quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ano novo...

Embora o ano tenha mudado, os problemas na educação são os mesmos e é minha convicção que ainda se vão agravar com o fenómeno de âmbito nacional denominado "Avaliação dos Docentes"!

Não que tema pelo processo em si, pois se for justo e bem feito, até o considero valioso sob vários pontos de vista, no entanto, o meu receio reside na subjectividade e parcialidade que poderá estar implicita, se existir uma falta de rigor. Para além disso, poderão existir colegas que de uma forma ou de outra, tentem ter uma boa avaliação à custa de outros. Este fenómeno já ocorre em algumas (muitas, mesmo) escolas (a "eterna" desunião que caracteriza a nossa "classe"), mas existem fortes probabilidades de que se agrave.

Quanto a este Governo e ao Ministério da Educação, independentemente das muitas críticas que sejam feitas, não me parece plausível a mudança na cadeira do ministério, pois esta ministra é do total agrado do nosso primeiro ministro. Para além disso, com a falta de alternativa que existe no meio político, receio que nas próximas eleições, se o "Eng." Sócrates se candidatar novamente, quase de certeza será novamente eleito.

Relativamente aos sindicatos, não obstante a vontade de alguns tentarem fazer um bom trabalho (outros, apenas tentam segurar lugares que lhes permitem manterem-se afastados do ensino), vão ver sempre a sua actividade minada pela forma de trabalhar (ou se quiserem, de impor) do Ministério da Educação.

Já devem ter reparado que o "template" do blog foi alterado (se não se aperceberam ou são daltónicos ou extremamente distraídos). A alteração não se deveu a não gostar do anterior visual, mas sim à vontade de mudar. Espero que gostem...

Quanto ao blog em si e ao trabalho desenvolvido ao longo de mais de um ano: Mais de 178 000 visitas, uma sala de convívio sempre repleta de colegas com dúvidas e alguns comentários, permitem-me "ganhar" vontade para mais uns tempos. Enquanto estiverem desse lado, vou continuar a colocar notícias e a fazer comentários extremamente parciais e tendenciosos.

Continuem a ser os excelentes profissionais que são e a trabalhar para o vosso sucesso e para o dos alunos. Um bom ano de 2008 para todos, repletos de boas surpresas profissionais e pessoais. Comecem com o "pé direito"...

Até à próxima notícia...

Governo aposta na formação de professores.

No sítio da TSF a 08/01/2008: "O Governo quer que até ao final do próximo ano lectivo todas as crianças com necessidades educativas especiais encontrem respostas adequadas no sistema de ensino regular. O secretário de Estado da Educação anunciou ainda que vai ser feita uma aposta na formação dos professores da Educação Especial.

Numa conferência de imprensa para apresentar o diploma que consagra a reforma das necessidades educativas especiais, Valter Lemos assumiu aquele compromisso e anunciou um conjunto de novas medidas, com uma aposta na formação de professores da Educação Especial.
(...)
O Ministério da Educação (ME) definiu a partir deste ano lectivo uma rede de agrupamentos de referência para o ensino bilingue de alunos surdos, outra para alunos cegos e com baixa visão, e alargou o números de unidades especializadas em multideficiência e no apoio a alunos com perturbações do espectro autismo, espalhadas pelo país.
(...)
Nesse sentido, o Governo está a preparar um apoio social para estes estudantes, de forma a poder compensar o transporte e o eventual alojamento por via da deslocação.

«Estamos a identificar as crianças de forma rigorosa e a colocar os recursos para que as respostas educativas sejam o mais especializadas possível», afirmou Valter Lemos.

O governante anunciou, também, a realização nos próximos meses de um curso de formação em educação especial de 50 horas para 1.500 docentes em exercício nesta área, em colaboração com as universidades e politécnicos, e outro de 100 horas sobre Língua Gestual Portuguesa (LGP) como primeira língua no currículo dos alunos surdos, para 100 docentes de LGP.

