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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Talvez leve...


Comentário: A descentralização de competências para as autarquias poderia implicar algo de profundamente positivo, não fosse Portugal um país de reduzidas dimensões (e cada vez que me lembro da tentativa de divisão deste pequeno retângulo em regões "autónomas" até me dá vontade de rir) e a gestão local um meio de promoção, manutenção e acréscimo de votos. 

Não auguro nada de bom para este reforço de poder... 

Desagrada-me saber que a minha colocação numa determinada escola, poderá depender mais da minha filiação partidária do que da minha graduação profissional ou até mesmo da minha competência profissional.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O reforço da partidarização na educação...


Comentário: Acho que passada quase uma década do início da partidarização da escola pública, ninguém terá dúvidas que só falta mesmo a gestão direta do pessoal docente para termos um "pleno". Por aquilo que tenho visto, nas diversas escolas por onde passei nestes últimos anos, é absolutamente visível a influência negativa da "pegada" partidária local, no funcionamento da escola, nas relações entre os diversos intervenientes e, (obviamente) nas escolhas que se fazem ao nível das "aquisições" ou "eleições".

Embora gostasse que o atual modelo de gestão das escolas fosse diferente (isto é, não suportado por um Conselho Geral "contaminado" por influências partidárias), cada vez mais considero que o retorno a um passado recente é um fenómeno cada vez mais complicado de acontecer. É que por mais que não queira admitir, se os professores (na sua maioria) estiveram adormecidos no que à negociação do diploma dos concursos dizia respeito, a questão da mudança no modelo de gestão escolar é algo para o qual nem sequer estão minimamente motivados. E infelizmente a relação entre ambos é tão grande, que quando acordarem para o tema será tarde demais... 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Toda a escolaridade obrigatória sob alçada dos municípios a partir de 2018?!


Comentário: De acordo com a notícia, será criado um fundo para assegurar a transferência de competências na educação para os municípios (aparentemente já em 2018), e que deverá envolver ainda os edifícios escolares. Neste "bolo" estará ainda incluído o pessoal não docente, as atividades de enriquecimento curricular, as refeições e os transportes escolares. Os professores, esses, continuarão sob a alçada do Ministério da Educação, assim como a definição de currículos.

Não tenho grandes dúvidas que a municipalização da educação (ou como costumo dizer, "partidarização" da educação) é um objetivo transversal a quase todos os partidos políticos, na medida em que, os empregos locais (ou a sua promessa) são um excelente promotor de votos. E quem está na escola pública sabe o que a municipalização da educação tem (des)feito em termos qualitativos. Basta pensar no que acontece em termos de "eleição" de Diretores e composição de Conselhos Gerais... 

Mas a surpresa está mesmo no facto do atual Governo deixar (de forma tão escancarada) que a municipalização avance enquanto ainda está submetido às vontades do PCP e BE...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

De leitura recomendada...

Porque os professores estão contra a municipalização?

Comentário: Continuo a considerar que a maioria dos professores despreza a temática da partidarização da educação e quando finalmente lhe der a atenção que merece, poderá ser tarde demais. 

A "municipalização" da educação é um tema que me preocupa imenso e que a ser realmente implementada poderá ser uma tremenda machadada na (atualmente débil) democracia... Se acham que o panorama centralizado em termos de colocações e concursos de professores é negro, e que as "bolsas" de contratação de escola são permeáveis a cunhas, com a partidarização local da educação receio bem que tudo seja pior. Bem... Não será pior para aqueles que de alguma forma estejam envolvidos numa máquina partidária, mas não seremos a maioria a estar nessa situação nem porventura aqueles com maior graduação profissional e mais números de anos a lecionar.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Da fome de poder...

Municipalização já tem três contratos assinados, Fenprof anuncia ações em tribunal

Comentário: Para já são três os municípios onde a vontade de partidarizar as escolas parece ser incontrolável. A saber: Matosinhos, Oliveira de Azeméis e Oeiras. 

