quinta-feira, 29 de abril de 2010

Petição para reduzir o número de alunos por turma.

Lançada petição para reduzir número de alunos por turma.

Comentário: Isto sim é uma daquelas iniciativas que considero realmente relevantes. A autoria desta petição é do "Movimento Escola Pública" e espero sinceramente que consiga recolher um número bem elevado de assinaturas (bem maior que as 4000 necessárias para levar este tema à Assembleia da República).

Existe sempre quem avance com o acréscimo do número de docentes que seria necessário para que esta medida pudesse ser realmente implementada (e como tal, o acréscimo da despesa pública), no entanto, creio que esta medida é bem mais necessária em termos de futuro que algumas daquelas denominadas "grandes obras públicas". Uma questão de rumo, digo eu. Apostamos em ferro, betão e alcatrão ou na educação da geração futura? Humm... É dificil, eu sei. Principalmente se tivermos interesses na "Mota-Engil".

Deus e o Diabo.

No Correio da Manhã a 29/04/2010: "A Fenprof marcou para segunda-feira, às 11h00, uma concentração de professores em frente à residência oficial do primeiro-ministro. Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, responsabiliza José Sócrates pela consideração da avaliação no concurso de professores.

"Vamos deixar de falar com os anjos e falar com Deusse é que Deus não fica ofendido com a comparação", afirmou, anunciando que vai pedir uma audiência ao Presidente da República, Cavaco Silva, e ao grupo parlamentar do PS. A estrutura sindical vai ainda apresentar esta semana queixa na Procuradoria-Geral da República: "Considerar a avaliação nos concursos é legal mas desencadeia um conjunto de ilegalidades que proporcionalmente são mais gravosas e justificam uma iniciativa legal de suspensão."

Ver Artigo Completo (Correio da Manhã)

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Comentário: Estranha comparação... Comparar Sócrates e a equipa ministerial da educação a anjos e o nosso Presidente da República a Deus é por oposição, e analogia, comparar os sindicalistas a demónios e Maria Nogueira ao Diabo. Peço desculpa pela relação aqui feita, mas foi o que me veio imediatamente "à cabeça" quando li este artigo do CM.

Relativamente à concentração de professores, marcada para a próxima 2.ª feira, será previsivelmente (e perdoem-me os puritanos da opinião única e da união arquitectada) fraca. Primeiro porque não tem existido uma correcção de estratégia em termos sindicais (continuam a persisitir nas mesmas técnicas, nas mesmas declarações e no mesmo não esclarecimento - ou esclarecimento dúbio - do que ocorreu na famosa e famigerada maratona negocial) e em segundo, porque a esmagadora maioria dos docentes ainda não vê este problema da consideração da avaliação na graduação, como seu (algo que apenas irá ocorrer lá para os inícios de 2011).

Quanto à queixa na Procuradoria-Geral... Bem... Já disse tudo o que tinha a dizer. Não irá dar em nada, pois estamos perante um cenário de legalidade que defende em toda a linha o Ministério da Educação. Que não é justa a consideração da avaliação, segundo o modelo (ainda actual) de avaliação "engendrado" por Maria de Lurdes Rodrigues, na ponderação da graduação já nós sabemos, mas "abater" esse injustiça para este concurso já será outro tema.
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terça-feira, 27 de abril de 2010

"Entrevista" com Isabel Alçada (DN).

No Diário de Notícias a 27/04/2010: "Desde o 25 de Abril que o Ministério da Educação é dominado por ministros homens. Com Maria de Lurdes Rodrigues iniciou-se um ciclo feminino de pólos opostos na actuação, pois Isabel Alçada parece interessada em diminuir tensões entre os vários parceiros do sector. Após um primeiro acordo e uma primeira crise, a ministra comenta a situação.

(...)
Porque é que os sindicatos se sentiram surpreendidos com a manutenção do modelo de avaliação?

A isso não posso responder-lhe porque, na verdade, nunca dissemos que a avaliação não ia contar. Até porque tivemos mais de cem mil professores que entregaram a avaliação; nas escolas houve um trabalho consistente e houve muito investimento por parte das pessoas.

Mas os sindicatos pareceram surpreendidos?

Pois, a isso eu não sei responder.

Foi uma rasteira do ministério?...

Nem por sombras!

Deixe-me acabar a pergunta…

Nunca na minha vida preguei rasteiras a ninguém, nem nunca o farei.

Então foi uma falta de atenção por parte dos sindicatos?

Não sei! É verdade que sempre falaram na possibilidade de isso acontecer. Nós, nas reuniões com os sindicatos, vimos as propostas e depois negociámos alguns pontos. Ouvimos, registámos que era essa a posição mas nunca dissemos que isso ia acontecer.

