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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Mais uma "via rápida" de acesso ao ensino superior para os alunos dos cursos profissionais...


Comentário: É, no essencial, o desvirtuar do objetivo da criação dos cursos profissionais... Se consultarem o sítio virtual da ANQEP (aqui), poderão ler que "os Cursos Profissionais são um dos percursos do nível secundário de educação, caracterizado por uma forte ligação com o mundo profissional. Tendo em conta o (...) perfil pessoal, a aprendizagem realizada nestes cursos valoriza o desenvolvimento de competências para o exercício de uma profissão, em articulação com o setor empresarial local".

Todos sabemos qual o foco governamental nesta medida, e ao ler que "deverão ser fixadas em 10% a 15% do total de vagas no concurso nacional de acesso", teremos aqui mais uma medida discriminatória em relação aos alunos dos cursos "regulares", que regra geral, obtêm classificações substancialmente inferiores àquelas obtidas nos cursos profissionais.

Sabendo desta nova "via rápida" (no essencial, uma ultrapassagem pela berma da direita) para os cursos superiores, é bom que todos nós (professores) comecemos a encarar os cursos profissionais de uma forma mais aproximada aos dos cursos "regulares", para que não sejamos intervenientes ativos nesta política de desigualdade.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Continuamos a forçar o "sucesso"


Comentário: E se dúvidas persistissem quanto à desvirtuação do ensino profissional, esta intenção de facilitar o acesso ao ensino superior dos alunos que o frequentam, elimina qualquer argumento em sentido contrário. Não obstante da péssima reputação dos cursos profissionais (que resulta em grande medida, do reencaminhamento de uma certa tipologia de perfil discente para este tipo de ensino), o facto é que o desenho dos mesmos se encontra direcionada (mesmo que em alguma situações, de direcionamento duvidoso) para uma inserção no mundo do trabalho, a curto prazo (ao contrário do ensino superior).

Ao longo dos últimos anos, tenho lecionado diversas disciplinas em vários cursos profissionais (aliás, como me dizem alguns amigos, eu já não sou professor... sou técnico. Eh eh eh), e nunca tive mais de três alunos, em cada turma, que afirmavam querer ingressar no ensino superior. Sempre lhes expliquei que o percurso profissional, não seria o mais adequado para esse objetivo, mas ao fim de algum tempo lá arranjavam um "preparador de exames". Se a proposta conhecida em setembro, for realmente implementada, e com as excelentes médias obtidas nos cursos profissionais, admito que essa média de alunos por turma poderá subir, não por "lembrança" súbita ou despertar para o ensino superior, mas sim por estratégia ou oportunismo.

Apenas para recordar, fica o excerto da proposta de alteração:

Nota: negritos e sublinhados de minha autoria.

"Também o Governo já propôs uma revisão das regras de acesso ao superior para estes alunos. No projecto que foi conhecido em Setembro, mas que ainda não foi aprovado em Conselho de Ministros, estipula-se que os estudantes do ensino profissional que pretendam prosseguir estudos no superior já não terão de fazer três exames, mas apenas um que funcionará só como prova de ingresso para o curso que escolherem. Deste modo não contará para o cálculo da classificação final do ensino secundário. Na fórmula de cálculo para o acesso a uma universidade ou politécnico a média final do secundário tem um peso de 50%. E a contribuição dos exames para esta média é relevante." 


sexta-feira, 10 de março de 2017

Não é preconceito... É a realidade!


Comentário: Acredito que existam exceções (como em tudo), no entanto, a realidade do nosso ensino profissional não é cativante... E nem é a questão do "coitadinho que não tem notas para mais e vai para o profissional" ou "é mau aluno tem de ir para um curso". 

Vai bem mais além do que isso. Aliás, esse nem é o problema de fundo.

