terça-feira, 10 de maio de 2016

Parecem muitos, mas são apenas 3%


Comentário: Pela quantidade de iniciativas na defesa do ensino privado e de crítica ao corte no patrocínio de turmas privadas em zonas onde existe oferta pública, até parece que o que está em cima da mesa é a extinção do ensino privado... O facto é que, não é! Ao contrário do que nos tentam fazer pensar, o alarido parte de apenas 3% da rede de ensino privado, isto é, 79 colégios em mais de 2600.

Para além do expectável aumento da pressão privada nos meios de comunicação social, também tem sido interessante conhecer as personagens políticas que são "permeáveis" a defesa daquilo que não deveria ser defensável, isto é, aceitar o esvaziamento de escolas públicas, manter professores com horários zero e empurrar para o desemprego, professores colocados por concurso nacional, para aceitar que ao lado sejam financiadas turmas privadas e mantidos lugares de trabalho conseguidos por um mecanismo similar à Bolsa de Contratação de Escola.

E para terminar, fica uma sugestão: se o financiamento é público, poderia ser interessante implementar nestas escolas privadas as mesmas regras do ensino público, não só no que concerne à impossibilidade de seleção de alunos, mas também no que concerne à contratação de professores (no caso, recurso ao concurso nacional de professores e respetiva graduação profissional). Mas é só a minha opinião, e a minha opinião não vale nada...

7 comentários:

  1. A tua opinião vale muito Ricardo, também já tinha cogitado esse raciocínio. Parabéns pela clareza do texto.

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  2. Por acaso não fazia ideia de que o que estava em cima da mesa eram apenas 3%, o que é ainda mais grave! Como diz, pela revolta toda que aí vai até parece que vão acabar com o ensino privado. Acho bem que onde há oferta pública o estado deixe de entregar milhões aos privado. Esse dinheiro deve ser canalizado para a escola pública que bem precisa. E já agora como deve saber, há escolas públicas muito boas, e isso deve ser expandido pois é o ensino a que todos temos direito.

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    1. A primeira vez que vi a contestação nos meios de comunicação social, pensei que o Ministério da Educação se preparava para levar à extinção todos os colégios, mas quando comecei a olhar para os números que entretanto iam surgindo, lá se constatou que estávamos perante o impacto da ação de contestação de 79 colégios... Mas ainda bem que se vão conhecendo os números, para não sermos enganados.

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    2. Claro, é importante conhecer os números, mas também é importante filtrar o que se ouve na comunicação social. Existe muito a tendência a ouvirmos apenas uma parte do que é dito, e neste caso o que está a ser "filtrado" é apenas a informação de que o governo vai deixar de financiar o privado... A questão é que desde o início que sempre ouço dizer que são apenas as novas turmas, e lá está, sempre que haja oferta pública. O que, como já referi, faz sentido. Mas o que os manifestantes estão a tentar fazer passar é isso mesmo que refere, extinção de todos os colégios.
      Há que saber interpretar.

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  3. Como em tantas outros assuntos em Portugal, a mentira, a demagogia e a ignorancia andam associadas à discussão dos temas. Afirma:se o financiamento é público, poderia ser interessante implementar nestas escolas privadas as mesmas regras do ensino público, não só no que concerne à impossibilidade de seleção de alunos.
    Pergunto e não é? Claro que é. O fim dos contratos de associação coloca o ensino privado só ao alcance dos ricos.
    Quanto aos professores: A seleção por competência baseado no curriculum é mais eficiente que a seleção por anos de serviço como acontece no público. Este é o mérito e vantagem do modelo de seleção de todas as empresas privadas.
    Já agora, declaro que tenho 36 anos de ensino público e esttal e experiência também no privado.
    Em conclusão: Portugal vai daqui por dois anos ser o único país da Europa Ocidental sem escolas com contrato de associação. E há vários, como a Holanda em que a maioria dos estabelecimentos tem esse estatuto.

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    1. Compreendo o que quer dizer. Mas ao não financiar abusivamente e a qualquer custo o privado, porque não aplicar essas verbas para melhorar o ensino público? Tudo depende da direção da escola, como deve saber, há escolas públicas com excelente qualidade de ensino se tivermos em conta que acolhe alunos tanto com dificuldades de aprendizagem como os que não têm.

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