A tutela vai ainda realizar duas acções de formação, para um total de 100 professores: uma sobre o ensino de Braille e outra dirigida às equipas de apoio à escola.

Outra das medidas anunciadas hoje prende-se com os cerca de 158 alunos cegos e 519 com baixa visão, que deverão receber um computador portátil com leitor de ecrã."

Ver Artigo Completo (TSF Online)

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Foi o Ministério da Educação que criou a enorme "trapalhada" na Educação Especial, colocando professores sem qualquer formação e deixando no desemprego imensos colegas com formação adequada. Agora vem anunciar medidas para corrigir o problema que ele próprio criou. Este método faz-me lembrar as empresas de anti-vírus que criam os vírus e depois vendem o software que os elimina. Não param de me surpreender...
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Programa da disciplina contradiz regras dos manuais escolares.

No "Sol" de 06/01/2008: "A Associação de Professores de Matemática considerou hoje contraditório que o Ministério da Educação tenha homologado um programa que organiza a disciplina por ciclos de vários anos ao mesmo tempo que permite manuais destinados a cada um dos anos de ensino.

O Programa da Matemática para o Ensino Básico, que deverá entrar em vigor a partir do ano lectivo 2009/10, organiza o ensino da disciplina por ciclos (primeiro ciclo do 1º ao 4º ano, segundo ciclo do 5º ao 6º e terceiro ciclo do 7º ao 9º) e não por anos.
(...)
Em declarações anteriores à Lusa também o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), Nuno Crato, tinha considerado que o programa agora homologado pelo Ministério da Educação é mais razoável que a versão preliminar, apesar de manter algumas críticas.

«Os erros mais gritantes do documento preliminar foram corrigidos», afirmou Nuno Crato à Lusa, considerando que apesar da melhoria verificada, se poderia ter avançado mais.

Nuno Crato mantém três críticas principais ao programa da matemática para o ensino básico, concretamente o facto de «não haver um roteiro preciso do conhecimento e capacidades que os alunos devem adquirir ano a ano nem um destaque claro para os algoritmos [método e anotação das diversas operações e processos de calcular] e uma insistência na máquina de calcular».

No caso da calculadora, o presidente da SPM considerou que o programa homologado «é mais comedido», na medida em que ficou realçada a importância do uso do aparelho «mas com restrições», ou seja, «não há uma apologia clara do seu uso».

No entanto, sublinhou, «essas limitações não são muito claras e isso é preocupante».

O Programa da Matemática do Ensino Básico homologado pelo secretário de Estado Valter Lemos e colocado online pelo ministério altera o programa da disciplina em vigor desde o início da década de 1990."

Ver Artigo Completo (Sol)

domingo, 6 de janeiro de 2008

Será que a vida já não tem importância?

Desculpem o teor um pouco "dark" da música, mas depois de ler a notícia relativa à morte de mais uma colega, o ânimo não dá para mais... É imperdoável o que nos andam a fazer!

Música dos "Metallica" (Tema: Nothing else matters).

Morreu a trabalhar.

No Correio da Manhã de 06/01/2008: "Dor e revolta marcaram ontem o funeral de Maria Cândida Pereira – a docente de Gouveia que sofria de cancro de pulmão e morreu sem que lhe fosse reduzida a componente lectiva.

Com 47 anos, divorciada e mãe de duas meninas, com 12 e 14 anos, a professora de Educação Visual e Tecnológica solicitou a redução da carga horária, mas nunca chegou a pedir a reforma por incapacidade porque a redução no salário não lhe permitiria sobreviver e sustentar a família. “Ela não tinha alternativa, com 60% do ordenado não conseguia viver, por isso, teve de se arrastar até à morte”, disse ao CM Paula Feliciano, também professora na Escola Básica 2/3 Ana de Castro Osório, em Mangualde, onde a vítima era docente há três anos.

