esclarecimentos relativos aos concursos de professores é equivalente a "quase nada". Transcrevo (com cortes na "publicidade" sindical) algumas das informações que me parecem mais relevantes, com negritos e sublinhados da minha autoria.

Assim,

a) Em relação aos subscritérios de legalidade duvidosa adotados nos concursos para constituição das bolsas de contratação de escola (BCE), os responsáveis do MEC nada disseram. (...);

b) Sobre os requisitos que estão a ser utilizados para a chamada “oferta de escola”, foram destacados alguns que parecem destinados a garantir determinada colocação, tendo o MEC assumido que todas as situações em relação às quais fossem apresentadas queixas, seriam devidamente analisadas. (...);

c) Sobre a comissão criada para decidir das indemnizações devidas aos docentes prejudicados pelos erros verificados na BCE 1, os responsáveis ministeriais limitaram-se a confirmar o nome do Juiz Jubilado Sotero Barros para a sua presidência. Quanto a prazos, constituição da comissão ou outros aspetos relacionados com o seu funcionamento, o MEC adiou para data próxima qualquer informação. (...);

d) Problema que surgiu entretanto, após as colocações das RR2 e RR3, foi que há docentes da RR2 cuja contagem de tempo de serviço se inicia apenas em 29 de setembro, data de apresentação na escola, enquanto colegas seus colocados na RR3 (10 de outubro) têm o seu tempo de serviço reportado a 1 de setembro. Para evitar ainda mais injustiças, para além de todas as que estão a abater-se sobre os professores, as organizações sindicais propuseram ao MEC que todos os docentes colocados até ao final do 1.º período letivo tenham o seu tempo de serviço contado a 1 de setembro. (...);

e) Outros aspetos relacionados com as colocações de docentes e que foram remetidos para a reunião com a DGAE são: a) as permutas entre docentes contratados já deveriam ter sido realizadas, mas até hoje isso não aconteceu. Quanto mais tarde esta situação for resolvida, mais perturbadora do funcionamento das escolas ela se tornará; b) a mobilidade de docentes por doença continua adiada para muitos dos requerentes. (...) Os sindicatos propuseram que esta situação seja rapidamente resolvida, acrescentando ainda a necessidade de os docentes recentemente integrados nos quadros, por via do concurso externo extraordinário, poderem igualmente ser abrangidos, sempre que se confirme a necessidade; c) continuam a desconhecer-se os termos da dispensa do período probatório por parte dos docentes que este ano integraram os quadros de zona pedagógica. Propondo que se mantenham as normas do ano anterior, as organizações consideraram urgente a publicação do necessário despacho;

f) Sobre a PACC e a exclusão de docentes por não a terem realizado, a única resposta dos responsáveis do MEC foi que estavam a ser analisadas as situações. (...) Acresce que mesmo os docentes que justificaram a impossibilidade de realização da PACC (doença, internamento hospitalar, licença, não realização da prova na escola em que deveriam realizá-la…) foram excluídos, o que já mereceu reparo por parte da Provedoria de Justiça. Entretanto, já depois da reunião, chegou ao conhecimento das organizações sindicais, que o TAF de Leiria decretou provisoriamente uma providência cautelar de um docente excluído, o que impõe a sua integração nas listas e, se tiver direito, a sua colocação;

g) Quanto à compensação de aulas perdidas por alunos cujos professores foram colocados tardiamente, o MEC apenas informou estar a analisar as propostas das escolas para decidir sobre a necessidade de disponibilizar recursos. (...);

Resumindo... Nesta reunião não se esclareceu rigorosamente nada! Aliás, apenas foi possível confirmar que a incompetência permanece e aparenta estar a ser reforçada.

E sabemos que "bateu no fundo"...

...quando temos humoristas como o Nilton a fazer este tipo de "brincadeiras"!

Enfim.

Bom dia...

Música dos "OneRepublic" - (Tema: I Lived)

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Um desconforto planeado...

Ministério assume “desconforto” com “erro lamentável” na colocação de professores 

Comentário: Por mais voltas que o MEC tente dar ao "texto" mais tenho a certeza que estas asneiras na Bolsa de Contratação de Escola servem o propósito da descentralização das colocações num futuro bem próximo. Um mês de atraso foi suficiente para que emergissem os defensores de colocações de professores similares àquelas que se registam em organizações dependentes de partidos políticos ou cuja influência dos mesmos é suficientemente forte para garantir emprego.

Não sei se algum dia passaremos à fase de "contratação por cor ou cunha" (sim... também pode ser por competência, mas depois é tudo metido no mesmo saco), mas por aquilo que se pode constatar nas contratações de escola, teremos todos os ingredientes para avolumar injustiças.

Da constatação...

Mais uma de muitas agressões

Professora agredida numa escola onde dezenas de pais acorreram devido a falso caso de ébola 

Comentário: Quando me deparo com um caso de agressão a um colega de profissão, e tenho oportunidade de ler qual a situação que conduziu a tal infeliz desfecho, não consigo deixar de pensar que algo similar me poderia ter acontecido, até porque algumas das regras que os colegas agredidos tentam implementar, são as mesmas que eu tento implementar.

Relativamente à situação da não apresentação de queixa por parte da docente... Bem... Embora compreenda o que possa estar na base de tal decisão, não me parece nada boa ideia. Até porque, à partida estaremos a falar de um crime semi-público, e sem queixa, nada feito. Bem sei que o medo é um bom ingrediente para a sobrevivência, mas existem limites. E um dos limites será o da nossa dignidade enquanto pessoais, mas acima de tudo enquanto docentes.

Ainda faltaria comentar as declarações do representante dos encarregados de educação, mas ultimamente o meu tempo é demasiado escasso para o perder com idiotices menores.