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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Porque a opinião dos meus alunos é muito importante...

Só hoje é que consegui dedicar um pouco do meu tempo à leitura das respostas dos meus alunos à última pergunta das suas fichas de autoavaliação do 1.º período: “O que pode a professora fazer para me ajudar a melhorar o meu desempenho?” 
Aqui vão as melhores sugestões para mudar radicalmente a minha forma de agir: 
1) Falar em Inglês a aula toda 
2) Falar mais em Português nas aulas, tamos em Portugal 
3) Ser mais compreensiva e não pôr logo os alunos na rua 
4) Pôr mais alunos na rua quando não se portam bem 
5) Não dar tanta improtância à escrita, o que entreça é cumunicar 
6) A professora é que sabe, estudou para isso 
7) Mais trabalhos de grupo, aprendo melhor em grupo, os meus colegas ensinam melhor 
8) Não insistir comigo quando eu não sei, não vale a pena 
9) Passar mais filmes, como aquela professora que lavava carros 
10) Deixar-me estar com os fones, ouço melhor quando tenho os fones 
11) Não ser tão carsástica, às vezes não sabemos se tá a brincar ou a falar asério 
12) Nada, nasci sem saber inglês, vou morrer sem saber Inglês 
13) Dar-me positiva 
14) Let us breathe! 
É isto! Estou elucidada! (E não estou a ser "carsástica"...)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Trabalho e Conhaque...

Eu, antes, admirava-os... Agora, enervam-me e invejo-os a dobrar... Todos aqueles que conseguem dar um ar intelectual numa esplanada ou numa praia, rodeados de livros, tablets, computadores, de caneta na mão ou na boca com um ar de quem está prestes a descobrir uma verdade absoluta. De vez em quando, levam a mão à cabeça para a coçar e estimular os neurónios e isto tudo a apanhar um belo de um bronze uniforme que eu só consigo se me estatelar durante seis horas sem me mexer para não correr o risco de franzir nenhuma parte do meu corpo e não deixar ali nenhuma espécie de estria artificial. É que as verdadeiras já me chegam e sobram... 
Não consigo... Desisto! Não é pra mim... Há duas horas que estou a tentar concentrar-me e os meus gritos não tem nada a ver com "Eureka", mas sim com uma expressão/interjeição pouco correta que eu não vou repetir agora... 
Já me passaram por aqui seis abelhas. Tentei o truque do ignorar, mas não resulta. Tentei o truque do soprar e quase que engolia uma. Tentei o truque do gesticular e fiquei com a sensação de que lá foram embora, mas vão voltar com a colmeia toda só para me mostrarem que são elas que mandam aqui...
Já fiz mais exercício do que alguma vez fiz ao longo do ano a correr atrás de folhas que me fugiram com o vento. Já sujei essas folhas com o sumo que eu pousei em cima, desesperada... 
Já me entraram não sei quantos ciscos nos olhos. Já atei o cabelo, mas, como nunca tive uma boa relação com ele, tenho sempre dois ou três fios a fazerem-me comichão no nariz, a fugirem-me para os olhos ou a ficarem presos nas hastes dos óculos... 
E tenho aqui um bicho que eu nunca vi em toda a minha vida a provocar-me: redondinho, fofinho e calminho. E eu, em vez de pensar no meu trabalhinho, estou aqui na dúvida entre deixá-lo andar à vontade ou espetar-lhe com o livro em cima. Custa-me esborrachá-lo sem saber se ele quer mesmo ser meu amigo ou se é uma estratégia para me picar quando conseguir apanhar-me desprevenida...
Vá, digam-me a verdade verdadinha? Quando vocês dão esse ar de quem está completamente abstraído do mundo, absolutamente concentrado na descoberta de uma fórmula qualquer que vai salvar a humanidade, é só mesmo pró estilo, não é? Não conseguem mesmo trabalhar, pois não?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Eu também não sei e não percebo... E fico assustada...

