sábado, 26 de agosto de 2017

Atropelos nas colocações

Preparava-me para falar sobre os atropelos ocorridos no dia de ontem, mas para quê, quando o Paulo Guinote já o fez tão irrepreensivelmente?

As colocações de ontem – 5-6 dias antes do habitual, o que é de saudar – trouxeram mais algumas singularidades a todo este processo. Com o argumento de se evitarem “ultrapassagens”, aparentemente por pressão de um par de organizações sindicais e para-sindicais, só foram preenchidos horários “completos”, ficando por preencher muitos outros.
O resultado disso é que existem horários por preencher e professores dos quadros de zona pedagógica por colocar, sem qualquer necessidade. A menos que se esteja à espera do aparecimento de mais horários “completos” para colocar esses docentes na 1ª reserva de recrutamento, enquanto os restantes horários permanecem por preencher.
Vamos lá esclarecer alguns detalhes, assim à primeira vista e a pesar da imensa poeira que já se levanta em torno disto.
  • Em primeiro lugar, este ano foi perguntado aos candidatos à mobilidade interna (incluindo qzp) se já tinham redução ao abrigo do artigo 79 do ECD. E, devido ao imenso “rejuvenescimento” da classe docente, claro que há pessoas com 2, 4 ou mesmo mais horas de redução. Se repararem, nas listas, aparecem como “completos” muitos horários com 18 ou 20 horas. Se são mesmo assim ou não, não sei, mas uma primeira leitura dá a entender que, para além da graduação, os candidatos foram colocados tendo em conta esse aspecto. Ou seja… um docente sem redução, mais à frente na lista ordenada “pura” (classificação profissional, formada pela média académica e tempo de serviço), não terá sido colocado num horário de 18 ou 20 horas numa escola que tivesse colocado como uma das primeiras prioridades, podendo ter sido “ultrapassado” por alguém com mais idade e direito a redução, mas com menos classificação profissional. Não sei se assim foi, mas os elementos disponíveis permitem pensar assim.
  • Em segundo lugar, os horários “incompletos” não vão, por inerência, para professores contratados, existindo professores dos quadros por colocar, porque isso sim, seria uma evidente “ultrapassagem”. Vão para professores de qzp que ainda não tiveram colocação. E isso, para além da instabilidade da não colocação, pode trazer uma outra forma de “ultrapassagem” que só quem não anda nisto ou percebe destes mecanismos, pode negar. Ou dizer que é menos injusta do que outras formas de “ultrapassagem” (como vincular de forma “extraordinária” com base no tempo de serviço, nuns grupos com um determinado número de anos e outros com muito menos). Sendo que se vai percebendo que há professores colocados fora do seu qzp original (a a creditar por alguns testemunhos), tudo isto fica ainda mais esquisito.
  • Em terceiro e último lugar, por agora: os professores de qzp recebem a partir de 1 de Setembro, estejam ou não colocados e ao longo do ano recebem por inteiro de forma independente do número de horas estritamente lectivas que tenham. Não os colocar desde já, existindo horários disponíveis, é algo que não traz especiais vantagens financeiras, a menos que os deixem a “marinar” até existirem horários completos, enquanto entregam horários menores a professores contratados para lhes pagarem menos. E, neste caso, há algo paradoxal, que é prejudicar financeiramente esses docentes contratados (com base numa alegada reclamação de organizações que os dizem representar), mas permitir que ocupem lugares em escolas e agrupamentos eventualmente escolhidos nas primeiras prioridades pelos professores de qzp.
Isto é um emaranhado, nem sempre compreensível para quem só se preocupa com a sua situação particular, que foi muitíssimo agravado nos últimos dez anos com a introdução de mecanismos distorcedores da boa e velha listagem ordenada de professores que, mesmo nos velhíssimos mini-concursos distritais, era mais simples de controlar. Existiam abusos ocasionais, horários debaixo da mesa? Sim, existiam. Mas agora as distorções são “sistémicas” e validadas pela própria tutela. Começou com a tentação de alterar a classificação de concurso com as avaliações da add, continuou com o disparate da bolsa de contratação de escola e aquelas entrevistas manhosas, com as “poupanças” na contagem do tempo de serviço dos contratados em alguns anos de forma a impedi-los de ter anos completos, assim como com “reconduções” à la carte (em que num sítio valiam umas regras e em outros uma coisa completamente diferente) e culminou nesta coisa das vinculações “extraordinárias” muito elogiadas agora por quem as criticara há uns anos.
Tudo, parece, em nome de flexibilidade e eficácia. Uma imensa porcaria, validada pelos bons escuteiros que temos, neste momento, aliados na governança da Educação e que partilham (desde que o seu couro esteja safo) naquela de o ME não ter como principal preocupação a situação profissional dos docentes, mas tão só “o interesse dos alunos”.

21 comentários:

  1. Obrigada, Ricardo, retidão inabalável!

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  2. O texto não é do Ricardo, mas sim do Paulo Guinote!

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  3. Todos os anos o ME tira um coelho da cartola. Entretanto as injustiças cada vez são piores. Agora na RR1 lá vão aparecer horários para professores menos graduados. Uma vergonha....