E agora, usando a palavra deles, partem para a guerra. Está criado um cenário de contestação e de crise?

É preciso entender que este concurso tem uma dimensão restrita. O que acontece é que achámos que não era legítimo não cumprir a lei.

Que os sindicatos achavam que estava suspensa.

Fomos muito claros quanto a isso: a lei não estava suspensa. O que agora solicitaram foi que alterássemos a lei, mas dissemos sempre que não íamos fazer alterações retrospectivas, apenas uma alteração prospectiva para não desrespeitar o investimento e o trabalho de muitos professores que foram avaliados com Muito Bom e Excelente. Senão, os que não se submeteram à avaliação seriam beneficiados pela infracção.
(...)
A Fenprof avançou com as providências cautelares. Vão ter efeito?

Não me parece que a linguagem de ameaça, de conflito, de guerra resolva! É a posição deles, nós vamos continuar a trabalhar com serenidade e ver os efeitos do nosso trabalho, e vejamos os efeitos da posição dos sindicatos.

Que recorreram ao Parlamento para tentar impedir a avaliação por decreto.

Vi isso na imprensa e até já pedi à minha chefe de gabinete para ligar para a Assembleia para agendarmos a nossa ida.
(...)
Já esteve na mesma mesa com o Mário Nogueira?

Sim, com certeza.

Acha que ele acredita na sua perspectiva de diálogo?

Espero que sim, mas eu não gosto de atribuir intenções aos outros. Fazer juízos de intenção é um erro não só na política como na vida. Aceito aquilo que me dizem como o que as pessoas querem fazer e estão a pensar, sempre fui assim e continuarei. Eu própria faço isso! Se a pessoa tem alguma intenção escondida que não me está a dizer, o tempo o dirá. Mas eu nunca tenho.
(...)
O próximo 1.º de Maio vai ser um teste ao Ministério da Educação?

Não, nunca vejo as coisas como testes, porque observo o processo com alguma distância. Quanto à manifestação das pessoas, tomo-a em consideração sem dúvida. Mas não são testes, não é braço-de-ferro.

Nos últimos anos o ministério tem fechado os olhos às manifestações de rua. Também o vai fazer?

Não estou a antecipar uma situação destas. Temos um acordo com os sindicatos e propostas que sinto que as escolas e as famílias estão a aceitar.

Os sindicatos dizem que esta questão da avaliação é por ordem do primeiro-ministro. É verdade?

Não, apesar de haver uma sintonia muito grande no Governo. Mas as coisas são analisadas e em relação a este ponto posso dizer que é da minha total convicção o que estou a propor. Eu trabalho sempre assim. E nesta actividade é uma responsabilidade tão grande que uma pessoa tem diariamente de ou está muito convicta ou então é preferível não estar à frente de um ministério. É um trabalho de uma natureza exigentíssima e não pode haver inconsistência.
(...)
Entre as várias mudanças que propõe está mudar as disciplinas de História e Geografia de anuais para semestrais. Tendo em conta que foi professora de História e de Geografia, não lhe custa fazer isso?

Não me custa nada! A ideia que temos, sobretudo no terceiro ciclo, é que há muitas disciplinas. Se perguntar a um aluno quantas disciplinas tem, ele não consegue responder. Se perguntar a um pai, também não o consegue e, às vezes, os próprios professores não sabem bem quantas são. É uma proposta que está sobre a mesa mas que nem sequer foi regulamentada. Temos 22 escolas que têm contrato de autonomia, algumas já fizeram esse trabalho e consideram que foi muito benéfico porque os jovens concentram a sua aprendizagem. Muitas vezes estamos agarrados a soluções julgando que são as únicas soluções, mas há sempre vários caminhos para tudo.(...)"

Ver Artigo Completo (Diário de Notícias)

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Comentário: Aconselho a leitura integral da entrevista... O registo é bastante diferente de Maria de Lurdes Reis Rodrigues, no entanto, não será necessariamente melhor. Apenas diferente, eventualmente mais doce e de mais fácil leitura.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Para relaxar...

Gosto particularmente desta música. Espero que apreciem. Até amanhã.

Música de "Laura Izibor" - (Tema: Shine).

Mais vale tarde...

No Diário Digital a 26/04/2010: "O Governo reconhece que as provas de recuperação, realizadas pelos alunos que ultrapassam os limites de faltas, são uma "sobrecarga de trabalho" para os professores, "sem que se vislumbre um impacto" na melhoria das aprendizagens e no sucesso escolar.