Dia de teste: 
- Professora, quero entregar! 
- Ainda não acabei de distribuir os testes e tu já queres entregar o teu?! 
- Então, não sei nada! 
- Não sabes nada? Não tiveste aulas comigo? 
- Se a professora tivesse aulas de Chinês e lhe dessem agora um teste, saberia alguma coisa? 
- Se o teste tivesse a ver com as aulas, sim, com certeza! 
- Sim, sim... Deve ser... Não sei, professora! Posso entregar? 
- Não! Lê! E tenta responder às perguntas. 
- E se eu não souber? 
- Olha, escreve "Não sei" em Inglês! 
- Como é que se diz "Não sei" em Inglês? 
- "I don't know" 
- Diga lá professora! 
- "I don't know" 
- Sabe, mas não quer dizer! Diga lá!! 
- "Eu não sei" diz-se "I don't know"!!! 
- (Silêncio) Ah... Pois... 
Ao recolher os testes, no final, observo atentamente a folha do aluno e leio várias vezes: DOT NOW, DOT NOW, DOT NOW, DOT NOW, DOT NOW... De facto, não sabia... E não quer saber...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Reuniões de avaliação do 2.º período...

Não serão muito diferentes das do 1.º...


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Não, não são as editoras que mas oferecem...

Comecei a semana com cinco canetas de tinta azul no meu estojo. É quinta-feira, e já não tenho nem uma...
Ó pá, eu não sou mãe de ninguém...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Conversa de surdos...

- Então, não achas que os professores que estiveram em escolas com contrato de associação deviam poder concorrer em condições iguais às dos professores do público? 
- Não. 
- Não fizeram serviço público?! 
- Sim, se há um contrato de associação com o Estado, tiveram que fazer serviço público. 
- Até corrigiram exames nacionais! 
- Sim, se as escolas receberam dinheiro do estado, tiveram que fazer coisas como essas. 
- Repito: Corrigiram exames nacionais!! 
- Sim. É isso que se entende por contrato. É como a canção do Pedro Abrunhosa: Eu dou-te e tu dás-me… qualquer coisa assim. 
- Então porque não poderiam os professores concorrer agora nas mesmas condições do que os outros? 
- Porque não foram colocados nessas escolas nas mesmas condições do que os outros, seguindo as mesmas regras do que os outros. Um professor que não foi colocado pela graduação não pode concorrer nas mesmas condições do que aquele que só foi colocado, sabe Deus aonde, pela graduação. 
- As escolas com contrato de associação faziam parte integrante da rede pública! 
- Sim, e colocavam os professores que bem queriam, de acordo com os seus próprios critérios. 
- Esses professores têm qualificação, certo? 
- Sim. 
- Então, podem exercer! Existe uma graduação a respeitar e pronto! Porque é que haviam de ser diferentes? 
- Porque essa graduação não foi respeitada aquando da sua colocação nessas escolas. 
- Concurso público é concurso público: todos os que reúnam qualificação para concorrerem e tenham dado aulas devem ter igualdade de direitos! 
- Não houve igualdade de direitos quando eles foram colocados nessas escolas. 
- Há professores excelentes que trabalharam nessas escolas! 
- Tenho a certeza de que sim. 
- Tu fazes ideia do que se trabalha nessas escolas? Uma exploração! 
- Sim, acredito e acho isso muito triste. Mas a questão não é essa. 
- Não há cá mimos, como no público! 
- Mimos? 
- Sim! 
- Quais mimos? 
- Mimos! 
- Quais mimos?! 
- Mimos! 
- Mas quais mimos? 
- Mimos! 
- (…) Está bem… 
- Há uns belos anos, um amigo meu de Português-Francês foi colocado em Francês e teve que dar aulas de Inglês e de Educação Física para poder completar o horário. 
- E acumulou tempo de serviço em Francês?! 
- Querias que fizessem o quê? Isso também aconteceu no público quando havia falta de professores! 
- Pois… 
- Pois é! Não se brinca ali! 
- Até parece que no público é uma festa! 
- Deixa-me rir! 
- Pois, há os mimos… Já me esquecia… 
- De qualquer das formas, estado é estado. 
- Diz? 
- Estado é estado. 
- (…) 
- Estado é estado! 
- Não percebo o que tu queres dizer. 
- Estado é estado! 
- (…) Está bem... 
- E o estado não pode diferenciar cidadãos! Todos, como contribuintes, financiam a escola pública. 
- Sim, o meu vizinho carpinteiro, como contribuinte, também financia a escola pública. Achas que ele devia poder concorrer? 
- Dizes cada disparate! 
- Eu?! 
- Percebeste bem o que eu quis dizer… Os professores que estiveram nas escolas com contrato de associação não têm culpa dos disparates dos vários governos no que toca à colocação de professores. 
- E os do público também não! Atrevo-me a dizer: muito menos! 
- Oh! Muitos deles… não todos, vá, e até acredito que sejam uma minoria… 
- São muitos ou é uma minoria? 
- Há minorias com muitos! 
- (…) Ok, continua… 
- Alguns preferiram ficar em casa com o subsídio de desemprego em vez de ir para longe trabalhar… 
- Sim… 
- E é isso…
- Não trabalharam, não acumularam tempo de serviço. 
- Precisamente! E agora andam aí todos revoltados, cheios de ódio, porque os dos particulares podem vir a concorrer! E esses revoltados nem sequer têm hipóteses de ficar! Não reúnem as condições! 
- Então, só devemos falar das coisas quando estamos envolvidos?! Vamos já acabar com todas as petições que andam aí a circular! 
- Não era preciso tanto ódio! 
- Ódio?! 
- Sim, ódio! 
- Eu não vejo ninguém a odiar ninguém. 
- Abre os olhos!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Não dá...

