terça-feira, 26 de setembro de 2017

Provedoria da Justiça | Queixas Mobilidade Interna

Foi hoje divulgada a tomada de posição do Provedor de Justiça relativamente às queixas apresentadas por um conjunto alargado de professores opositores à Mobilidade Interna, conforme se transcreve abaixo.

No fundo, podemos sumariar a posição como "um puxão de orelhas" ao Ministério da Educação e um "neste momento não há muito a fazer" aos queixosos. :(


"O Provedor de Justiça recebeu um conjunto alargado de queixas de docentes sobre os resultados do concurso de mobilidade interna. É contestada, no essencial, a decisão tomada pela Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) de, no referido procedimento, não ter posto a concurso todos os horários até então indicados pelas escolas, mas apenas os horários completos, vindo o preenchimento dos horários incompletos a ocorrer somente na primeira reserva de recrutamento.
De tal opção, alegam, resultou o desrespeito pela ordenação concursal assente na graduação, uma vez que docentes menos graduados obtiveram colocação na primeira reserva de recrutamento em escolas que os docentes mais graduados haviam escolhido preferencialmente.
Como é sabido, o Governo divulgou junto das organizações sindicais a intenção de antecipar a abertura de concurso interno para o próximo ano, ao que se seguirá novo concurso de mobilidade interna. Mais anunciou que «neste procedimento será permitida a mobilidade de todos os docentes que manifestem essa vontade, não sendo obrigado a fazê-lo quem não queira”, ou seja “os docentes que este ano obtiveram colocação [no concurso de mobilidade interna] e não desejem ser opositores ao procedimento antecipado» poderão manter as colocações obtidas no presente ano.
Esta solução traduz o reconhecimento, por parte da Administração Educativa, da inadequação dos resultados concursais. Só tal premissa justifica a abertura de novo concurso interno apenas um ano depois do lançado em 2017 e contrariando a periodicidade regra de quatro anos.
Na verdade, e independentemente da questão de saber se o diploma que rege os concursos permite a submissão ao concurso de mobilidade interna de apenas uma parte dos horários existentes, não pode deixar de se salientar que imperativos de justiça e boa-fé que predominam em toda a atividade administrativa exigem, em qualquer procedimento de natureza concursal, que seja dado aos candidatos conhecimento atempado de todas as regras concursais. Nos concursos de docentes, este conhecimento assume especial importância na medida em que os candidatos são chamados a manifestar as suas escolhas quanto às escolas onde pretendem ser colocados. E, independentemente de tais opções estarem sujeitas a limitações (os docentes dos quadros de zona pedagógica, por exemplo, são candidatos obrigatórios a todas as escolas e agrupamentos de escolas integradas no quadro a que pertencem), a sua manifestação em condições de liberdade e igualdade exige que toda a informação relevante sobre o concurso esteja disponível e seja clara, de modo a permitir aos candidatos antever, ainda que no plano das probabilidades, as consequências das opções tomadas.
Sob outro prisma, não pode a Administração Educativa prevalecer-se do desconhecimento, por parte dos candidatos, de uma parte das opções concursais por si tomadas, para obter ganhos em matéria de recrutamento de novos docentes que, de outra forma, não lograria integralmente.
A solução agora adotada difere, pois, a “correção” dos resultados concursais para o próximo ano escolar, tendo em consideração as prevalecentes razões de interesse público ligadas à necessidade de garantir a regularidade do início das atividades escolares. Na verdade, por força da tramitação sucessiva dos diversos procedimentos de recrutamento de doentes, a repetição do concurso de mobilidade interna envolveria forçosamente a reconstituição dos procedimentos seguintes, pois apenas os horários não preenchidos através daquele concurso podem ser submetidos à contratação inicial e reservas de recrutamento subsequentes. Donde resultaria que – a respeitar-se a reconstituição integral dos procedimentos concursais –, as atividades letivas apenas seriam encetadas com os docentes dos quadros de escola e de agrupamento que não tivessem concorrido à mobilidade interna.
Neste enquadramento, o Provedor de Justiça não deixará de apreciar, no momento em que for conhecida, a conformação, designadamente legislativa, que vier a ser conferida ao próximo concurso de mobilidade interna, com vista a garantir a ponderação dos diversos interesses em presença."

* negrito da minha autoria

8 comentários:

  1. nem sim, nem sopas, antes pelo contrário... :(

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  2. A parte positiva é posição do Provedor traduzir a convicção de um erro, erro esse que, até hoje, ainda não ouvimos o ME admitir cabalmente. A negativa é não haver sugestões para sanar totalmente a injustiça. :(

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  3. Vamos mandar esta decisão ao Investigador Deputado da nação "Silva". Pode ser que abra os olhos.

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  4. Nunca a injustiça vai ser resolvida se só vai a concurso quem quer. Quem está bem não vai concorrer, é óbvio, e quem foi ultrapassado não terá lugar para se aproximar...

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  5. Csimon, todos os que entraram nas redes terão de concorrer. Só os que ficaram colocados na MI podem optar. Portanto, os que ficaram melhor colocados, apesar de menos graduados terão de concorrer. É assim que interpreto a proposta. Estarei errada?

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    1. Leia a legislação dos concursos!Os professores colocados em horário anual até ao final do 1período,também ficam na escola, desde que tenham 6 horas lectivas. Não afirme o que desconhece.

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  6. *que entraram nas RR

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  7. Ao Provedor de Justiça não lhe assiste qualquer razão no sentido de responder da maneira que o fez sem qualquer conhecimento da real situação . Na verdade a lei foi bem aplicada e o que aconteceu mesmo foi a sua correta aplicação este ano , vejamos . Antes , era normal para vinculação ao Estado os docentes concorrerem de forma facultativa para todas as escolas independentes da distância . Lá colocados e vinculados aceitavam o lugar mas nunca o ocupavam efetivamente e era um lugar com horário completo . Socorriam sempre a um privilégio ilegal que era o de mobilidade e aproximação à residência que nunca deslocalizaram pela vinculação e na maior parte todos conseguiam a aproximação através de uma ilegalidade que era concorrerem a horários incompletos e mesmo muito incompletos por vezes . Uns mais tarde completavam esse horário mas outros nem por isso , ficando a usufruir de um vencimento de horário completo quando afinal tinham horário INCOMPLETO , sabia bem . E , nesse lugar ABANDONADO ficaria sempre um contratado emprestado que nunca podia vincular porque esse lugar estava já ocupado mas desocupado . Ora , ainda é pouco e o que o ME deve fazer é alter a lei e fazer com que lugares de vínculo sejam efetivamente ocupados pela PESSOA que o escolheu e lhe foi atribuído , com um período de carência e caso não o ocupasse em determinado tempo , o perderia e voltava a ter que concorrer mais mais tarde para vincular . Perderia o vinculo por ABANDONO do local que escolheu voluntariamente . Ora imagine-se em outras profissões do Estado tudo fazer igual só para ocupar Vínculos e logo abandonar o local de trabalho , era uma miséria . Se assim foi correto , o EXMO: Senhor Provedor de Justiça ou quem fez o texto , não sabe do que fala e mais valia estar calado porque assim beneficiava a lei e a criação de emprego justo em Portugal .

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