Julgo que a solução para este delegar de competências do central para o local não irá residir nas providências cautelares, mas sim nas próximas eleições legislativas. As providências cautelares poderão colocar em pausa uma situação que se prevê com a duração de 4 anos, mas não a irão erradicar. Conhecer as propostas dos restantes partidos é importantíssimo, tendo nós - professores - consciência que a implementação da partidarização irá fragilizar ainda mais a nossa situação profissional, com a exceção daqueles que têm cunhas nas autarquias.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Eu nem por isso...

Plataforma Sindical espera milhares de professores em manifestação

Comentário: Até pode ser que realmente ocorra uma manifestação de professores com números (minimamente) expressivos, no entanto, uma iniciativa deste tipo, neste época e onde um dos temas é a partidarização da educação, parece-me destinada a um sucesso menor (para não escrever "fracasso"). É que aliado ao cansaço dos docentes e ao descrédito dos sindicatos de professores, temos um tema (o da partidarização da educação) que me parece de extrema relevância, mas ao qual a maioria dos meus colegas atribui (quase) nula preocupação.

Espero estar enganado... Mesmo!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Os resultados da votação

Mais de 43 mil professores votaram contra a "municipalização da Educação"

Comentário: O resultado da votação relativa à partidarização da educação era perfeitamente expectável, e todos sabiam que o "não" iria ser esmagador. No entanto, ficam os números para mais tarde recordar:

- 50 000 votantes; 
- 97,5% votaram contra (43.437 docentes);
- 1,7% votaram a favor;
- 0,57% votaram em branco;
- 0,16% de votos nulos. 

Mais do que uma mera questão de gestão

“As escolas deviam ter maior papel na gestão dos seus professores”

Comentário: A linha de pensamento de Nuno Crato baseada em "mais autonomia, mais concorrência entre modelos diferentes de escola pública" deixa-me preocupado, nomeadamente no que concerne a "mais autonomia na contratação de professores e na gestão orçamental". Na entrevista do atual ministro da educação ao "Económico" fica bem clara a apologia da partidarização da escola pública, bem na linha delineada pelo "seu" partido.

Poucos terão dúvidas que a partidarização da educação significará um acréscimo de "cunhas" e influências locais. Os atuais (e futuros) gestores da escola pública não estão preparados para a verdadeira autonomia... E mesmo quem pense estar, irá constatar que a "teia" política é bastante complicada de romper.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Do expectável...

SEGUNDO DIA DE CONSULTA SOBRE A MUNICIPALIZAÇÃO REGISTA, DE NOVO, GRANDE ADESÃO DOS PROFESSORES

Comentário: Seria de esperar uma grande adesão por parte da nossa classe, no que concerne à manifestação de opinião acerca da partidarização agressiva da educação. Expectável também que o "não" à partidarização seja expressivo. Deste modo, apenas consigo encarar esta iniciativa não como uma confirmação do expectável, mas sim como algo que possa de alguma forma ser utilizado para divulgação nos diversos meios de comunicação...

Interessante também a escalada de "picardia" sindical, facilmente constatável na frase: 

Nota: negrito de minha autoria.

"Como tal, as organizações sindicais representativas dos docentes uniram esforços e levaram por diante um processo que, como é notório, merece uma grande adesão dos professores, o que é muito importante".

terça-feira, 2 de junho de 2015

Parece inacreditável...

...mas aparentemente existem colegas que não sabem que estamos perante uma iniciativa estatal de partidarização das escolas (ou se quiserem, municipalização das escolas), e que parecem ignorar os malefícios para a "saúde" se tal realmente ocorrer.

Eu sei que nesta altura andamos cansados, irritados e com pouca paciência, mas... caramba... ignorar a mais preocupante medida de influência partidária nos rumos da educação e que irá alterar radicalmente tudo o que conhecemos em termos de escola pública parece-me demasiado! Até para mim que sou excessivamente tolerante com a distração.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Iniciativa sindical...

Embora os sindicatos de professores e os professores não tenham qualquer poder de decisão na recente avalanche de reforço de partidarização (opps... municipalização) e de transferência do poder da cunha (peço desculpa, de competências) considero que a iniciativa tem alguma relevância, pois poderá demonstrar o nosso desagrado para com esta iniciativa.

Bem... Existe dentro da nossa classe quem esfregue as mãos com tal transferência, mas acredito que não seja o caso da maioria dos professores.

