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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Eu também não sei e não percebo... E fico assustada...

Dia de teste: 
- Professora, quero entregar! 
- Ainda não acabei de distribuir os testes e tu já queres entregar o teu?! 
- Então, não sei nada! 
- Não sabes nada? Não tiveste aulas comigo? 
- Se a professora tivesse aulas de Chinês e lhe dessem agora um teste, saberia alguma coisa? 
- Se o teste tivesse a ver com as aulas, sim, com certeza! 
- Sim, sim... Deve ser... Não sei, professora! Posso entregar? 
- Não! Lê! E tenta responder às perguntas. 
- E se eu não souber? 
- Olha, escreve "Não sei" em Inglês! 
- Como é que se diz "Não sei" em Inglês? 
- "I don't know" 
- Diga lá professora! 
- "I don't know" 
- Sabe, mas não quer dizer! Diga lá!! 
- "Eu não sei" diz-se "I don't know"!!! 
- (Silêncio) Ah... Pois... 
Ao recolher os testes, no final, observo atentamente a folha do aluno e leio várias vezes: DOT NOW, DOT NOW, DOT NOW, DOT NOW, DOT NOW... De facto, não sabia... E não quer saber...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Esquizofrenia

- Ó professora, quem é a Joana Duarte?
- A Joana Duarte?! Não sei.
- Então, está sempre a falar nela?!
- Eu??!!
- Sim!
- Não pode ser. Desculpem-me, mas não estou a ver…
- Ó professora!
- Não conheço nenhuma Joana Duarte! Quando é que eu falei nela?
- Todos os dia!
- Impossível! Em que contexto?
- Então, quando nos manda calar, se lhe dizemos mais alguma coisa, a professora responde sempre: «E eu sou a Joana Duarte e ouço vozes!»
- Valha-me Deus!!! Joana d'Arc, caramba, Joana d'Arc!!!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Testes e correção de testes: As 10 perguntas que eu mais odeio...

1) Professora, já escrevi nas linhas todas, já não tenho espaço. Posso virar a folha e escrever atrás? 
- Não... Continua em cima da mesa, que eu vou levá-la comigo no final da aula. 
2) Posso ir à casa de banho? 
- Claro. Vem mesmo a calhar. Estava mesmo a apetecer-me fazer uma pausa aqui no “listening”. Vou tomar um cafezinho enquanto vais e vens. Mais alguém quer? 
3) Podemos ficar no intervalo para acabar o teste? 
- É uma questão de tolerância e coerência… Quando toca e falta uma frase para acabar a leitura de um texto, vocês ficam? Hoje, é igual. 
4) Só tenho 63 palavras, chega? 
- É um pouco longo para uma introdução, tenta não te dispersar muito agora. Se leres bem o enunciado, o pedido é entre 150 e 220 palavras. 
5) Descontou os erros ortográficos? 
- Claro que não! Limitei-me a sublinhá-los, bater com a cabeça na parede, chorar de desespero, espernear, mas não descontei. 
6) “Why are computer games or electronic games played by so many people? 
Yes, the persons hes played very games computer our electronic divert yourself and forgete thing the work and problems the life because dificulte.” 
Ó professora, pode chegar aqui? O que é que está mal na minha frase??!! 
(Suspirar, ganhar forças e pedir ao universo para que os outros alunos não se ponham em debandado nos próximos 15 minutos, enquanto tento explicar.) 
7) Então não dá pra perceber que é um “a” e não um “o”?! 
- Cloro! Dó pro perceber, dó! Folto só o perninho mos dó pro perceber… 
8) Mas com o acordo ortográfico, os meses já não se escrevem com maiúscula! Não é? 
(Suspirar… E esperar que um outro aluno grite: 
“Mas o acordo ortográfico não é pra Inglês! 
- Não?! 
- Não…” 
Suspirar de novo e afastar o pensamento “Até na minha disciplina, o “coiso” faz estragos!”) 
9) Então? Toda a gente faz isto! Vê-se nas canecas, nas T-shirts, nos postais, no Facebook! 
- Vou repetir: numa composição escrita para um professor, por mais ternurento que seja, substituir a palavra “love” por um coração não é uma opção! 
10) Tem os testes? 
- Espero bem que sim! Se alguém não mo entregou, tem zero! 
Mas já os viu? 
- Claro, fui eu que o fiz! 
Mas já os corrigiu? 
- Claro que sim! Só estou a tentar fugir à vossa pergunta porque adoro bate-bocas! Entrego-os na próxima aula… ou depois…

quinta-feira, 16 de março de 2017

Sim, também sou fisioterapeuta...

