sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Desabafo...

Até aqui pensava que o que realmente interessava nestas negociações do ECD, residia na melhoria das condições de trabalho (exemplo: horário dos professores) e do modelo de avaliação do desempenho docente.

Grande estupidez a minha em acreditar nisso... Mesmo após mais de 3 décadas de vida e de mais de 1 década de profissão continuo a acreditar na minha imaginação.

Por aquilo que leio, não só nos diversos documentos que vão surgindo em redor destas negociações, mas também de comentários e emails recebidos, o que realmente interessa a uma grande fatia dos professores e aos sindicalistas em geral (com algumas gratificantes excepções), será mesmo a progressão na carreira.

E não estou a afirmar que o tema das progressões (reposicionamentos, etc.) não seja importante, mas como posso estar fascinado com índices e tempos de permanência nos mesmos, se cada vez gosto menos de estar na escola. O dinheiro não pode justificar o "olhar para o lado" que ultimanente tem invadido as discussões na blogosfera e nas salas de professores.

Assim, peço-vos que não me enviem mais emails relativamente a questões de transição/reposicionamento, pois a cada um que recebo descresce a minha vontade de discutir aqui o que quer que seja.

16 comentários:

  1. Como eu te compreendo e partilho a tua "angústia" em pleno!
    Mas, se este fosse um "mal" só da nossa classe estava eu contente!
    Mas no nosso caso, torna-se mais grave porque somos (acho eu) educadores! Mas há quem diga que só lhe pagam para ensinar! Discordo e renuncio a tal pensamento, sequer!
    Um abraço.

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  2. há muita gente que vive no mundo virtual...mas ainda há alguns que vivem no mundo real...e,aí,para sobreviver precisa-se de dinheiro.

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  3. Anónimo da 1:53 PM,
    Esse argumento é tão verdadeiro e antigo quanto a profissão mais velha do mundo, mas, digo eu, era suposto ter havido alguma evolução social, ou não?
    Um abraço.

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  4. se ganhar mais 100 ou 200 euros por mês asseguro-te que irei ficar menos incomodado com o facto de ter um horário sobrecarregado ou putos mal-criados.

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  5. Mais um DESABAFO:
    Este "olhar para o lado" dos docentes sem dúvida incomoda-me...mas, neste momento, o "olhar para o lado" dos sindicatos relativamente a esta questão dos QZP's incomoda-me ainda mais.Nenhum sindicato tem só que seja uma referência nas suas paginas Web à questão dos QZP's. É revoltante!Para quem ainda é QZP, esta questão é bem mais importante que qualquer outra suscitada pelo Acordozeco de 7 de Janeiro!

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  6. Concordo em absoluto contigo Ricardo, já o tenho dito várias vezes. Assusta-me pensar que contínuará tudo na mesma em termos de avaliação de desempenho e em termos de horários, que para quem trabalha realmente é o que importa neste momento. Repara, sou contratada, terei que ser avaliada mais uma vez, apesar de já ter passado por isso no ano passado (com Muito bom) e continuarei a cumprir 28 horas lectivas (entre horário lectivo e apoios). Tenho uma direcção de turma com 2 NEEs, 9 alunos em risco de retenção e dois casos de retenção repetida, 8 alunos com acompanhamento psicológico por problemas familiares e 1 hora no horário para tratar disso tudo (a outra é de atendimento aos EE)...é isto que preocupa neste momento, posso garantir que trabalho mais de 50h semanais.

    Obrigada mais uma vez pelo teu trabalho Ricardo.
    Ni

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  7. A respeito da Escola que queremos, vale a pena ler: http://terrear.blogspot.com/2009/04/e24-grande-solucao-para-educacao.html

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  8. Por favor alguém me responda:

    Sou contratada, dei aulas há 5 anos em PT. Actualmente estou no Ensino Português no Estrangeiro. Pelo que me foi possível apurar a avaliação que tivemos só contou para efeitos de renovação do contrato.
    Agora nos termos do novo projecto de alteração ao ECD, artigo 5.°: os docentes estão isentados da prova de ingresso desde que tenham sido avaliados com nota mínima de Bom.

    Perante a minha situação, terei que fazer a prova? No EPE não foi criado um dispositivo de avaliação semelhante ao de PT.

    TErei que fazer a prova? Por favor alguém me responda.

    Revoltada.

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  9. Eu não quero mais alguns euros. Quero condições de trabalho. No mínimo, o direito de trabalhar com alunos empenhados e educados.

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  10. Ricardo
    Há muito que sabes a minha opinião sobre este assunto.

    O problema nunca foi a avaliação, mas sim os seus efeitos na progressão da carreira e nos concursos.

    A avaliação foi o despertador que fez acordar o pessoal. Só quando a avaliação começou a avançar, é que o pessoal acordou. A grande maioria dos aspectos que se fala já existia antes da avaliação avançar.

    Mais, tenho a certeza que, se por um qualquer milagre, desaparecessem as "barreiras" na carreira e os efeitos nos concursos 90% (pelo menos) dos professores aceitaria a avaliação.

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  11. «se ganhar mais 100 ou 200 euros por mês asseguro-te que irei ficar menos incomodado com o facto de ter um horário sobrecarregado ou putos mal-criados.»

    Pelo contrário, a mim preocupa-me muito mais a indisciplina e a violência crescentes na escola. E nem 1000 euros a mais por mês me fazem menos inquieto com o que tenho de suportar diariamente em determinadas turmas.

    Às vezes, parece-me que muito coleguinha se aproxima da figura do mercenário.

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  12. "Eu não quero mais alguns euros. Quero condições de trabalho. No mínimo, o direito de trabalhar com alunos empenhados e educados."

    idem...

    Aliás , toda e qualquer acção de reivindicação em que me revejo relaciona-se com melhoria do Ensino e as Condições de Trabalho. A falhas da ADD e outros são apenas alguns dos pontos que levam à falta tal, e não o objectivo final de reivindicação.

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  13. Nem entendo como é que estas negociações se centraram desta forma tão só e apenas na progressão, quando há questões bem mais importantes para serem tratadas. Essas já foram aqui realçadas e não me parece que uma cheia de euros apaguem a importância de se trabalhar com dignidade.

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  14. trabalhar com dignidade faz parte da obrigação indidual.
    alunos educados e empenhados...utopia, na sociedade actual.
    os euros são imprescindíveis para viver...porque quem não rouba ou quem não herda,há-de ser sempre um m...e,felizmente ainda há muitos profs que são honestos e que o são pelo seu mérito.

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  15. Colegas, não é com 100 ou 200 euros que vou pagar a consultas de psiquiatria e medicamentos por toda a vida, se calhara até pagas, mas com as baixas psiquiátricas não te compensa.

    mp3

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  16. Tem toda a razão. Na minha escola acontece o mesmo. Pensam que andam a tratar da sua vida, mas anda tudo a dormir. Só acordam quando o céu lhes desabar em cima.

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