- Já acabaste de corrigir os testes? 
- Não… Mas vou parar por aqui… Estou farta… E tu? 
- Ainda tenho de fazer uma ficha sobre cristais moleculares como substâncias sólidas constituídas por moléculas organizadas de maneira regular que se mantêm unidas por ligações intermoleculares… 
- Hum… Pois… Não percebi nada… 
- Sabes o que podias fazer? Ver se há novidades em relação ao concurso e tentar ter uma ideia geral daquilo… 
- … 
- Dalila??!!
- Como é que eu te posso ajudar com a tua ficha?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Deixa-me rir...

Ato de diplomacia: 
Ouvir, caladinha, enquanto Diretora de Turma, um Encarregado de Educação revoltado porque os professores não conseguem controlar 29 alunos numa sala de aula. 
Ato de loucura: 
Desatar à gargalhada, quando o mesmo Encarregado de Educação me conta que teve de pagar quase 300 euros de chamadas telefónicas porque a filha, às escondidas, usava o seu telemóvel para salvar um concorrente da Casa dos Segredos…

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sejam sempre crianças... ou não...

Tenho uma panca por listas... Cada qual com a sua patologia. Há quem goste de se juntar a sete amigos, vestir collants, fazer uma fila, peito arfante, mãos nas ancas e pegar em touros. Há quem goste de chibatadas no rabo. Há quem alinhe vários frascos de sementes na banca da cozinha e se alimente exclusivamente delas… Eu faço listas. 
Ao longo de 2016, fui apontando tudo aquilo que ouvia em relação à educação das nossas queridas crianças… Colegas de trabalho, psicólogos, pais… Cada vez que um adjetivo como “fundamental, importante, primordial, crucial, etc.” era dito na frase, lá ia eu ao meu caderno e apontava...
(É de referir que as piores contradições foram, em muitos casos, apresentadas pelas mesmas pessoas.) 
1) Brincar é importante para o crescimento da criança; 
2) Desenvolver a autodisciplina é primordial: os miúdos devem saber quando parar de brincar para estudar; 
3) É essencial que eles tenham noção de que a escola está em primeiro lugar; 
4) 8 a 10 horas de sono são fundamentais para o bem-estar dos nossos jovens; 
5) A educação musical tem um papel crucial no desenvolvimento dos nossos alunos; 
6) É importante que eles aprendam a tocar um instrumento musical, pelo menos; 
7) É fundamental que desenvolvam uma atividade desportiva para além da escola; 
8) É importante que as crianças adquiram o gosto pela literatura: têm que ler mais: 5 a 6 obras por mês, pelo menos; 
9) Ir ao cinema uma vez por semana é fundamental para a aquisição de saberes e valores culturais; 
10) As crianças não podem ignorar o que se passa no mundo. É fundamental que se mantenham informadas sobre os acontecimentos nacionais e internacionais; 
11) A noção de hierarquia tem de ser respeitada: todas as ordens dadas por um adulto têm uma razão de ser e as criaturas só têm de obedecer; 
12) É fundamental que saibam questionar, interrogar, pôr em causa: o sentido crítico tem de ser desenvolvido e apurado; 