Deram-me, no início do ano letivo, uma turma com dois terços de alunos corcundas. Confesso que não foi fácil lidar com esta situação, tanto a nível profissional como do ponto de vista emocional. Por mais que uma pessoa queira, não consegue sair da sala de aula e não pensar mais no assunto. Como será a vida destes miúdos neste mundo sem piedade? Como fazer com que eles se integrem e sejam parte ativa no futuro? E se, apesar de tudo aquilo que se diz, houver algum risco de contágio? Será que os outros alunos estão seguros? Eram questões que me afligiam. 
Hoje, depois de escrever o sumário, olhei para todos eles e apercebi-me de que já não havia um único aluno corcunda na turma. Após seis meses de trabalho intenso, dedicação, paciência e muito carinho à mistura, tinha finalmente conseguido o meu objetivo... É que repetir várias vezes, no início de cada aula, coisas como “Vais ficar com a mochila às costas durante o dia todo? Não ficas muito apertado entre a tua secretária e a cadeira? Também dormes com ela? Mesmo que te atires da janela, dois andares não são suficientes para conseguires abrir um paraquedas... Tens alguma bomba aí dentro?” tinha que resultar nalguma coisa...
Estou orgulhosa! Próximo passo (é que também são manetas): ensiná-los a tirar as coisas da mochila… 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Se é a mãe, há que deixar... Pois, claro!

Chego à sala a correr, um pouco atrasada. Estão todos os meus alunos à minha espera. Colados à porta o J. e a M. (Esta última também é minha aluna, mas de uma outra turma). Cena hollywoodesca (os meus alunos são muito "à frente"): beijos e beijos e mais beijos.
Eu: Já chega, não? Isto é muito bonito, mas gostava de entrar na sala.
Lá se desviaram, um pouco envergonhados... ou não...

Já na sala, depois de 10 minutos de aula:
J: Professora, deixe-me ir à casa de banho!
Eu: Acabas de entrar!
J: Vá lá, professora, estou mesmo aflito!
Eu: Tiveste um quarto de hora de intervalo.
J: Não me lembrei, professora. (É mesmo assim: eles "lembram-se" - ou não - de ir à casa de banho)
Eu: Então, não estás muito aflito.
J: Ó professora, eu vou fazer aqui!
Eu: A vergonha será tua! Uma vida inteira a ser chamado de J. Mijão!

Passam alguns minutos e está o J. a abanar o telemóvel no ar.
J: Professora, é a minha mãe, deve ser urgente, posso ir lá fora atender?
Eu: Deixa-me falar com ela, primeiro.
O belo do J. fica algo perturbado.
J: Já desligou. Deixe estar.

Passam mais uns minutos e lá volta o J. a estender o braço com o telemóvel.
J: Professora!
Vou ter com ele, pego no telemóvel, leio 'mãe', um pouco perplexa, e atendo, sem falar.
"Olá, eu sou a mãe do J., é um assunto urgente. Posso falar com ele?"
Reconheço a voz da M., a namoradinha.
Eu: Olhe, minha senhora, eu até deixava, mas neste momento, ele está empenhadíssimo a resolver uns exercícios de gramática. Volte a ligar daqui a uma hora e aproveitem para resolver o vosso valente complexo de Édipo. Com licença.
J: Então!?! (silêncio) Mas que complexo??!!
E foi assim...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Teorias da educação...

