terça-feira, 17 de outubro de 2017

Episódios do dia a dia...

À medida que vou envelhecendo, cada vez mais dou por mim a apreciar a interação entre colegas de profissão... E nestes últimos dias constatei o (aparente) prazer com que um colega (o "castigador") atormenta outro (o "castigado"), com questões sistemáticas sobre o seu desempenho num determinado cargo, lembrando de forma sistemática que em anos letivos anteriores é que funcionava bem.

O "castigado" lá se vai justificando... E quanto mais se justifica, mas o "castigador" se engrandece, parecendo mesmo que se coloca em bicos de pés. Podem achar que estou a exagerar, mas não... A linguagem não verbal do "castigador" é inequívoca, e o aumento do volume da sua voz também.

Já me apeteceu intervir por diversas vezes... Intervir no sentido de importunar o "castigador", dando-lhe a provar um pouco do seu próprio veneno... Mas... Não consigo! Não porque não queira, mas porque neste último ano, adquiri alguns conhecimentos novos e desenvolvi uma série de competências, que me permitem viver melhor no mundo que me rodeia. O problema é que nestas situações de bullying, acabo por passar demasiado tempo a "digerir" a situação, e quando dou por mim, já o capítulo de agressão terminou.

Enfim.

Maldito curso de Coaching... Acho que dei cabo da minha costela "transmontana". Saudades de quando resolvia tudo à "chapada" (mesmo que verbal). Eh eh eh.

A tal classe privilegiada...


Comentário: A questão da não consideração do "período pinguim" para efeitos de progressão poderia (e deveria) ser um motivo para a união dos professores, no sentido de pressionar o Governo para uma solução menos penalizadora. 

Mas não... 


Quem tem Facebook, consegue encontrar com facilidade colegas resignados com esta situação e, pior, colegas que embora não defendam, remetem para a inevitabilidade da não consideração do tempo de serviço.


Pois bem, estamos a falar de 9 anos e meio, apagados... Isto é, os professores devem aceitar que os intervalos de tempo entre 31 de agosto de 2005 a 31 de dezembro de 2007 e desde 1 de janeiro de 2011 até 31 de dezembro de 2017, são mesmo para esquecer! Se isto não for fundamento catalisador para maiores iniciativas sindicais e para o regresso dos professores à luta, então não sei o que mais será necessário. 

A regra é cortar...


Comentário: Parece que o atual Governo tentou esconder um corte no orçamento para a Educação, com o anúncio de um aumento de 150 milhões de euros... Não parece muito lógico, nem sequer razoável, mas é assim a política portuguesa. O raciocínio, esse, é o que abaixo transcrevo. Pode não fazer sentido, mas dizem-me que no ano passado também assim foi.

"(...) A diferença está na forma como o Executivo trata e divulga os dados. O governo compara os valores que são inicialmente estimados, ignorando o que realmente é gasto. Ou seja, para o Executivo, o valor tido em referência é o valor que estimou gastar em 2017, excluindo todos os acréscimos e reforços que foi tendo ao longo do ano (o executado). 


É a segunda vez consecutiva que o Executivo usa esta estratégia para dizer que há um reforço no investimento da Educação, quando na realidade o que existe é uma redução."


Que não digam que o que lhes falta em honestidade, lhes sobra em criatividade!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Comunicado DGEsTE | Encerramento de Escolas


Hoje, por Trás-os-Montes, e à semelhança do que -lamentavelmente - se tem verificado por todo o país, o ar tem sido irrespirável.

Nesse sentido, no site da DGEsTE (aqui) pode ler-se o  comunicado que transcrevo abaixo. Oxalá o dia de amanhã nos traga alguma chuva. Que ano negro!



Na sequência dos incêndios, o Ministério da Educação informa que, pelo menos, duas dezenas de Agrupamentos de Escolas encontram-se encerrados, por inviabilidade de funcionamento ou por estarem a servir de centros de acolhimento às populações.


Região Norte
Agrupamento de Escolas de Alijó
Agrupamento de Escolas de Castelo da Paiva
Agrupamento de Escolas de Couto Mineiro do Pejão, Castelo de Paiva
Agrupamento de Escolas de Moimenta
Agrupamento de Escolas de Monção
Agrupamento de Escolas de Murça

Região Centro
Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal
Agrupamento de Escolas de Fornos de Algodres
Agrupamento de Escolas de Gouveia
Agrupamento de Escolas de Mira
Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades
Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital
Agrupamento de Escolas de Penacova
Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul
Agrupamento de Escolas de Tábua
Agrupamento de Escolas de Tondela Cândido de Figueiredo
Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro
Agrupamento de Escolas de Vagos
Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, Marinha Grande
Agrupamento de Escolas de Vouzela e Campia
Agrupamento de Escolas Henrique Sommer, Maceira, Leiria
Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente
Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos

Maria Manuela Pastor Faria

Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Mais do mesmo...


