terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cada vez pior...

Um quarto das escolas terá autonomia antes de Janeiro 

Comentário: Quem me conhece pessoalmente ou tem o hábito de ler o que escrevo neste blogue, conhece perfeitamente a minha desconfiança relativamente à autonomia (relativa, bem sei...) que se pratica nas escolas portuguesas. A autonomia em Portugal anda de mãos dadas com o compadrio, e na situação específica das contratações de escola, aparentemente de nada valem as queixas e reclamações.

Bem sei que o centralismo também não é solução, mas existem formas de dar essa autonomia sem que se coloquem em causa direitos. 

Resta-me concluir que com os normativos legais que temos (subjetivos q.b.) e com a vigilância sobrecarregada da legalidade da sua aplicação (ou não), atribuir autonomia é contribuir para a manutenção de pequenos poderes. Obviamente que existem exceções, mas não me venham dizer que são casos isolados.

O futuro da autonomia nas escolas depende da mudança de mentalidades de quem as gere e da força dos professores (em concreto, de quem os representa)... Como tal, o mais certo é mesmo termos um reforço no número de escolas com autonomia e o concurso nacional tal como o conhecemos, desaparecer. Sim... Porque a autonomia nas escolas também é autonomia nas contratações de pessoal.

2 comentários:

  1. Ricardo, a mim aflige-me outro aspecto neste assunto, de teip, não só, evidentemente pela contratação directa.Se o próprio nome teip (território de intervenção prioritária),já é assustador, significa que essa escola tem algo de anormal, como problemas comportamentais graves, certo?É então assustador que esse número de escolas esteja a crescer a olhos vistos, o que significa então que há cada vez mais distúrbios em territórios escolares e problemas comportamentais, porque estes nomes bonitos foram criados para escolas de risco(bem,teoricamente)porque na prática isso é o que menos importa,então se o número dessas escolas estão a aumentar a uma velocidade relâmpago, quer isto dizer que a nossa educação de uma forma geral está uma grande merda, cheia de problemas, o que me leva a pensar que todas estas medidas politicas estão a falhar gravemente, e que daqui a poucos anos tudo seja de intervenção prioritária, mas onde está a dita intervenção, na contratação direta?Parece-me muito pouco para problemas tão graves.Seria normal que estas escolas fossem uma pequena minoria, como excepção à regra, mas o que parece é que no nosso país a excepção caminha para, sendo uma situação normal, essa será então a excepção (as escolas sem intervenção prioritária).Ora, como não tenho nem pretendo ter filhos delinquentes, em que escola o ponho a estudar daqui a pouco tempo quando tudo for de intervenção prioritária.Mais, se assim é, com tantas escolas de intervenção prioritária, isso quer dizer que estamos perante uma bomba social, que a educação está a explodir de loucura, contradições e futuros cidadãos com problemas sabe-se lá a que nível.Então, deveria tentar reverter-se esta situação e o objectivo deveria ser ir eliminando as de intervenção resolvendo os problemas das escolas e não o contrário, estarei a pensar errado?

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  2. Autonomia com prestação de contas é o caminho para a responsabilização das escolas, dos professores e dos seus gestores (incluindo a sociedade civil, por via do conselho geral). Muitos dos problemas das nossas escolas estão na crescente desresponsabilização dos agentes educativos (que não só os professores). É certo que está po0r provar que a autonomia seja sinónimo de melhoria dos resultados de aprendizagem dos alunos, que depende de outros fatores. Mas rejeitar a autonomia é contribuir para a crescente desprofissionalização, já em marcha, da profissão docente - uma profissão é formada por um grupo de pessoas que exercem uma função específica, que requer conhecimentos próprios e que detém AUTONOMIA na sua execução, na produção de conhecimento profissional, na sua organização, regulada por pares. Menos autonomia, significa mais controlo por terceiros - leia-se, pelo estado - que não professores!

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