Fica assim a imagem e o texto que explica (os negritos e sublinhados são de minha autoria) a iniciativa da plataforma sindical, que não conta com a tradicional exceção que negoceia exceções, de uma forma pouco excecional.


"Nos dias 2, 3 e 4 de junho, ou seja, já na próxima semana, professores e educadores de todo o país irão pronunciar-se sobre a municipalização. Através de voto secreto, a depositar em urna, os docentes serão chamados a responder "Sim" ou "Não" à pergunta: "Concorda com a municipalização da Educação?".

As oito organizações que compõem a plataforma sindical constituída para este efeito esperam uma grande participação dos professores e uma resposta muito clara da sua parte quanto à delegação de competências que, através de contrato, o governo pretende acordar com os municípios.Em algumas escolas e agrupamentos de concelhos, onde o processo tem estado a avançar, os professores já realizaram idênticas consultas, pretendendo-se, agora, alargar a possibilidade de os docentes se pronunciarem sobre esta matéria a todo o território nacional, embora, sem incluir, por enquanto, as regiões autónomas, uma vez que este processo de municipalização não abrange aqueles territórios. 

A posição que os professores irão manifestar terá duas leituras: uma nacional, permitindo apurar o que pensa o conjunto dos docentes sobre a municipalização da Educação; outra de âmbito local, quer municipal, quer de escola/agrupamento, ajudando os responsáveis autárquicos, bem como os conselhos gerais das respetivas escolas e agrupamentos, a perceber a posição do respetivo corpo docente. 

 É, por isso, muito importante esta consulta, pois permitirá dar voz a um dos principais atores do processo de educação e ensino, mostrando ao governo e ao país a palavra que têm a dizer!"

Fonte: FENPROF

terça-feira, 19 de maio de 2015

O futuro da escola pública?

Professores contra entrega das escolas às câmaras

Comentário: Entregar as escolas nas mãos das Câmaras Municipais não é algo que me deixe descansado... O poder político local é bastante mais permeável à "cunha" e ao "compadrio" que o poder central, e todos sabemos que atualmente muitas das escolas (nomeadamente as do interior) são "geridas" por diretores que, de uma forma ou de outra, devem a sua manutenção (ou eleição) à filiação ou "vassalagem" ao poder autárquico. Quem não o faz ou deixa de o fazer, não terá grande futuro na escola a médio prazo.

No entanto, e com esta nova fase de municipalização (e certamente, privatização) do ensino, a gestão das escolas permitirá às Câmaras Municipais novas linhas de "fidelização" à causa (ou cor partidária), porque surgem novas oportunidades de "negócio", mais votos e... consequentemente... mais anos do mesmo. E o mesmo não tem de ser necessariamente pior, mas nunca vamos saber.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

De leitura recomendada

Municipalização da educação: quietinhos, não respirem, já está! 

Comentário: Para quem ainda não compreendeu aquilo que pode vir a acontecer (e tenho poucas dúvidas que não aconteça) em termos de municipalização da educação, recomendo a leitura deste artigo de opinião de Santana Castilho. E se ficaram preocupados, aviso desde já que ainda estamos longe de conhecermos as reais intenções governamentais. 

Da transferência...

Transferência da Educação para as câmaras gera preocupação e indignação 

Comentário: Admito estar seriamente preocupado com este acréscimo de partidarização da educação... Se em muitas escolas já se assiste a um claro e (quase) absoluto poder autárquico, julgo que com este "reforço" tudo tenderá a piorar. 

Dentro em breve conheceremos em maior pormenor qual a real extensão da influência partidária nos agrupamentos de escolas. 

E pensar que apenas estamos no início, só me deixa mais apreensivo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A municipalização da educação em decreto

Foi hoje publicado em Diário da República, o Decreto-Lei n.º 30/2015 de 12 de fevereiro relativo "regime de delegação de competências nos municípios e entidades intermunicipais no domínio de funções sociais, em desenvolvimento do regime jurídico da transferência de competências do Estado para as autarquias locais e para as entidades intermunicipais".