Sou, de facto, uma péssima professora. Não há volta a dar. Por mais que eu tente, por mais que eu me esforce, apontam-me o dedo… uns por isto, outros por aquilo, os mesmos por isto e por aquilo… 
Quando levo apontamentos para as minhas aulas, é porque sou uma insegura a nível científico e preciso de suporte. 
Quando não levo nada, é porque sou uma inconsciente que não prepara as suas aulas. 
Quando falo em Inglês, é porque não me preocupo com os que têm mais dificuldades e estes vão acabar por desistir e deixar de tentar acompanhar a aula. 
Quando falo em Português, não estou a puxar pelos alunos e estes não estão a aprender nada. 
Quando me irrito, é porque passei mal a noite ou me chateei com o meu namorado. 
Quando não me irrito, é porque não quero saber: se eles querem aprender, aprendem, se não querem, o problema é deles… paciência! 
Quando grito, é porque não era preciso gritar: eles não são surdos. 
Quando não grito, eles são, de facto, surdos, e não me ouvem. 
Quando parto para uma participação disciplinar, é porque é injusto: não era só este ou só aquele que estava a perturbar a aula. 
Quando não há participação disciplinar, é porque não tenho pulso e eles fazem o que querem. 
Quando trabalho com os meus colegas de grupo, é porque não sei fazer nada sozinha. 
Quando não trabalho com os meus colegas, é porque sou uma individualista e tenho a mania. 
Quando utilizo o manual, é porque as aulas são uma seca.
Quando utilizo outros recursos, é porque o manual foi caro e não está a ser utilizado. 
Quando passo os intervalos com os meus colegas na galhofa, é porque o eu quero é brincadeira e não sei aproveitar bem o meu tempo. 
Quando passo os intervalos a correr de um lado para o outro para tirar cópias, requisitar algo da biblioteca, redigir uma participação ou lançar os sumários, é porque não sei viver ou porque só vivo para a escola e devo ter seis gatos em casa à minha espera. 
Quando estou com gripe, é porque devia faltar: não é nada saudável estar fechada numa sala e espirrar para cima dos alunos. 
Quando falto, é porque me baldo. 
Quando brinco, estou a dar confiança a mais. 
Quando não brinco, não sei criar contextos saudáveis para a aprendizagem. 
Quando os meus testes são longos, é porque quero tramá-los: é muita coisa para assimilar para um só teste. 
Quando os testes são curtos, é porque quero tramá-los: eles até sabiam o resto, mas o resto não saiu no teste. 
É isso: sou péssima professora… Vou mas é beber um copo e esquecer… É isso que eles fazem nos filmes americanos: vão beber um copo… Ou dois… Aliás, nos filmes, os melhores professores bebem muito… Vou tentar só mais esta, a ver se acerto…

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

No melhor pano...

A C. é uma miúda esforçada do 11.º ano. É muito afável, sorridente, trabalhadora e atenta. Tem boas notas a todas as disciplinas. Inglês, diz ela, é a disciplina em que ela obtém notas menos boas. Apercebi de que isso era verdade na última reunião de avaliação em que o 14 a Inglês destoava das outras notas nas restantes disciplinas. Gosto dela. Faz perguntas pertinentes e pede sempre mais exercícios para "treinar". 
É óbvio que não me lembro de cada nota, de cada teste, de cada erro. Mas, em alguns casos, há pormenores que me ficam na memória… Num «rephrasing» que abarcava vários conteúdos gramaticais, quis certificar-me, numa das orações do exercício, de que os alunos sabiam distinguir o uso do Past Perfect Continuous do do Past Continuous. Quando corrigi o teste da C., lembro-me de ter pensado «Bolas, ela percebeu que tinha de usar um Perfect Tense, mas usou o errado, usou o Present Perfect Continuous… Que pena…» E risquei a frase dela… 
No dia da entrega dos testes, ela chamou-me. Quis tirar uma dúvida sobre um erro que ela tinha feito num exercício e eu expliquei… «E aqui, professora? O que é que está mal?», apontando para essa tal frase do Past Perfect Continuous. O «s» do «has» (Present) que eu tinha visto na véspera tinha-se transformado em «d»: «had» (Past)… Fiz um compasso de espera, fingindo reler a frase… «Pois, não está nada de errado aqui. A tua frase está correta.», acabei eu por dizer, sem conseguir enfrentar os olhos dela. «Sendo assim, a tua nota final não é 13, mas sim 13,3, já que cada uma destas frases valia 3 décimas…» E fiz os ajustes necessários no teste e na minha grelha… 
E continuei a aula, como se nada fosse... E repetia para mim mesma: «Deixa lá, Dalila, em frente, são só 3 décimas… Não volta a acontecer: da próxima vez, circundas os erros todos e escreves a resposta correta ao lado… Segue…» E segui… como se nada tivesse sido… Mas tinha sido… e mantinha-se… uma (talvez infantil, mas inevitável) tristeza do tamanho de todo o carinho que tenho por esta miúda…

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Porque eu faço o que eu quero...

