segunda-feira, 6 de março de 2017

Possíveis respostas à questão de uma Encarregada de Educação...


Comentário: Se clicarem no link acima irão aceder a uma carta aberta redigida por uma Encarregada de Educação, destinada aos Professores em geral (embora seja feita a resalva de que se destina em particular aos colegas da escola básica dos 2º e 3º ciclos do Campanário), e que por qualquer motivo não consigo evitar de responder.

Colocarei as questões e de seguida as minhas respostas.

Q1) "(...) como fica a autoridade e o respeito que se deve a um professor?"

R: Em boa verdade não fica... Da autoridade e respeito ficou muito pouco, uma vez que a última década de medidas políticas na educação foi dedicada à promoção do desrespeito pela figura do professor. E terá de admitir que muitos Encarregados de Educação aplaudiram essa estratégia, e os que não aplaudiram, provavelmente até voltaram a votar no partido político que primeiro aplicou a estratégia do desrespeito.

Q2) "Será que não estão a contribuir para a formação de pequenos déspotas?"

R: Sim e não... 

Sim, porque após anos e anos de violência física e psicológica, aprendemos a preservar-nos. E ninguém poderá criticar-nos por não querermos "apanhar" umas bofetadas ou ver o nosso veículo automóvel vandalizado só porque tentámos compensar um défice de educação (e esta é - ou deveria ser - a função principal dos Encarregados de Educação). 

Não, porque existem factores que não dependem da nossa iniciativa profissional, nomeadamente: normativos legais pouco criativos e estimulantes para quem pretende manter a disciplina; hiperburocracia desmotivante; complicadas fórmulas de financiamento escolar; elevado número de alunos por turma; - e quiça o factor mais relevante - défice grave de educação dos nossos alunos e de alguns dos seus Encarregados de Educação.

Q3) "Vão ficar à espera de mais agressões e violência?"

R: À espera não... Já sabemos que pelo menos uma vez por mês, algum professor será alvo de agressão física, e que diariamente serão milhares aqueles que padecem de violência psicológica.

Q4) "Digam-me senhores professores, porque me parece que não posso confiar-vos os meus filhos para complementarem o que lhes transmito em casa?"

R: Deve confiar, mas deve confiar acima de tudo porque somos excelentes formadores. O que lhes transmite em casa, julgo que educação, essa apenas será reforçada e valorizada na escola. Seremos um excelente complemento (como referiu, e bem), mas não a base de algo que não existe ou existe em níveis praticamente nulos.

Q5) "Por que motivo os meus filhos, quando os castigo me respondem que na escola fazem o mesmo e os professores não dizem nada? Por que é que os meus filhos me dizem que os colegas “respondem torto” aos professores e que eles não os castigam?"

R: Deve antes fazer o raciocínio contrário, isto é, se os "castigar" corretamente em casa, estou certo que os professores já não terão esse problema. Os seus filhos são parcialmente influenciáveis pelos colegas de turma, mas acredite que a educação, essa, não se esfuma a partir do momento em que entram nos portões da escola.

1 comentário:

  1. Quem é ou já foi diretor de turma sabe que é frequentemente ouvir encarregados de educação a dizer que eles conhecem muito bem os filhos, dão-lhes muita educação, disciplina, etc. O problema é que esses meninos são invariavelmente os piores em termos falta de educação, dissimulação e irresponsabilidade.
    À senhora encarregada de educação só tenho a dizer que "presunção e água benta, cada um toma a que quer" e talvez já seja tempo de conhecer e enfrentar a realidade.

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