quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A análise merecida.

Como já tinha referido, sinto-me cansado, no entanto, não posso deixar de fazer uma análise (tendenciosa) do ambiente vivido entre professores (organizados em movimentos ou não) e sindicatos.

Os motivos apontados por Mário Nogueira para a não adesão dos sindicatos à manifestação de 15 de Novembro, foram: o agendamento tardio, a divisão entre professores, o aparente discurso anti-sindical e a convocatória com recurso a blogues e sms.

Quanto ao agendamento tardio, não há muito a apontar. Basta pensar um pouco. A reunião convocada pelos movimentos independentes foi convocada para 15 de Novembro. O plenário convocado pela plataforma foi convocado para 8 de Novembro. Será que uma semana faz toda a diferença? Claro que não... Mais valia não terem utilizado este motivo. A antecipação dos sindicatos ocorreu por puro protagonismo e este facto nunca será esquecido.

Relativamente à divisão entre professores. Argumento correcto. Com estas duas manifestações certamente irá ocorrer uma divisão entre professores. Dificilmente os professores que não estão nas proximidades de Lisboa, se irão deslocar lá duas vezes consecutivas (intervaladas por uma semana). Mas se os "protagonistas" sindicais se lembrarem, quem iniciou essa divisão foi o Ministério da Educação, posteriormente reforçada pelos sindicatos, aquando da assinatura do Memorando de Entendimento. A continuidade da clivagem só depende dos professores. Continuamos com ela e afundamo-nos ainda mais, ou engolimos a indignação e optamos pela defesa do ensino? A decisão nunca será colectiva, mas sim meramente individual. Ninguém dita as regras... O interveniente aqui é a nossa consciência.

Em relação ao discurso anti-sindical. Obviamente que sim... Foi necessária a intervenção de movimentos independentes para os sindicatos se mexerem. Já há muito que os professores clamavam por alguma iniciativa dos sindicatos, que não as petições que pouco efeito produzem. Nada estava a ser feito. Quando quem tem poder para fazer algo, não o faz, o que seria de esperar? Elogios? Palmadinhas nas costas? Claro que não... Se não estão a trabalhar bem, têm de ser criticados (tal como o inverso, que também se aplica).

Quanto às convocatórias por blogues e sms. Mas será que os sindicatos estão isolados da evolução tecnológica. Será que os seus dirigentes pararam em 1982 (segundo alguns especialistas o ano anterior ao aparecimento da internet)? É um forma de mobilização tão válida como um papel afixado na parede. Desde que funcione, porque não?


Passando às manifestações propriamente ditas. De uma forma ou de outra, é uma "auto-boicote". Sabemos perfeitamente quem lhe deu "combustível e ar", no entanto, não deixa de ser um motivo de contentamento para o Ministério da Educação e um motivo de clivagem para a nossa "classe". Eu próprio sinto dúvidas quanto à manifestação que vou escolher. Certo, certo é que não irei às duas. Relativamente à de dia 8 de Novembro, vou ser sincero. A vontade de participar é mesmo mínima. Não concordo com a forma como os sindicatos agiram, independentemente dos motivos serem tremendamente válidos. Em relação à de 15 de Novembro, sinto que se não participar, estarei a "trair" os meus colegas que se "chegaram à frente" (APEDE e MUP) quando os sindicatos não o fizeram. Estes sim, merecedores de todo o meu respeito e admiração (ao contrário, dos sindicatos). Como podem verificar, não sei muito bem o que hei-de fazer. O que vale é que ainda tenho pela frente algum tempo para tomar uma decisão. Como já referi, esta decisão prende-se com o facto de não poder ir a ambas as manifestações. Se não fosse isso, iria certamente às duas, no entanto, sem grande entusiasmo à de 8 de Novembro (arranjando mesmo uma forma de publicitar a minha não filiação a qualquer sindicato). Mas ainda reside em mim uma esperança: A esperança de que o "pessoal" (sindicatos, movimentos e professores) ainda se entenda e opte por fazer apenas uma...

Nota: Coloquei ontem neste blogue, um inquérito relativo às manifestações. Seria interessante que os colegas votassem. No dia 1 de Novembro colocarei aqui, os resultados desta "sondagem". De referir ainda que cada colega apenas pode votar uma vez.

4 comentários:

  1. Que raio quando nem deveria haver divisão..acontece isto. Parece sabotagem....

    Deveria haver uma somente e deveria (ao meu ver) ser respetado o dia 15.

    Não deve haver desunião mas sim UNIÃO.

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  2. Isto anda tudo a puxar a brasa à sua sardinha.
    Os sindicatos já mostraram q n conseguem alhear-se do sentimento/interesse partidarista e a nossa luta não serve para agir querendo agradar a gregos e troianos. Ou estamos com os sindicatos e já sabemos no q dá. Ou estamos por nós...
    Além do mais, foi uma feia jogada sindicalista:
    Vocês vão ver quem é q tem força! Vão ver q se n estiverem connosco, sós nada poderão!
    Esta é a ideia dos sindicatos.
    Será q todos os profs estão cegos??? É tão claro como água quais são os reais propósitos para a manif de 8 de nov. Não se deixem enganar e mostremos a força dia 15!!!!!!!!!!!! depois se verá!

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  3. "Os motivos apontados por Mário Nogueira para a não adesão dos sindicatos à manifestação de 15 de Novembro, foram: o agendamento tardio, a divisão entre professores, o aparente discurso anti-sindical e a convocatória com recurso a blogues e sms."

    Hummm... engraçado, os SMS's foram tão vangloriados aquando das manifestações locais antes da Mãe de Todas as Manifestações a 8 de Março... ou já se esqueceram? É pena, pois estes "motivos" não me convencem. No entanto tenho perfeita noção que o papel dos sindicatos também não é fácil... Agora esta divisão... só interessa ao ME, que está a esfregar as mãos de contentamento, para depois poder dizer "foram apenas alguns os professores que nem assim se entendem". Não é esta a imagem que quero dar da nossa classe docente. Assim, estarei em... ambas as Manifestações.

    João Francisco

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  4. a atitude da fenprof mais parece um favorzinho ao ME. A atitude mais correcta deveria ser a de manifestar os seus motivos de descontentamento, mas juntar-se à manif de dia 15. Mas isso não lhes interessa, porque lhes retira o protagonismo. E a educação que se lixe.

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