Aluno do ensino secundário: 
pequeno ser fofinho e encantador que descobre finalmente as alegrias da autonomia, da autoeficácia e da alta autoestima – «Não, professora, não vou passar… Eu já sei isto tudo… Não preciso de passar!!» – e que, no dia do teste, escreve «Inglish» no cabeçalho, nos chama constantemente – «Não percebo o que é que é pra fazer aqui…» – e fica ofendidíssimo quando lhe respondemos «Desenrasca-te!!»...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

As pessoas mudam...

Momento ternurento: 
«Eu já o conheço há muitos, muitos, mesmo muitos anos, professora, e ele não era nada assim…», disse-me um miúdo do 5.º ano depois de eu ter dado uma reprimenda ao seu coleguinha de carteira.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A pronúncia do Sul...

Pedi-lhes para escreverem uma composição. 
Tema: Rotina diária… 
- Professora, cómé que se diz “dantes”? 
- "Dantes"? "Before"… 
- "Before"???!!!
 - Diz-me a frase toda, se faz favor. 
- Atã… "Escóvo os dantes"!
[...] 
E eu, que sou do Norte, é que tenho "pronúncia"??!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

E é acim...

Bilhetinho ternurento apanhado no primeiro ciclo:
"Só queria ser teu amigo MAPC. Queres ser minha MAPC?"
E eu perguntei: "O que é isso do "MAPC"?
- Então, chicha («chicha» significa «teacher» em Inglês de 3.º ano de escolaridade), "Melhores Amigos para Cempre"!!"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Love will tear us apart...

Aluno de CEF, do alto dos seus 17 anos e do seu metro e oitenta: Ó professora, não me sente mais ao lado dela! Não consigo fazer nada!
Eu: É das miúdas mais atinadinhas da turma e não consegues fazer nada? Ela até te pode ajudar!
Aluno: Não, professora! Não consigo!
Eu: Não gostas dela?
Aluno: Gosto… Gosto, sim…
Eu: Então?
Aluno: Gosto… Ó professora, fico todo atrapalhado! Não consigo pensar! Fico todo a tremer! Não consigo escrever! Até os meus cabelos ficam a tremer! E fico com a barriga toda a doer! Respiro muito! Ela ainda pensa que eu sou um anormal! Professora, por favor, não me ponha mais ao lado dela!
(SILÊNCIO)
Aluno: Professora?
Eu: Está bem… No próximo período, ficas aqui à frente…
Aluno: Obrigado, professora… Desculpe lá…
E não me saía da sala. Talvez quisesse ouvir palavras de incentivo. Ficou a olhar pra mim, como que à espera de algo mais… Podia ter brincado, mas não estava praí virada… Ainda estive a pensar um pouco, enquanto ele me fitava com aqueles olhos grandes… E saiu-me: “Apagas-me o quadro, se faz favor?” Fez isso lentamente. E eu, lentamente, também, arrumei as minhas coisas: "O quadro já está mais do que limpo. Obrigada. Podes ir."… Pousou o apagador... Encostou-se ao quadro…
Eu: Diz…
Ele: “Isto” passa com a idade, não passa, professora?
Eu (Após um longo silêncio que se seguiu de um suspiro e de um sorriso): Não, meu anjo, tenho muita pena, mas "isto" não passa com a idade… 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A queda de uma rainha...