Entre familiares, colegas e alunos, mais de uma centena de pessoas esteve ontem no último adeus à professora. “Ela é um exemplo de coragem pela forma como enfrentou a doença. É esse exemplo que fica para as filhas”, disse João Alves, presidente do conselho executivo da escola.

“É uma situação trágica. A legislação tem de ser alterada para o bem de todos. O trabalho dignifica as pessoas, mas a saúde também. E esta senhora merecia ter vivido os últimos dias em paz”, sublinhou o professor.

A docente pertencia a Midões (Coimbra), mas estava destacada em Mangualde porque tinha pedido aproximação à residência por motivos de saúde. Dava aulas a quatro turmas dos 5.º e 6.º anos. Esteve na escola pela última vez nas reuniões de avaliação de Natal, em Dezembro, e deveria regressar quinta-feira, dia em que morreu. Encontrava-se muito debilitada, sobretudo depois de uma operação onde lhe foram retirados dois terços de um pulmão.

Apesar de ter uma “grande força de vontade, havia dias em que metia dó”, disse Francisco Barata, professor de Educação Física e colega de Maria Cândida. “Ela fazia um grande sacrifício para dar aulas”, reforçou, acrescentando que também os alunos que acompanharam a fase terminal da doente se sentem “tristes e revoltados”: “Estão arrasados psicologicamente. É um grande choque para todos”.

Depois de uma missa de corpo presente na Igreja de S. Pedro, em Gouveia, o corpo de Maria Cândida foi sepultado no cemitério local.

ASSOCIAÇÃO QUER LEI ALTERADA

A Associação Sindical de Professores Pró-Ordem lamentou a morte de Maria Cândida Pereira e apelou ao Ministério da Educação para que altere a legislação por “uma questão de humanidade”. Em declarações à Lusa, Filipe Paulo, presidente da associação, considerou a lei “uma violência” e uma “desumanidade” para com os professores que têm doenças graves. O responsável lembrou ainda que “com a legislação anterior, mediante requerimento e prova médica, o Ministério autorizava a redução total ou parcial da componente lectiva”, o que permitia aos docentes dedicarem-se a tarefas mais leves, como estar na biblioteca da escola. Mas, segundo o dirigente, “com as alterações introduzidas, nem vale a pena fazer o pedido, porque não está prevista a redução da componente lectiva”. Afirmando que a Pró-Ordem está “revoltada com a legislação imposta”, Filipe Paulo apela ao Ministério da Educação que faça uma revisão da legislação em causa."

Ver Artigo Completo (Correio da Manhã)

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São inúmeras as notícias e múltiplos os relatos deste tipo de situações desumanas! Cada vez que me deparo com esta realidade, nem acredito que somos considerados um país civilizado. Não compreendo a falta de humanidade de quem obriga colegas a estarem a leccionar nas escolas em condições tão precárias de vida... Não compreendo mesmo... Mas também não consigo escrever o suficiente para expressar a minha profunda revolta.
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PSD quer interpelar ministra da Educação no Parlamento.

No sítio do Diário Digital a 05/01/2008: "O PSD vai interpelar terça-feira, no Parlamento, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para pedir esclarecimentos sobre o sistema que rege a elaboração dos manuais escolares, disse hoje à Agência Lusa fonte parlamentar social-democrata.

Segundo Pedro Duarte, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, a «má elaboração» dos manuais escolares são «mais um sinal negativo» do sistema de ensino em Portugal, que acaba por sair «prejudicado».

Pedro Duarte citou o caso divulgado pelo semanário Sol que, na sua edição de hoje, dá conta de um «estudo de fundo» sobre os manuais escolares, em que são apontadas «falhas», levando à conclusão de que a maioria dos livros de Língua Portuguesa do 4º ano «não contribui para que os alunos compreendem o que lêem».

