sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Do teatro negocial...


Comentário: Ainda não consegui encontrar alguém que conheça um pouco da tradição negocial entre os sindicatos e os sucessivos Ministérios da Educação, que tenha demonstrado grande surpresa com as propostas "radicais" (aqui) que a atual equipa ministerial apresentou, no que aos concursos e à vinculação de professores contratados diz respeito. 

É regra apresentar uma primeira proposta extremamente má.

E não é por acaso... Nem sequer é para chatear os professores ou os senhores sindicalistas. A ideia é sempre ampliar a margem negocial, ameaçar com o "pior possível", permitir o anúncio de recuos por parte dos sindicatos, para no final se atingir algo intermédio. É por estas e por outras que nem me dou ao trabalho de espremer muito mais esta primeira proposta (já o fiz ali e acolá), pois o que me interessa mesmo são as que surgem a partir de agora.

Então... Mas... Como?


Comentário: Bem... Estaremos nós perante um Governo esquizofrénico, eventualmente bipolar, em que num dia (aqui) é fito que quer mas não pode e no outro, já se afirma disponibilidade?! Claro que se essa disponibilidade for com a tal situação dos 20 anos de tempo de serviço, o melhor mesmo é ficarem caladinhos porque é uma vergonha...

E ainda existem uns idiotas que persistem na ideia de que somos uns privilegiados! Somos é uns discriminados, que ao contrário de quase todos os outros, precisamos de muitos mais anos para "entrar" nos quadros.



Até consigo compreender...


Comentário: Concorri para a Madeira durante vários anos e nunca consegui lá "dar" aulas... Mas nos vários anos em que concorri, conheci vários casos de colegas menos graduados do que eu (e não... não era "ouvir falar", eram situações em que eu tinha os números de telemóveis de alguns) e que não sei muito bem como, mas conseguiram arranjar por lá trabalho... Sim... Volto a explicar: eu, mais graduado e do continente, não conseguia lá trabalhar e outros também do continente, menos graduados, conseguiram, nos anos em que para lá concorri.

Disseram-me para reclamar... Mas também me disseram que não ia dar em nada. E de facto, não deu.

Adiante.

Obviamente que quero acreditar que aquilo por que passei seja uma situação de exceção, mas não consigo ser completamente isento na análise à mesma. Que estamos perante uma discriminação, isso estamos e não pode acontecer. Que quem "facilitou" estas maravilhas de arranjar escola na Madeira devia levar "paulada", isso devia. Agora, generalizar isto e penalizar todos é que já não acho correto (para além de não ser constitucional)... No entanto, recordo que será importante que esta discriminação no continente, também tenha retorno em termos de concursos concretizados na Madeira.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

É porque não quer...


Comentário: Até pode não ter como vincular novos professores, mas o certo é que em outros ministérios e certas instituições públicas se arranja sempre verba para mais qualquer coisa (e não estamos a falar de "trocos"). Infelizmente não somos uma classe que interesse manter motivada ou sequer na legalidade, como tal, vão-se adiando resoluções e apontando dificuldades...

Embora alguns discordem do meu raciocínio, julgo que se nada de extraordinário acontecer com um governo suportado pelo PCP e BE, não o será quando tivermos mais do mesmo (isto é, PS ou PSD/CDS).

Também eu aceitaria...


Farto...

...de ver, ouvir e ler a resignação de alguns e as lamurias de outros tantos.

Mas que raios... Será que ainda não se aperceberam que desde que colocaram Maria de Lurdes Reis Rodrigues à frente dos nossos destinos, isto foi sempre a piorar?!

E não, não estamos melhor. Apenas estamos adormecidos. Precisamos de acordar, mas não é com desabafos (como este) ou com apontar os dedos, baixar os braços ou gritar pela contestação passada que se irá corrigir ou melhorar o que quer que seja. 

A solução teria de passar pela tentativa de acolher a diversidade docente sob um chapéu único, mas se nem conseguimos condensar mais de uma dezena de sindicatos em um único (novo ou já existente, mas com nova gestão), como é que alguém pretende que isto melhore? 


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Espremendo as propostas do Ministério (parte 2)

Dando sequência ao que já havia iniciado aqui...

Diploma dos concursos (continuação)

Tradução: na mobilidade interna, e tal como já havia acontecido no concurso interno são criadas novas prioridades, onde a grande novidade é a separação entre professores dos quadros de escola / agrupamento e dos quadro de zona.

Tradução: temos um acréscimo ao entendimento da abrangência do contrato de trabalho a termo resolutivo, surgindo uma redação com "incluindo período de férias". Também se reduz em um ano o limite de anos de sucessão de contratos e de renovações.

Obviamente que estamos perante uma primeira proposta, que tal como todas as primeiras propostas a que estamos habituados (e da autoria de outros Ministérios da Educação) são sempre propostas muito más, concretizadas e redigidas para que os sindicatos tenham uma noção do "pior possível" e para que fiquem felizes (ou menos descontentes) com as negociações ou, se quiserem, simulacros de negociação... Como já referi, se nada de francamente construtivo se conseguir com o atual Ministério da Educação em termos de diploma de concursos e vinculação extraordinária de professores, dificilmente o conseguiremos fazer com um governo que não tenha a atual base de apoio. Situação esta que, para mim, dificilmente se repetirá!

Espremendo as propostas do Ministério (parte 1)

...tenho de assumir que no fundamental temos uma "mão" com muito pouco. Aconselho a que façam a comparação da proposta ministerial de diploma para os concursos de professores, com o diploma legal atualmente em vigor. Quanto à proposta de portaria de vinculação extraordinária, basicamente se resume ao que coloco abaixo.

Vejamos:




Vinculação extraordinária:

Tradução: os requisitos para vinculação são nada mais nada menos que 20 anos de serviço letivo e 5 contratos consecutivos a termo resolutivo, no mesmo grupo de recrutamento, nos últimos 6 anos.



Diploma dos concursos:

Tradução: passamos de seis horas necessárias para manter um professor do quadro num determinada escola, para oito horas.

Tradução: independentemente do número de habilitações profissionais que um docente tenha, fica limitado a poder concorrer a apenas dois.

Tradução: a opção b deixa de ser "contratos de duração anual e contratos de duração temporária" para "contratos de duração temporária".


 
Tradução: passamos de duas prioridades para 5 prioridades, onde são distinguidos os professores dos quadros de escola/agrupamento, dos quadros de zona; e onde os docentes das ilhas também são colocados em prioridades diferentes.