terça-feira, 26 de novembro de 2013

Nunca foi uma questão de medo

Professores contratados não têm medo de realizar qualquer prova 

Comentário: Bem sei que alguns (julgo que poucos) pensam que o motivo da contestação relativa a esta prova se prende com medo de não ficar aprovado... 

Não poderiam estar mais longe da verdade. 

Primeiro porque este ano a prova tem um regime de exceção relativamente a eventuais "não aprovações" e como tal muito desse argumento fica desde logo desmontado. E em segundo, quem melhor do que professores (que têm de lidar diariamente com questões de várias tipologias, não só porque as colocam mas também porque as respondem - e os alunos são mestres em as colocar) para responderem a questões de âmbito geral. No que concerne às questões de âmbito específico, bem... Estamos a falar de licenciados, mestrados e mesmo doutorados numa determinada área. Alguém acredita que existe receio em enfrentar esta prova?

Enfim...

Mais do que qualquer receio, o que está em cima da mesa é mesmo a (falsa) filtragem feita a jusante do (eventual) problema, que pouco ou nada irá aferir acerca da qualidade do docente, mas que mais uma vez apenas serve para colocar a nossa classe profissional em análise e numa posição de fragilidade a que não deveria ser sujeita.

4 comentários:

  1. Ricardo, especialmente em relação às questões de âmbito específico, parece-me que os professores têm algum receio em realizar a prova. Não quero dizer com isto que estão mal preparados. Mas para quem leciona 3º ciclo há bastante tempo é normal que já não domine os conteúdos de um modo mais pormenorizado. Por exemplo, duvido muito que todos os professores de Biologia e Geologia respondessem com sucesso a um exame nacional desta disciplina. O que é normal, por isso é que é necessário haver tempo para preparação das aulas. Depende muito do grau de profundidade das questões da PACC.

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  2. Mudando de assunto, já repararam na proposta de Metas Curriculares de Ciências Naturais de 9º ano, que está em discussão pública?
    Que ideia é aquela de introduzirem o objetivo geral 12, “aplicar medidas de suporte básica de vida”? Apenas vem reforçar a ideia, já presente no documento anterior, de segmentação do conhecimento científico. Parece-me que seria preferível, em nome de uma aprendizagem científica eficiente, aumentar o nível de exigência dos conhecimentos científicos relativos aos principais sistemas do corpo humano, e à relação entre eles, do que estar a aumentar a quantidade de conhecimentos científicos a abordar no 9º ano em Ciências Naturais, num currículo já de si muito extenso.

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  3. O maior receio desta prova, prendesse com a decisão de a realizar ou não e acatar com as consequências que daí advenham.
    Se tomámos a decisão de a fazer é com receio de podermos ficar desempregados no próximo ano.
    Se tomámos a decisão de não a fazer e lutar pela nossa dignidade e da nossa profissão, temos receio de que esta loucura de prova não seja anulada e ficamos desempregados no próximo ano.
    Para uns a decisão será por desespero, para outros será por dignidade.
    Para mim tanto uma opção como outra só me parece um convite do, Sr. (se assim se pode chamar) Nuno Crato sentado no caldeirão a perguntar, queres entrar para o inferno pela porta da direita ou pela porta da esquerda.

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  4. Será mesmo para aferir a qualidade do docente? Parece-me mais que será para arrecadar mais uns trocos. Reparem: cada professor paga no mínimo 20€, isto se não tiver provas específicas. Já fizeram bem as contas aos professores contratados? Pode parecer pouco, mas é como fazer provas de aptidão num concurso para a PJ, por exemplo. Paga-se 60€ só para a candidatura, mesmo que se seja excluído à partida e não se seja convocado para prestasr provas. E na verdade pode não haver concurso nenhum, certo? Aqui sucede o mesmo. Quem nos diz que de hoje para amanhã o Governo não diz "como os professores protestaram muito, as provas que fizeram já não vão contar para poderem concorrer... mas nos próximos anos poderá não ser assim."?
    Cá para mim isto não vai dar em nada (até porque seria ridículo o TC deixar passar um atestado de incompetência às Universidades Portuguesas), e o Estado vai ganhar mais uns tostões para pagar os seus almoços de Ministros.
    Enfim...

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