Pela sua relevância, transcrevo a parte deste normativo legal relativo à educação:

"No domínio da educação, no que se refere ao ensino básico e secundário, são delegáveis nos órgãos dos municípios e das entidades intermunicipais as seguintes competências: 

a) No âmbito da gestão escolar e das práticas educativas: 
i) Definição do plano estratégico educativo municipal ou intermunicipal, da rede escolar e da oferta educativa e formativa; 
ii) Gestão do calendário escolar;
iii) Gestão dos processos de matrículas e de colocação dos alunos; 
iv) Gestão da orientação escolar; 
v) Decisão sobre recursos apresentados na sequência de instauração de processo disciplinar a alunos e de aplicação de sanção de transferência de estabelecimento de ensino; 
vi) Gestão dos processos de ação social escolar; 

b) No âmbito da gestão curricular e pedagógica: 
i) Definição de normas e critérios para o estabelecimento das ofertas educativas e formativas, e respetiva distribuição, e para os protocolos a estabelecer na formação em contexto de trabalho; 
ii) Definição de componentes curriculares de base local, em articulação com as escolas; 
iii) Definição de dispositivos de promoção do sucesso escolar e de estratégias de apoio aos alunos, em colabora- ção com as escolas; 

c) No âmbito da gestão dos recursos humanos: 
i) Recrutamento, gestão, alocação, formação e avaliação do desempenho do pessoal não docente; 
ii) Recrutamento de pessoal para projetos específicos de base local;

d) A gestão orçamental e de recursos financeiros; 

e) No âmbito da gestão de equipamentos e infraestruturas do ensino básico e secundário: 
i) Construção, requalificação, manutenção e conservação das infraestruturas escolares; 
ii) Seleção, aquisição e gestão de equipamentos escolares, mobiliário, economato e material de pedagógico.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Um funcionário por cada 48 alunos

Escolas vão ter mais pessoal não docente 

Comentário: O rácio de um funcionário por cada 48 alunos parece pouco, mas é um ligeiro upgrade ao que temos atualmente... E o que temos atualmente em algumas escolas são professores a concretizar tarefas que ultrapassam a imaginação da maioria. 

Embora tenha alguns exemplos pessoais que poderia fornecer (mas que julgo não serem relevantes, até porque não sou de ficar parado à espera do que quer que seja), admito nunca ter chegado ao caso limite de servir sandes no bar da escola, para os alunos não ficarem sem comer durante toda a manhã.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Segunda fase da partidarização das escolas

COMUNICADO DO CONSELHO DE MINISTROS DE 15 DE JANEIRO DE 2015 

Comentário: E neste comunicado pode ler-se que o "Conselho de Ministros aprovou o regime de delegação de competências nos municípios e entidades intermunicipais no domínio das funções sociais da educação, saúde, segurança social e cultura". 

Começa a 2.ª fase da "partidarização" da educação... Se com os Conselhos Gerais já muito se perdeu nas escolas, agora com o reforço de competências estou certo que o ambiente nas escolas oscilará ainda mais entre a disputa pelo poder (pelos afiliados às diversas maquinas partidárias) e o silêncio forçado para "salvar a pele".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Enfim...

Municipais - Professores dos quadros têm prioridade para lecionar disciplinas 

Comentário: Esta "novidade" consta da clausula 20.ª da última versão da Minuta Contrato de Educação e Formação Municipal (aqui) e apenas servirá para "adoçar as bocas sindicais" e eventualmente alguns colegas mais distraídos. Independentemente do que acontecer em termos de negociação, não vejo a municipalização da educação com bons olhos (muito pelo contrário) e receio o acréscimo da influência partidária nos destinos da escola pública.

Ainda a municipalização da educação...

O Paulo Guinote (aqui) disponibilizou três documentos que me parecem relevantes, para quem (como eu) está seriamente preocupado com o reforço de influência política na educação. Para acederem aos mesmos, cliquem nos links abaixo:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

É bem mais do que isso...

Ministro acusado de ser “peso morto” na municipalização das escolas 

Comentário: A FENPROF classifica Nuno Crato como "peso morto" no que concerne à temática da municipalização das escolas... Em parte tenho de concordar, mas já há muito que deixei de acreditar na "inocência" do atual ministro, ou (como alguns já referiram) na incapacidade de se opor a uma máquina ministerial (ou melhor, partidária) que tritura qualquer tentativa de mudança para melhor.