É a história de uma bebé que se recusa a beber o seu leite e vai perdendo peso. A mãe está aflita com isso e o pai também, é claro. Tentaram esse filho durante 9 anos e agora que nasceu, as coisas não estão a correr nada bem. O pai é um apicultor, completamente doido por abelhas, nunca foi picado e elas andavam sempre atrás dele, em pequenino, e era tudo maravilhoso. A mãe, a dada altura, chora muito e o pai vai ler os seus artigos sobre abelhas. Há um que diz que a geleia real, em 5 dias, faz aumentar 1500 vezes o peso da larva da rainha. O pai faz as contas e chega à conclusão de que se fosse um bebé de 3 quilos e meio, em 5 dias, ficaria a pesar 5 toneladas. Então decide colocar geleia real no leite da bebé. E aí, é tudo maravilhoso, ela alimenta-se lindamente e passa a ter sempre fome e aumenta realmente de peso… A mãe, chata, começa a achar que é tudo muito estranho e o marido confessa o que fez. Ela fica com medo porque não sabe se a coisa da geleia real é mesmo boa e proíbe-o de voltar a fazer isso. Ele tenta convencê-la de que não há mal nenhum, confessando que, há uns meses, tinha lido um artigo sobre um rato estéril que passou a procriar muito depois de tomar geleia real e então ele também começou a tomar e foi assim que ela engravidou. Ao ouvir isto, a senhora observa-o bem e vê que ele está fisicamente semelhante a uma abelha. E olha também para a filha que parece, passo a citar “a gigantic grub that was approaching the end of its larval life and would soon emerge into the world complete with mandibles and wings”… E acaba assim…

Foi esta a leitura extensiva que tive de ler com o meu 10.º profissional e o meu 10.º vocacional… Ia buscar “A Metamorfose” e tinha tido bem menos trabalho… Falando em vocação, não tenho nenhuma para as abelhas. E pensei: “Bem, eles (os alunos) vão fazer-me montes de perguntas sobre isto da apicultura. Deixa-me investigar!” E assim fiz… Colmeias, operárias, zangões, rainha, mel, geleia, própolis, pólen, etc… Horas nisto... O Vocacional não quis saber de nada. Só queria despachar a leitura e nunca tinha perguntas. Já os alunos do profissional fizeram todas as perguntas possíveis e imaginárias sobre esse mundo das abelhas… E eu, com calma, lá ia respondendo, orgulhosa de mim própria. Cheguei a ouvir um aluno a comentar com o seu colega: “Já viste a quantidade de coisas que a professora sabe!”… “Ya!”, respondeu o outro… E já me estava a imaginar a lecionar em Harvard: “Bees are our Friends” seria o nome da minha cadeira e eu seria alcunhada de “Queen Delilah”… Até que uma aluna pergunta “Professora, o que quer dizer ‘after the first feeding’?”, e eu respondo “Então, ‘depois da primeira mamada’”… Explosão de risos na turma… Percebo de imediato o que está a passar pela cabeça dos miúdos, tento manter a minha cor. Acabo por conseguir acalmá-los… E não consigo deixar de pensar “Uma carreira de sucesso perdida assim, num segundo, com um passo em falso… Que desperdício!”

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Um número é um bicho de sete cabeças...

Turma de 5.º ano. Dia de Teste:
- Meninos, a primeira parte do teste é um «listening», um exercício de compreensão oral. Vão ouvir um texto e vão preencher os espaços do exercício com as palavras que faltam. Está bem?
- Sim!
- Se, por acaso, ouvirem um número, não façam como no último teste: não escrevam por extenso! Com este exercício, estou apenas a avaliar a vossa capacidade de compreensão. Quero apenas algarismos!
- Hã?!?!
- Quero algarismos. Não quero por extenso. Quero números escritos em algarismos… Como vocês fazem em matemática…
- É pra escrevermos a lápis?!
- Não, é pra escreverem a caneta, mas em algarismos… (Passo a dar um exemplo no quadro) Vamos imaginar que vocês ouvem «twelve», terão de escrever «12» e não «twelve»… Percebido? Este «1» e este «2» são algarismos, está bem?
- Então não é pra escrevermos os números, é isso?
- Escrevem os números, sim! Mas em algarismos! Se colocarem «12» no papel, também estão a escrever, ou não?!... Está percebido?
- Sim!
- Então, vamos a isso!
A meio do « listening», interrompendo o áudio, grita o J. aflito:
- Ó professora, os «algarVismos» é com letra grande???!!!