O estudo, uma dissertação de mestrado de uma professora de uma escola secundária de Coimbra, que obteve a nota máxima, inclui a análise de 12 manuais que, no seu conjunto, reporta o jornal, foram adoptados em mais de 94 por cento das escolas do país.

Nesses livros, a falha maior passa pela «escassez» de propostas de actividades que levem os alunos a interpretar os textos e a identificar informação que não seja explícita.

Apontadas são também outras «falhas», como o número limitado de textos nos manuais, a pouca diversidade de género e a inexistência de um corpo de autores de referência a ser indicado pelo Ministério da Educação, a cujo gabinete da ministra o trabalho foi já enviado sob recomendação da Universidade de Coimbra.

«Vamos aproveitar a presença da ministra da Educação no Parlamento para lhe pedir esclarecimentos sobre o sistema que rege a elaboração dos manuais escolares», afirmou à Lusa Pedro Duarte, sublinhando que só conhece o estudo através da imprensa e que, por essa razão, irá pedir explicações a Maria de Lurdes Rodrigues.

Para o deputado «laranja», o que se passa com os manuais escolares é «mais um sinal negativo» dos «sintomas problemáticos no sistema de ensino» em Portugal.

Pedro Duarte criticou, por outro lado, o executivo de José Sócrates por não ter cumprido a promessa de criar um sistema de regulação para a elaboração dos manuais escolares."

Ver Artigo Completo (Diário Digital)

sábado, 5 de janeiro de 2008

Certificação de novos manuais arranca com disciplinas de Físico-Química e Ciências Naturais.

No Público de 04/01/2008: "O regime de avaliação e certificação de novos manuais escolares arranca com os livros das disciplinas de Físico-Química e Ciências Naturais do 9º ano a adoptar no período lectivo de 2008/2009, segundo um despacho hoje publicado.

O mesmo despacho marca o início da avaliação dos manuais já adoptados e em utilização das disciplinas de Língua Portuguesa e Estudo do Meio dos 3º e 4º anos, Físico-Química e Ciências Naturais dos 7º e 8º anos e Inglês, História e Geografia de todos os anos de escolaridade do 3º ciclo (7º,8º e 9º anos).

Quanto aos novos manuais, o despacho determina que os editores, que pretendam propor livros escolares para as disciplinas em causa, devem entregá-los até 31 de Março de 2008 à Direcção-Geral de Desenvolvimento e Inovação Curricular (DGDIC), devendo o processo de certificação ser concluído até 28 de Fevereiro de 2009.

Também até esta data deverá estar terminada a avaliação dos manuais já em utilização das disciplinas de Língua Portuguesa e Estudo do Meio dos 3º e 4º anos, Físico-Química e Ciências Naturais dos 7º e 8º anos.

No caso das disciplinas de Inglês, História e Geografia de todos os anos de escolaridade do 3º ciclo, a certificação dos manuais em uso deverá estar terminada até 28 de Fevereiro de 2010.

Processo só deverá ficar concluído em 2015/16

O despacho hoje publicado em Diário da República marca o arranque do regime de avaliação e certificação de manuais escolares que entra em vigor no ano lectivo de 2008/2009.

A avaliação e certificação dos manuais escolares começa em 2008, mas será aplicada progressivamente, à medida que forem adoptados os livros relativos a cada ano de escolaridade, um processo que só deverá ficar concluído em 2015/16.

Universidades, associações profissionais de professores, sociedades ou associações científicas são as entidades que vão avaliar e certificar os manuais em função de critérios como o rigor linguístico e científico, a conformidade com os programas, a qualidade pedagógica e didáctica, entre outros.

A lista dos manuais certificados e dos respectivos preços é divulgada pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), organismo do Ministério da Educação.

O processo de apreciação, selecção e adopção dos livros decorre durante quatro semanas, a partir da segunda semana do 3º período do ano lectivo anterior ao início da vigência dos manuais escolares."

Ver Artigo Completo (Público)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Política de Provacidade.

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