13) É essencial que saibam definir metas para o futuro: não podem estar tão indecisos sobre o que querem para eles; 
14) É fundamental que tenham sonhos e que lutem para os alcançar; 
15) É crucial que saibam manter os pés no chão para não sofrerem com as desilusões da vida: nem todos podemos ser médicos ou engenheiros; 
16) O desenvolvimento do espírito de solidariedade é primordial: ajudar uma instituição de caridade desde cedo, fazer voluntariado, etc. é fundamental para que os nossos jovens adquiram valores essenciais; 
17) A competitividade é a melhor forma de tornar as nossas crianças mais rigorosas e empenhadas; 
18) Formações sobre bullying são primordiais: aprender a respeitar a saúde física e mental dos pares é fundamental; 
19) A praxe é essencial e saudável para uma boa integração na vida académica; 
20) Ter um animal de estimação e aprender a cuidar dele desde cedo, com horários definidos, é uma excelente forma de desenvolver o sentido de responsabilidade das nossas crianças; 
21) Uma alimentação equilibrada é essencial para o bem-estar dos jovens; 
22) Saiu mais tarde porque teve teste e não teve tempo de lanchar? É fundamental que aprenda que nem tudo é como queremos na vida. Desenvolver o espírito de sacrifício é crucial; 
23) Devem ser perfecionistas: devem procurar dar sempre mais e melhor; 
24) Aprender a autocompaixão é fundamental para poder seguir em frente: Errare humanum est; 
25) É primordial deixar que as as crianças tenham o seu tempo livre para que vivam outras experiências; 
26) Não podem ser deixadas ao deus-dará: o mundo é uma armadilha. O controlo permanente mesmo que subtil e à distância é primordial; 
27) É fundamental permitir a argumentação; 
28) É crucial que saibam que a última palavra é do adulto; 
29) É essencial que a criança tenha tempo para desenvolver aquilo que ela aprecia: a vida não é só escola;
30) E mais e mais e mais… (Tenho, no total, 74 notas) 
Se eu fosse jovem, mandava-nos todos à m***inha… Baixinho, mas mandava…

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Promessas...

David Justino prometia acabar com o abandono escolar e devolver a autoridade aos professores para impor a indispensável disciplina. 
Maria do Carmo Seabra afirmava que todos os docentes iam ser colocados atempadamente nas escolas. 
Maria de Lurdes Rodrigues jurava que a avaliação dos professores ia premiar os melhores. 
Isabel Alçada assegurava, depois de explicar que um dia tinha 24 horas, que os alunos iam estudar mêmo, mêmo muito. 
Nuno Crato prometeu várias vezes não despedir ninguém e fazer com que todos os alunos se tornassem génios da Matemática. 
Tiago Brandão Rodrigues promete agora colocar 3000 professores no quadro. 
E o Chewbacca disse: “Wuhr, ahrr temos que arrr wurrr acabar com arghh os Cavaleiros de Ren arrgh!” 
Onde estão os Cavaleiros de Ren?! Eu quero Chewbacca a ministro da Educação… Esse faz o que diz…

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016