Comentário: Todos os que lêem este blogue há alguns anos, sabem que sou contra os concursos extraordinários (pelo menos, nos moldes em que têm sido concretizados, nomeadamente com a utilização de critérios - aparentemente - aleatórios), porque não obstante de reporem algum justiça, geram injustiças nuns casos e ampliam-nas em outros. O melhor mesmo seriam concursos ordinários, com apuramento real de vagas e onde todos fossem a jogo... Estas entradas aos "bochechos" causam-me confusão.

No entanto, a fórmula parece agradar a Governos, partidos e (alguns) sindicatos... Vai daí, repetem-se anualmente vinculações extraordinárias, com vagas exclusivas para alguns e com outros que se encontram vedados de a elas concorrer, por falta de sorte no tempo de serviço.

Para perceberem melhor o que poderá acontecer, o melhor mesmo é lerem o excerto da notícia que coloco abaixo:

Nota: negritos e sublinhados de minha autoria.

"Tal será feito, disse a bloquista Joana Mortágua, através de uma norma travão que determinará que serão três, em vez de quatro, os contratos necessários para os docentes serem vinculados (estes contratos continuam a ter de ser sucessivos, anuais e completos); e que eliminará a regra de terem de ser no mesmo grupo de recrutamento. Para além destas alterações, haverá uma nova vinculação extraordinária

As duas primeiras regras da norma travão permitirão vincular 1200 professores, caso contrário seriam apenas cerca de 400. E não são "uma alteração extraordinária", permanecerão na lei, garantiu a deputada: "Foi uma alteração estrutural à lei que facilita a vinculação de professores para o futuro." Já a abertura de um novo processo de vinculação extraordinária permitirá vincular os restantes 2400."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Está para próximo o pré-aviso de greve "fofinha"


Comentário: Recordo a todos que o pré-aviso de greve que a FENPROF vai entregar na próxima quinta-feira, é relativa a uma tipologia de greve que visa apenas as atividades desenvolvidas "diretamente com aluno" e que esteja "inscrita na componente não letiva". 

Bem sei que a (des)união docente não ajuda à formulação de iniciativas de maior impacto, mas também seria interessante que colocassem no tabuleiro estratégico a forte rejeição que os professores sentem por tudo o que seja proveniente de alguns "eternos" sindicalistas. 

Sempre defendi que seria bem mais interessante "conquistar" as atuais estruturas sindicais (de modo a promover a necessária renovação de liderança), do que criar novas (ou uma nova... sim, também podemos meter uma ordem profissional nesse "saco"), mas já me disseram que isso demora muitos anos, e que também é facto assumido que muitos colegas (mesmo aqueles que vão com vontade de "mudar" para melhor) acabam por ceder aos seus próprios interesses (em substituição dos interesses da classe).

E quando não são injustiças, são ilegalidades


Comentário: Este "erro" de cálculo no apuramento de vagas de quadro já havia sido referido em maio (aqui), e parece que só agora (com mais fontes de informação, entretanto divulgadas) parece provado. Falta o Ministério da Educação assumir o erro (podemos - obviamente - esperar deitados), mas como estamos à porta de negociações para novos concursos de professores, devem empurrar com a barriga para a frente e (eventualmente) juntar tudo.

Se quiserem saber um pouco mais, o melhor mesmo é acederem à página de FENPROF. Fica a tabela de apuramento destes "erros" (furtada do sítio virtual da FENPROF), para mais tarde recordar.


Um descongelamento lento... muito lento.


Comentário: Dificilmente seríamos exceção pela positiva... Não creio que alguém na nossa classe profissional, estivesse à espera de um "descongelamento" em moldes diferentes daqueles que estão a ser anunciados. 

As propostas da FENPROF até podem ir no sentido de atenuar o "mal", mas sem uma ação firme (uma greve "fofinha" à componente não letiva, não me parece suficiente), até podem ser mais ambiciosos, que os resultados serão... nenhuns! Mas como é sempre bom ler, fica o excerto da notícia:

"(...) É por ter noção do impacto orçamental de todo o tempo de serviço que a Fenprof não exige que estes sete anos de trabalho sejam totalmente e imediatamente considerados. Mário Nogueira explicou ao Negócios que o que quer é negociar a recuperação faseada desse tempo de serviço. "Nós não admitimos nenhum faseamento para o descongelamento. O que admitimos é negociar uma forma faseada de recuperação do tempo de serviço", tal como já aconteceu em processos anteriores. 

Além disso, a Fenprof exige a publicação de portarias que desbloqueiem progressões anteriores a 2011 e o reconhecimento do tempo de serviço dos professores ex-contratados (por vezes décadas) e que entraram na carreira depois de 2009 sem que o tempo de serviço anterior tenha sido considerado."