sábado, 29 de novembro de 2008

O salvador do "simplex"?

1 comentário:

  1. Deslocam-se em bandos pela sala de professores de papéis na mão. Conspiram em grupo. Falam alto. Lançam tiradas categóricas, vulgo bocas. Gritam ainda mais alto se percebem que estão a ser ouvidos por alguém “deles”. Pela manhã inundam as mesas com fotocópias e caricaturas. A ministra, as novas leis e o Magalhães são o tema. O humor varia entre o riso alarve e o semblante zangado.

    - Por vezes aparece um abaixo-assinado. Quem vai entrando é arrebanhado para assinar. Olham os outros de lado. Não os percebem e pensam deles o pior possível. Devem ter interesses, ou são carreiristas. Devem querer poder. Entre eles chamam-lhes adesivos ou infiltrados. Mal lhes falam.

    -Quando se percebem de uma opinião diferente, recorrem aos chavões, deixam de ouvir, gritam, gesticulam e viram costas, literalmente. Outros, mais discretos, mudam de conversa ou de tom quando aparece um “dos outros”. Tentam transformar reuniões técnicas em plenários sindicais, barafustam a tudo o que se lhes pede. Procuram impor as suas visões pedagógicas. Maldizem o país e a sorte. Não percebem as mudanças nem se procuram informar. Desinformam os alunos.

    Odeiam os que aceitam a mudança como natural; os que acham que se pode melhorar procedimentos e que educar é muito mais do que transmitir conhecimentos; Não percebem que alguém pense dever haver recompensa ao mérito quando o trabalho não é igual; Não gostam da novidade e ficam mal dispostos quando alguém faz qualquer coisa com sucesso, se eles já pensaram o pior disso.

    Ficam em silêncio de gritos quando ouvem algum outro colega dizer que quer ser avaliado, também, pelos pais e encarregados de educação. E só acreditam ser capazes de melhorar resultados se viciarem a avaliação dos alunos.

    Tremem só de pensar que alguém lhe vai assistir a uma aula, que pode e deve haver reparos e que outros podem ter melhor nota. É a auto-estima em causa, sob o nome de dignidade.

    Vivem isto como uma fé militante. As manifestações são actos de devoção e sempre recordam o PREC ou tentam viver o PREC possível. A irracionalidade domina-os. A ladainha molda-lhes a existência e o negativismo consome-os. Não querem esta avaliação. Querem fazer o velho relatoriozito para o Satisfaz. Sempre foi assim.

    Por isso estou farto desta gente. Repito, farto. Já verifiquei que não sou o único a pensar desta forma.

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