quarta-feira, 30 de maio de 2012

Operacionalização das matrizes curriculares - explicação simplificada

Independentemente das questões de perda ou ganhos globais de horários (tema que deve ser amplamente discutido por quem tem poder na escola) para os professores, interessa também compreender de que forma podem ser operacionalizadas as modalidades de tempos letivos (45 ou 50 minutos). 

Como hoje de manhã estive numa reunião onde foi claro que alguns colegas estavam um pouco distantes da problemática, opto agora por colocar uma explicação mais clara acerca deste assunto. Assim, o que os colegas devem compreender é que o MEC atribuiu (aqui) um número de horas semanal mínimo para as diversas disciplinas (e máximo por ano/ciclo) que deverá ser distribuído pelas escolas, do modo que lhe for mais "conveniente". Se dividirem essas horas por 45 ou 50 (as tais hipóteses de tempos letivos) irão compreender... Se o número que resultar for inteiro, o acerto está feito. No entanto, se não o for temos um problema que terá de ser resolvido, uma vez que sobram minutos que não podem ser integrados em tempos letivos (45 ou 50 minutos).

Exemplo: Carga horária semanal de Ciências Físicas e Naturais - 270 minutos. Se dividirmos 270/45 obtemos 6 "tempos" de 45 minutos. No entanto, se dividirmos os mesmos 270 por 50, obtemos 5,4. E 5,4  tempos letivos (5 "tempos" de 50 minutos + 20 minutos) não é algo que possa ser gerido diretamente... Vai daí, e ao arredondarmos para 6 "tempos" de 50 minutos, temos 30 minutos a "mais" ou 20 minutos a "menos". 

É com este problema que as escolas têm de lidar, uma vez que o "saldo" não permite grandes "repescagens" de minutos. Pelo menos, não para todas as disciplinas... A pensar nisto, o Arlindo elaborou (aqui) um tabela de fácil leitura, e que deve ser analisada. De seguida, farei uma breve leitura de dois exemplos, para que quem está um pouco mais "a leste" fique a compreender o que realmente se passa.

(Cliquem na imagem para fazer o download do documento)

Vamos a 2 situações concretas:

a) Ciências Físicas e Naturais - CFN (7.º ano): se optarmos por tempos letivos de 45 minutos, não resultam minutos sobrantes, o que permite uma gestão dos minutos mais eficaz. No entanto, se a opção recair nos 50 minutos, deparamo-nos com 30 minutos sobrantes, o que gera um problema de distribuição da carga horária semanal.

b) Português (10.º/11.º anos): se a escola optar pelos "tradicionais" 45 minutos, o número de minutos sobrantes é nulo. Por outro lado, se se optar pelos 50 minutos, teremos um saldo de 20 minutos sobrantes.

Resumindo, o MEC conseguiu gerar um tremendo imbróglio... Qualquer uma das opções consegue criar problemas na distribuição de horas semanais.

6 comentários:

  1. Bronca.....
    MEC não assegurou transportes para os alunos que vão fazer exames Nacionais 6º e 9º Anos. Em anos anteriores esta situação não aconteceu porque os exames realizavam-se ainda em tempo com atividades letivas, mas este ano não. Como é como os alunos se vão deslocar para a escola para realizarem os exames, se já não há transportes escolares, terminam dia 15 de junho e os exames são depois. Portugal não é só Lisboa, existem muitos concelhos no interior do país que não têm rede de transportes públicos. Na minha escola Já muitos pais questionaram a direção como é que os filhos nesse dias vêm para a escola para realizarem os exames. Pois eles não tem possibilidade de os trazer, nem podem faltar ao trabalho.

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  2. Alguém me sabe explicar uma situação: se as escolas optarem pelas aulas de 45 m. têm de ir buscar o resto das horas, que estão a mais, ao crédito horário da escola???? É que se assim for as escolas não tem crédito nem para metade das disciplinas que dele necessitam.

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  3. Pela análise da tabela e pelos exemplos no texto, fica claro que a opção pelos 45 minutos por tempo letivo é a que encaixa melhor nesta matriz curricular. Em termos de corte nos horários também é, de longe , a melhor opção a fazer, porque aumenta nalgumas áreas o numero de tempos letivos por turma, para o mesmo total global máximo de minutos. A escola que optar pelos 50 minutos está a promover o aumento do desemprego.

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  4. Colegas, ainda ninguém me consegiu responder claramente à questão, se as escolas optarem pelos tempos de 45 minutos, terão de ir buscar as horas que estão a colocar a mais ao crédito da escola ou não? É que se optarem por 50 minutos as horas batem certinhas com as do MEC, se forem as de 45 usamos o crédito máximo e na escola onde dou aulas a ideia que anda a circular?!!!! é que essas horas até à carga letiva máxima, os tais minutos que estão a mais entre as aulas de 45 e 50 m., têm de sair do crédito da escola. Colegas se assim for as só uma ou duas disciplinas poderá usufruir do parco crédito das escolas... Já agora alguém sabe alguma coisa da 2ª fase dos mega agrupamentos, que ao que parece estão para sair a toda a hora???Deviam era ficar enterrados algures e esquecidos para sempre...

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  5. e ainda falta publicar como serão feitos os desdobramentos em CN e CFQ...

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  6. Não percebo. Hor 22x45'= 990'para os 1100' que deve ter um docente faltam 110'(45'+ 45' + 20 de reminiscente; 22t + 2t +20' + 3t de trabalho de estabecimento e só um total de 27tempos + 20minutos).
    Num horário 22x50'= 1100 minutos
    Logo o que está a fomentar o desemprego são os tempos de 45' e não os de 50'
    Os 45' vem apenas beneficiar o Português e a Matemática que lhes foram atribuindo 6 e/ou 5 tempos de 45', para depois nos depararmos com resultados vergonhosos... Tudo o que é demais satura qualquer um, imaginem aos alunos.

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