sexta-feira, 3 de março de 2017

Se é a mãe, há que deixar... Pois, claro!

Chego à sala a correr, um pouco atrasada. Estão todos os meus alunos à minha espera. Colados à porta o J. e a M. (Esta última também é minha aluna, mas de uma outra turma). Cena hollywoodesca (os meus alunos são muito "à frente"): beijos e beijos e mais beijos.
Eu: Já chega, não? Isto é muito bonito, mas gostava de entrar na sala.
Lá se desviaram, um pouco envergonhados... ou não...

Já na sala, depois de 10 minutos de aula:
J: Professora, deixe-me ir à casa de banho!
Eu: Acabas de entrar!
J: Vá lá, professora, estou mesmo aflito!
Eu: Tiveste um quarto de hora de intervalo.
J: Não me lembrei, professora. (É mesmo assim: eles "lembram-se" - ou não - de ir à casa de banho)
Eu: Então, não estás muito aflito.
J: Ó professora, eu vou fazer aqui!
Eu: A vergonha será tua! Uma vida inteira a ser chamado de J. Mijão!

Passam alguns minutos e está o J. a abanar o telemóvel no ar.
J: Professora, é a minha mãe, deve ser urgente, posso ir lá fora atender?
Eu: Deixa-me falar com ela, primeiro.
O belo do J. fica algo perturbado.
J: Já desligou. Deixe estar.

Passam mais uns minutos e lá volta o J. a estender o braço com o telemóvel.
J: Professora!
Vou ter com ele, pego no telemóvel, leio 'mãe', um pouco perplexa, e atendo, sem falar.
"Olá, eu sou a mãe do J., é um assunto urgente. Posso falar com ele?"
Reconheço a voz da M., a namoradinha.
Eu: Olhe, minha senhora, eu até deixava, mas neste momento, ele está empenhadíssimo a resolver uns exercícios de gramática. Volte a ligar daqui a uma hora e aproveitem para resolver o vosso valente complexo de Édipo. Com licença.
J: Então!?! (silêncio) Mas que complexo??!!
E foi assim...

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