"[...] o regime da prova de recuperação tem comportado, para os professores, uma sobrecarga de trabalho, sem que se vislumbre um impacto desse esforço na melhoria das aprendizagens e no sucesso escolar dos alunos [...]", lê-se na proposta de lei do Governo de alteração ao Estatuto do Aluno.

Na exposição de motivos, prossegue o Executivo, considera-se que aquele procedimento, introduzido pela anterior ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, constitui "razão de desmotivação", "prejudicando o exercício das funções docentes".

A proposta de lei, a que a Lusa teve acesso, foi aprovada na quinta feira em conselho de ministros e a sua discussão na Assembleia da República estava marcada para quarta feira, mas acabou por ser cancelada devido à greve dos funcionários parlamentares.

As alterações agora propostas ao diploma são justificadas com a necessidade de "aperfeiçoamento", tendo em conta "a experiência entretanto decorrida", segundo a exposição de motivos."

Ver Artigo Completo (Diário Digital)

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Comentário: Espero que o Ministério da Educação tenha aproveitado a "experiência entretanto decorrida" para o novo Estatuto da Carreira Docente e para o novo modelo de avaliação do desempenho. Se (e aqui é um "se", pois não conheço os documentos aprovados no Conselho de Ministros) mantiveram aquilo que constava das últimas propostas digo-vos que ainda não aproveitaram em pleno "a experiência entretanto decorrida", pois mantiveram muito do "processo", mudando apenas uma ou outra designação, acrescentando aqui e tirando acolá e colocando filtros que não existiam em substituição de outros que desapareceram. Saldo final da alteração? É positivo? É negativo? Atrevo-me a pensar que poderá ser qualquer das opções... Depende.
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domingo, 25 de abril de 2010

Bom dia a todos...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Palavras leva-as o vento.

No sítio da TVI24 a 23/04/2010: "O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou esta sexta-feira a «incapacidade do Governo» para compreender «como é injusto e perverso» considerar a avaliação de desempenho no concurso de docentes e alertou que «a teimosia retira lucidez».

«Não está em causa, neste concurso, ser a favor ou contra o que se considere a avaliação. Em confronto estão o bom senso e a teimosia», afirmou Mário Nogueira, na sessão de abertura do 10.º Congresso Nacional dos Professores, que arrancou ao final da manhã em Montemor-o-Novo (Évora).
(...)
Segundo Mário Nogueira, na campanha eleitoral das últimas legislativas, os responsáveis do PS tiveram «uma clara alteração de discurso» no que respeita aos professores, «com arrependimentos tornados públicos».

«Mas bastaram alguns, poucos meses, para que fossem aprovados o Orçamento de Estado para 2010 e o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) até 2013» para que o Executivo de José Sócrates alterasse a sua postura.

Ou mesmo, realçou, para que «a senhora ministra da Educação tenha ontem [quinta-feira] afirmado que, em reunião nenhuma, a Fenprof ou outro sindicato» colocaram «a questão da avaliação nos concursos como algo que tinha que ser alterado».

«Senhora ministra, já que é uma pessoa conhecida da juventude, que escreve para os jovens, não dê maus exemplos. Não minta que é feio», ironizou o responsável.

Na abertura dos trabalhos, o secretário-geral da Fenprof considerou ainda «uma grande vitória» as alterações ao Estatuto da Carreira Docente, aprovadas na quinta-feira pelo Governo e que determinam o fim da divisão da carreira em professores e professores titulares."

Ver Artigo Completo (TVI24)

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Comentário: Não digo que Mário Nogueira não fale verdade quando acusa Isabel Alçada de mentir. Todas as indicações que tenho vão nesse exacto sentido. No entanto, se não consta do acordo de Janeiro ou de uma qualquer acta feita nesse dia, as afirmações de Nogueira têm tanto valor como um grão de areia na praia. Dito de outra forma, quase todos nós já chegámos à conclusão que os sindicatos que assinaram o acordo confiaram na palavra da equipa ministerial. Fizeram mal? Pois fizeram... E agora? E agora os sindicatos devem tratar de não cair pela terceira vez em ratoeiras. É que o queijo até pode ser do bom, mas caramba, a união dos docentes não pode ser desperdiçada mais nenhuma vez. Vamos ver se "isto" se compõe e começamos a encarrilhar novamente para uma nova luta, mas espero que desta vez, e na eventualidade de surgir nova oportunidade negocial se deixem de maratonas ou de tratados apalavrados.
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Expectável.

PS não aceita votação de diploma para retirar avaliação de concursos.

Comentário: Obviamente que não iria aceitar... E posso estar errado, mas pelo menos um partido (que não o PS) deve estar a "bufar" de alívio com esta recusa.