quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Negociações do horário e regime de trabalho.

No Diário de Notícias a 20/01/2010: "Na negociação com o ministério, sindicatos defendem hoje que tarefas como aulas de apoio sejam consideradas horas lectivas.
(...)
A Fenprof considera que a distribuição do trabalho tem de ser revista para que os professores tenham mais tempo para se dedicar à preparação das aulas.

É essa a tarefa que sai prejudicada, quando se tem um horário curto para uma multiplicidade tão grande de tarefas, garante Cristina, docente de História e Geografia, com 45 anos, e há 18 efectiva numa escola da região de Lisboa.

E exemplifica: "tenho quatro horas não lectivas semanais, que são de serviço à escola, nas quais tenho 45 minutos de tutoria, 2 horas de apoio, e 45 minutos de coordenação de área disciplinar. Sobra meia hora para reuniões, o que não chega. Levo sempre trabalho da coordenação para casa".

O horário contempla ainda 11 horas de componente não lectiva, que devem ser gastas pela docente na preparação do trabalho com os alunos.

Mas para quem tem quatro turmas (uma do 5º ano e de percurso alternativo, duas do 6º e uma do 10º), e ainda a área projecto e a formação cívica, o tempo não chega, garante. Nem pouco, mais ou menos. É preciso preparar aulas, fazer e corrigir fichas, testes e trabalhos, planear visitas de estudo, entre outras coisas. "Se calhar em vez de 11, gasto 20 horas nisto. E o trabalho mais importante faço-o quando já estou cansada, desmotivada. Além disso, tenho dois filhos, um no 6º e outro no 10º, que precisam de atenção e de apoio nos trabalhos", acrescenta.

A redistribuição dos horários é o assunto hoje em discussão entre Ministério da Educação e sindicatos que estão a negociar a revisão do Estatuto da Carreira Docente. "Há um conjunto de actividades, que são lectivas, que o Ministério da Educação transferiu para a componente não lectiva, o que veio a afectar drasticamente o horário dos professores", disse ao DN Mário Nogueira. Para o secretário geral da Fenprof esta foi uma forma de o antigo Governo ter menos professores nas escolas, pois, assim, menos docentes podiam dar mais aulas. "Isto não faz sentido, porque a qualidade do trabalho mais importante, a preparação de aulas, sai prejudicada", explica.

Para a Fenprof, o que está em causa não é a carga horária, que deverá ficar-se pelas 35 horas semanais, mas a forma como esta está organizada e o que deve ou não ser considerado trabalho lectivo."

Ver Artigo Completo (Diário de Notícias)

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Comentário: Este tema é demasiado importante. O que está na mesa negocial é tão somente um tema que mexe no rotina diária dos professores (e também dos alunos) e que influencia de forma profundamente intrínseca a nossa sanidade mental, a nossa vida pessoal, a nossa motivação e obviamente a qualidade do ensino. Algo que considero muito mais relevante que vários dos aspectos constantes do acordo.
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8 comentários:

  1. Também concordo. É talvez uma das 3 questões mais importantes para a condição docente.

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  2. Cuidado com as cargas excessivas de horários e tarefas distribuidas aos professores, mas não a todos e nem sempre culpa do ministerio, que não defendo nem ataco, apenas constato o que vou afirmar! Nas escolas há sobrecargas horarias impostas aos professores (não a todos) de forma prepotente com alguma "ameaça" implícita. Não esqueçam que estamos a ser avaliados e...está tudo dito.
    Tirem a avaliação das escolas, ou seja, avaliem os professores, mas não através dos seus pares, pois ficarão à mercê destes o que é muito mau. Alguém duvida que as escolas estão um inferno onde impera o medo e a injustiça? O que é que as ministras têm a ver com isso, se isso é feito pelos próprios professores aos seus colegas?

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  3. Subscrevo o Ricardo. O assunto é fulcral. Temos de estar presentes nas reuniões; os relatórios, PCTs e afins têm de aparecer preenchidos; os testes têm de ser corrigidos... A componente não-lectiva não chega.

    Quando podemos fazer formação e investigação?

    O tempo tem de ser retirado de algum lado e todos sabemos o que são fins-de-semana e noitadas a trabalhar em casa.

    Para quem tem 7 turmas, 3 níveis (2.º e 3.º ciclo), 2 AP, 1 FC e uma Direcção de Turma, as reuniões são infindáveis...Já tive mais de 50 reuniões este ano e agora vêm aí as intercalares. Até ao final do ano devo chegar às 120 ou 130...

    Pergunto: Como é possível fazer uma gestão flexível do programa em cada turma, incorporando os saberes musicais extra-escolares dos alunos, atendendo aos que têm NEE, etc. etc.? Como é possível produzir materiais adequados a cada caso e actualizados, numa disciplina "viva" como a Música?

    Como é possível mobilizar, não só os saberes musicais, como também outras disciplinas e práticas, dentro da escola, para a realização de diversas actividades em horário pós-lectivo, tais como concertos ou sessões de poesia com música, por exemplo?

    Só há uma resposta: Trabalhando muitas horas extraordinárias que não são contabilizadas como tempo de serviço, não nos são pagas e, pior do tudo isso, não são reconhecidas.

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  4. Stora Carla.

    Diz que tem sete turmas nao é? Eu sou professora de Geografia e trabalho num colégio em que sou a unica professora da disciplina e tenho 6 turmas...a FENPROF ontem veio pedir que apenas se tenha no maximo 5 turmas, é isso?

    É que mesmo com as 6 turmas, tenho apenas metade do horario, porque Geografia tem-se poucos tempos semanais...
    Se puder ajudar, agradeco...

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  5. Colega de Geografia,

    Na minha anterior escola, a colega de Geografia tinha 10 turmas...

    O ano passado, um amigo meu tinha 11 turmas de Música de 3.º Ciclo...

    Tinham horário completo, mas é isto que acontece a quem lecciona disciplinas de 90 mn por semana :-(

    Não estou a par dessa reivindicação dos Sindicatos, das 5turmas por professor e também não sei o que vai sair da nova organização curricular do 3.º ciclo, com uma redistribuição da carga horária.

    Ricardo, sabes alguma coisa?

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  6. De: Colega de Geografia
    Para: Stora Carla

    Stora Carla, eu interpretei isso, do que foi colocado aqui no blog, da proposta da FENPROF... Será que interpretei mal o que está escrito? Fiquei mesmo na duvida.


    Proposta da FENPROF:
    4 - Nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário não poderão ser distribuídos, horários que incluam mais de 2 disciplinas, de 3 programas ou de 5 turmas por professor

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  7. Colega de Geografia:

    Faz todo o sentido a tua interpretação.

    A questão é que as NACs são áreas e não disciplinas... daí que seja possível leccionar a nossa disciplina, mais algumas APs, FC e EA, tudo inserido no mesmo horário.

    Cada uma destas áreas incide sobre diferentes temáticas/matérias e requer planificações próprias. Neste sentido, as áreas não disciplinares não diferem muito das disciplinas :-)

    Mais ainda, a Área de Projecto nunca é igual de turma para turma e requer um esforço constante de construção e encaminhamento dos diferentes Projectos, de orientação dos alunos e de actualização dos nossos conhecimentos... Ele é a "Educação para a Sustentabilidade", a "Educação para o Consumo"... etc. etc.

    Tudo isto nos consome uma exorbitância de tempo.

    Portanto, mesmo com menos turmas, se se mantiver esta panóplia de áreas no horário de cada um... pouco mudará.

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  8. http://ocontradito.blogspot.com/2010/01/docentes-querem-trabalhar-menos.html

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