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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Na expectativa...

 
Comentário: Os cursos vocacionais (a par dos profissionais) tal como funcionam atualmente devem mesmo ser repensados... Mas não eliminados! E porquê? Em primeiro lugar, e se quisermos ser virtuosos, nem todos os alunos quererão prosseguir com estudos, optando por uma via que lhes permita um contacto mais prático com a realidade laboral. E assim seria, se realmente fosse este o caminho destes cursos... Não o é, e nós sabemos que não.

Em segundo lugar, e penso que numa perspetiva menos hipócrita (e política), a realidade é que o aumento da escolaridade obrigatória acrescentou problemas que antes não existiam (ou eram menores) e as escolas viram nestas alternativas de percurso, uma solução para esse problema. Bem sei que não o deveriam fazer, mas é indesmentível que tal ocorreu.

Deste modo, creio que é importante aproveitar o que de melhor se fez até aqui, e eventualmente reformular em algo que realmente funcione e que não sirva apenas como incubadora de indisciplina e de estatísticas de sucesso.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Francamente incompreensível...

Professores não acreditam que os alunos do ensino vocacional regressem ao regular

Comentário: Li o artigo cujo link coloquei acima com alguma atenção e admito ter ficado surpreendido com o seu conteúdo, pois algumas conclusões contrastam radicalmente com a minha experiência nesta tipologia de cursos. Como não gosto de ler resumos e sim consultar a fonte, lá fui ao sítio virtual da DGE (aqui) e deparei-me com o estudo em causa. É um relatório extenso, mas julgo que quem costuma lecionar vocacionais (como eu) irá "apreciar" algumas inverdades que por lá constam

Deste modo, e se estiverem interessados em analisar o relatório final desta comissão (publicado em julho passado), deixo-vos com o link respetivo (cliquem na imagem abaixo).



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Depende da qualidade, pois os chineses não são parvos...

Este curso vocacional pode dar um emprego no futuro

Comentário: De acordo com a notícia, o MEC de Nuno Crato terá assinado com a EDP "um protocolo de alargamento do curso vocacional em redes elétricas", sendo que esta empresa irá "necessitar de substituir 2.000 pessoas nos próximos cinco anos". 

Bem sei que existem escolas que levam os cursos vocacionais e profissionais a sério, no entanto, por aquilo que sei não será essa a realidade nacional... A realidade é que esta tipologia de cursos foi feita para que  alunos com interesses divergentes dos escolares consigam concretizar a escolaridade obrigatória, sem grandes dificuldades, sem grande exigência e se possível com quase nenhum esforço. 

Bem sei que a EDP agora é chinesa, e que a China nos habituou a produtos / serviços sem grande qualidade (que também os há de qualidade e produzidos na China, no entanto, estão sempre associados a "marcas" de relevo), mas tenho algumas dificuldade em considerar a integração em quadros da EDP (ou de outra empresa qualquer) de algumas tipologias de alunos de vocacional / profissional com que já tive oportunidade de conhecer e trabalhar (nomeadamente em termos de estágios). 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

É perfeitamente natural...

Número de alunos em cursos vocacionais 'dispara' 

Comentário: Compreende-se que o número de alunos nesta tipologia de cursos tenha aumentado, acima de tudo porque esta tipologia de "cursos" permite uma conclusão assegurada do 3.º ciclo (ou secundário) sem qualquer esforço ou investimento. Temos assim um sucesso estatístico interessante, a manutenção "educativa" de alunos com interesses divergentes dos escolares e uma prática simulada que supostamente permitirá algo mais no futuro.

Enfim...

Traduzindo: mantêm-se alunos eventualmente desmotivados, desinteressados, por vezes agressivos, mal-educados (ou não educados de todo) ou apáticos dentro de uma sala de aula, conseguindo que de alguma forma tenham sucesso (e todos sabemos que algum desse sucesso é essencialmente ao nível do "engenho" docente) e onde os docentes desempenham funções mais próximas das recreativas (caso contrário, enlouquecem ou esquecem qual a sua verdadeira "missão"). Tudo o resto, é publicidade enganosa ou convicções fomentadas a "combustível partidário" ou de ambição em algo mais dentro da hierarquia escolar.