Os nossos cursos profissionais até podem ter sido pensados com o objetivo de preparar para o desempenho de uma determinada profissão, mas ficamos por aqui. Na maioria das escolas, a intenção da preparação foi vertida para o facilitismo da conclusão, com o alto patrocínio dos sucessivos Ministérios da Educação, que assim conseguiam obter uma estatísticas de sucesso bem bonitas. 

E não tenho qualquer dúvida ao afirmar que estaremos a ser cínicos ao não admiti-lo. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

"Escolas profissionais serão financiadas por três anos"





(Fonte: Jornal de Notícias - 12/12/2016)

Comentário: Provavelmente estarei errado, mas "à primeira vista" só vejo vantagens neste financialmento trienal... No entanto, e por considerar esta medida como positiva, não consigo deixar de pensar que algo não "bate certo".

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ui...


Comentário: Bem... Não posso afirmar contentamento com este anúncio governamental, pois como está o ensino profissionalizante não funciona ou funciona muito mal. Obviamente que poderão existir exceções (pessoalmente não as conheço), mas esta via foi reduzida a uma determinada tipologia de alunos e com um nível de exigência que faz com que (nós, professores) estejamos mais próximos de animadores de eventos que de outra coisa qualquer.

Este sim, deveria ser um campo alvo de intervenção séria e pensada.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Da loucura neoliberal...

Procura no profissional é tanta que já há turmas cheias para cursos ainda por aprovar

Comentário: Infelizmente todos (professores) sabemos que este acréscimo de procura dos cursos profissionais (e vocacionais) não está relacionada com a qualidade desta tipologia de ensino, nem sequer com uma eventual maior probabilidade de empregabilidade a jusante. Este aumento de alunos deve-se em grande parte ao facto dos mesmos (e respetivos encarregados de educação) saberem que ingressarão numa tipologia de ensino onde o facilitismo impera, agressivamente pouco exigente e onde os únicos obstáculos à conclusão do curso serão mesmo uma tremenda (e excessiva... mesmo muito excessiva) falta de assiduidade ou um desinteresse com valores próximos dos 100%.

Para além disso, os alunos sabem que os professores estão instruídos para suportar maiores doses de indisciplina... E alguns Encarregados de Educação gostam disso, pois sabem que serão "importunados" menos vezes.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

AH AH AH

Conselho Europeu quer ensino profissional mais atraente

Comentário: Ensino profissional mais atraente?! Com a tipologia de alunos que por norma caracterizam o tecido desta turmas, tornar mais atraente esta tipologia de sucesso artificial só poderá passar por alguma operação "estética". Eventualmente critérios de seleção de professores(as) e técnicos(as)  que resultem de um maior peso dado à beleza, à capacidade de entretenimento ou à grande capacidade de suportarem indisciplina... e até mesmo uma ou outra lambada.

Agora a sério.

Em Portugal, o ensino profissional tem por objetivo albergar alunos que não querem nada com a escola (reparem que nem sequer escrevi "estudar") e que não estão preocupados com o seu futuro laboral. Obviamente que os professores não estarão isentos de culpas (alguns colegas insistem em utilizar as mesmas estratégias e recursos que no ensino regular), mas acabamos por ser forçados a cumprir com o objetivo de "aguentar os alunos" e (consequentemente) a cortar na formação de algo que poderia ser bastante interessante. O MEC sabe disso, mas o que realmente interessa são as estatísticas. E essas estão garantidas!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Em plena regressão...

Menos um exame para alunos do ensino profissional e artístico 

Comentário: Um dia destes passamos de meras reduções a simples eliminações. Parece-me que estamos perante o início da aplicação do "neo-facilitismo", que ganha sustentação no argumento do trauma, da ineficácia e da (aparente) falsa exigência. 

Pode ser que os defensores deste novo rumo para educação tenham razão, no entanto, após alguns anos de experiência no ensino profissional (e seus derivados) e de constatar os "benefícios" das passagens automáticas (mesmo que camufladas) não consigo aderir facilmente a este novo eduquês.