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    1. E nós vamos-nos ficar? Na legislação que rege o concurso da Mobilidade Interna existe referência a obrigatoriedade de ficar colocado num horário completo em detrimento da preferência seja ela num horário incompleto? E agora os professores menos graduados ficam a porta de casa num horário incompleto que eu também concorri?

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    2. E vamos fazer o quê? É a classe que temos. Sindicatos, que deviam defender a classe, ninguém os ouve a este respeito. Para uns serem injustiçados, outros são beneficiados e estes vão defender a sua até ao fim. Duvido até da legalidade desta situação mas para isso precisávamos dos sindicatos e dos seus serviços jurídicos. Eles estão ao lado do ministério, incondicionalmente. Até os vemos elogiar a forma prematura da publicação das listas. Todos deviam ter igualdade de oportunidade de acesso a todos os horários. Mas nós que sentimos na pele ainda temos que levar com alguns comentários absurdos. Gostava de saber a situação em que esses génios se encontram!!!!

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    3. Concordo inteiramente! Só de pensar que já descontei tantos anos para o sindicato!

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    4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. santíssima...era ISTO que eu queria destacar...mas falha a destreza. Obrigada Paulo Guinote! Love Ya!

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  5. Mas quem são esses professores de QZP com componente letiva inferior a 18 horas? Haverá assim tantos? Por outro lado, penso que as próprias escolas quando manifestaram as suas necessidades, não sabiam desta particularidade, ou não se aperceberam, pois algumas delas teriam "composto" melhor os seus horários...

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  6. Na minha escola do ano passado pediram horários para vários grupos e ninguém foi lá colocado. Assim sendo agora irão aparecer esses mesmos horários para, possivelmente, colegas com menor graduação! Nós não podemos fazer percurso hierárquico sabendo da existência desses horários que ficaram na gaveta?

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  7. Tenho tido horário zero nestes últimos 4 anos. Na escola onde estive em 2016/17 fiquei com horário de 11 horas. Este ano havia lá um horário de 10 horas pensei que seria para mim mas afinal não foi a concurso, ficaria com as minhas turma do ano passado. Fui colocado num horário de 18 horas que de acordo com o artigo 79 são as que tenho direito. Para quem vai este horário de 10 horas que não foi a concurso? Fui prejudicado pois bastavam 6 horas para um professor com horário zero. Alguém me pode elucidar sobre este tema? obrigado

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    1. Boa noite, Fernando. É QA/QE ou QZP? Se for QA/QE é QA/QE da escola onde esteve a lecionar no ano passado? É que for esse o caso, e a haver efetivamente essas 10 horas e ser o único professor desse grupo a ter sido indicado como tendo insuficiência letiva, deveria ter sido retirado da mobilidade interna. Fiz-me entender?

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    2. obrigado Helena mss... sou QA/QE na escola A, estava já destacado na escola B onde há o tal horário de 10 horas. Este ano penso que tínhamos todos que concorrer mesmo que houvesse horário na escola onde estávamos destacados por falta de componente letiva na escola de provimento.

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    3. Sim, todos os profs QA/QE com insuficiência letiva na escola de provimento e todos os profs qzp foram obrigados a concorrer à MI. O que passou conigo é igual ao que se passou com, arriscaria, milhares de profs da MI que se viram empurrados para distâncias enormes em virtude da tutela ter optado, injustamente, por não disponibilizar quaisquer horários incompletos nesta fase. É revoltante.

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    4. não era preciso errata... obrigado. bom... já estou mentalizado por vezes é bom mudar. só faltam 9 anos... eheheheh!!!!

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  8. No meu caso estive no ano passado colocado numa escola num horário de 9 horas que depois foi completado. Agora sou colocado a 250km de casa e porquê? Sendo QA com horário ZERO de uma escola da Área Metropolitana de Lisboa tenho obrigatoriamente que concorrer para essa Área. Assim sendo, contava ficar bem mais perto de casa, como fui colocado num horário de 22 horas, toca de fazer malas, dizer adeus aos familiares e partir todo contente, sabendo que um qualquer colega menos graduado vai ficar com um lugar que certamente seria para mim.

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    1. Acrescente a essas injustiças a colocação em primeiro lugar dos "doentes". As injustiças não param. Só quem não quer ver é que não vê!

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  9. Boa noite!
    Penso que a haver professores QZP menos graduados a serem colocados em escolas que faziam parte das preferências de um QZP mais graduado (não tendo este ficado com o lugar), terá de haver lugar a reposição da justiça. Tem de haver maneira de reclamar a situação!
    Que eu tenha conhecimento, a forma como as colocações foram feitas não foi transmitida nas regras do concurso, ou foi?!
    Alguém que seja entendido nestas questões de direito e saiba como poderemos reclamar?


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  10. No distrito de Coimbra praticamente não ficou ninguém colocado no meu grupo.A maior parte das escolas tem mais turmas(devido ao fecho dos colégios particulares) há decerto mais horários e vão ficar para colegas menos graduados, temos mesmo que reclamar esta situação, se souberem como reclamar avisem. Devemos reclamar todos..

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