Obviamente que deverão existir situações de real sucesso, mas dos vários contactos que tenho por esse país fora (e são mesmo muitos) não conheço nenhuma. Como tal, e tendo como base a minha experiência e aquilo que me vai chegando, posso concluir que o que está realmente a "disparar" é o fomento à ignorância das futuras gerações.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Limpeza estatística... certamente!

Cursos vocacionais. Combater insucesso ou "limpar" estatísticas? 

Comentário: A minha experiência com cursos vocacionais é substancialmente menor do que com todas as restantes tipologias de cursos profissionais, no entanto, julgo já conhecer o suficiente para ter uma opinião. Por norma, quando chego a uma escola sou agraciado com estes cursos... E impreterivelmente tenho sempre o mesmo tipo de alunos, com melhores ou piores condições (nomeadamente ao nível de equipamentos, instalações e formação em contexto de trabalho) mas quase sempre o mesmo resultado: "sucesso". E dizem-me que não pode ser de outra forma!

Atrevo-me a dizer que só mesmo um aluno que falte muito (muito, muito, muito...) corre o risco (que é infinitamente reduzido porque existem "planos" de recuperação para todos os gostos) de não sair diplomado.

E bem sei que este tipo de cursos permite manter (ou mesmo aumentar) horários de professores e algo mais (em termos de financiamento), mas fico sempre a pensar qual o custo em termos de formação das futuras gerações que este tipo de "falso" sucesso permite atingir. 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Alargamento dos cursos vocacionais...

ALARGAMENTO DOS CURSOS VOCACIONAIS NO ENSINO BÁSICO E SECUNDÁRIO 

Comentário: Quem me lê sabe perfeitamente a opinião "robusta" que tenho dos ensino vocacionais, profissionais e afins... Regra geral, não me "estico" muito nos comentários a este tipologia de ensino "anti-trauma" (dos "chumbos"...), pois ao fazê-lo estaria essencialmente a agredir alguém que se encontra em coma, mas que como é figura pública os gestores do hospital insistem em afirmar e confirmar a sua excelente saúde e vitalidade.

No entanto, existem pérolas que por serem tão artificiais, não resisto a publicitar de forma absolutamente escancarada:

Nota: negritos de minha autoria.

"Esta oferta tem vindo a mostrar-se determinante na execução dos objetivos traçados pelo Governo no cumprimento efetivo da escolaridade obrigatória. Tem contribuído para a redução do abandono escolar e para desenvolvimento de novos conhecimentos e capacidades, para uma melhor preparação dos alunos, tendo em vista a sua integração no mercado de trabalho ou o prosseguimento de estudos."

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

E novidades?

Ensino vocacional descarta interesses dos alunos 

Comentário: Esta conclusão da Ordem dos Psicólogos e da Associação Nacional de Escolas Profissionais não será surpresa para ninguém que esteja numa escola onde existam cursos vocacionais (consultem a lista aqui). Por norma, e a par do que já acontece nos cursos profissionais, esta tipologia de cursos existe com o objetivo fundamental de facilitar a conclusão de ciclos de escolaridade a uma determinada tipologia de alunos e assim, melhorar as estatísticas nacionais.

A propósito, a par de uma avaliação em termos de "vocação" julgo que seria bastante relevante fazer algum tipo de estudo relativo à empregabilidade (efetiva) dos múltiplos cursos profissionais, escola a escola. Se nada for feito neste sentido, estou certo que iremos cair nos mesmos problemas de alguns cursos de ensino superior, que não obstante de já não terem qualquer hipótese de empregabilidade continuam a abrir vagas.