quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pequena reflexão sobre (eventuais) injustiças

Não serei o mais antigo na blogosfera docente, mas terei sido dos primeiros a opor-me a esta tipologia de vinculação extraordinária. Tal oposição granjeou-me algumas inimizades, no entanto, tal como então também agora continuo a defender que este tipo de vinculação fortalece injustiças no seio da nossa classe e não repõe de forma justa a precariedade dos docentes contratados.

Continuo a defender que deveriam ser apuradas as reais necessidades das escolas (ou em alternativa, dos quadros de zona pedagógica), e posteriormente colocá-las num concurso ordinário (e não extraordinário) a que todos pudessem aceder. A questão da vinculação dos colegas contratados ad eternum também seria facilmente resolvida se o Governo cumprisse com a lei geral e não fechasse vagas onde elas são necessárias, recorrendo de forma sistemática à contratação.

Aquilo que agora foi estabelecido como regra em termos de a abertura de vaga no quadro de zona pedagógica, ou seja, "os contratos a termo resolutivo sucessivos celebrados com o Ministério da Educação e Ciência em horário anual e completo, no mesmo grupo de recrutamento, não podem exceder o limite de 5 anos ou 4 renovações" e que se tal ocorrer, determina "a abertura de vaga no quadro de zona pedagógica onde se situa o último agrupamento ou escola não agrupada em que o docente lecionou" há muito que deveria ter sido implementado. E mesmo assim, esta regra não cumpre com a lei geral.

Obviamente que aquilo que constitui uma "manha" ministerial (traduzindo: concursos de vinculação extraordinária) se torna alvo de críticas por parte de vários professores (maioritariamente dos quadros) que consideram injusto não poderem aceder a essas vagas. E com razão, na minha opinião. No entanto, aquilo que seria lógico, acaba por ser traduzido por outros colegas, como crítica ou oposição à entrada dos colegas contratados nos quadros. Não o é. E quem critica esquece-se que um dia também poderá ingressar nos quadros e que estes mecanismos de vinculação apenas servem para o Governo adiar a reposição das injustiças geradas com as contratações sucessivas. É um exemplo clássico de divisionismo pouco inteligente.

E para aqueles que defendem que poucos são melhores que nenhuns, lembrem-se que algo similar ocorrer com a Prova de Conhecimentos e Capacidades, onde também defendo que ou a fazem todos (contratados e dos quadros) ou então só mesmo aqueles que agora estejam a terminar os cursos via ensino (e que, como tal, não foram sujeitos a avaliação ao nível de escola).

O mesmo se passa com as prioridades em termos concursais, em concreto na questão da mobilidade interna... Para mim, quase tudo se resumiria à graduação, que julgo ser o critério menos injusto. No entanto, também não é isso que acontece.

Não defendo a divisão "artificial" da nossa classe, nem consigo ser muito tolerante com aqueles que insistem em "cavar fossos" e apontar outros colegas como culpados dos problemas que não foram por nós gerados, mas que poderiam (bastando um pouco de união) ser por todos nós resolvidos. Enquanto olharmos apenas para o "nosso" umbigo, para o "meu" problema em particular, continuaremos a ditar a nossa desgraça. Os sucessivos governos sabem disso, e utilizam este nosso egoísmo para dominar toda uma classe profissional, ao ponto de, estarmos mais ocupados uns com os outros, que com os reais problemas do sistema educativo.

Para o ano, voltarei ao mesmo, pois há muito concluí que não somos uma classe que aprende com os erros do passado.

12 comentários:

  1. Concordo em pleno!!!!!!

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  2. Não podia estar melhor explicado. CONCORDO! em absoluto

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  3. Voltando aos concursos... o delegado sindical da minha escola informou-me que os QZPs e QE teriam um período para concorrer mais à frente lá para Junho após a saída das listas graduadas deste concurso extraordinário em que os profs por motivo de ausência de horário ou por opção pessoal, (por exemplo, para aproximação à residência), poderiam ser opositores. É verdade?

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  4. Pois, o incrível é como nós, na generalidade, nos vamos apercebendo destas coisas, reclamamos e fazemos destas coisas tema de conversa durante uns tempos e, depois, em concreto, fazemos tão pouco ou nada no sentido de forçar uma mudança que vá ao encontro de um enquadramento mais justo para todos.

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  5. Sim, tudo isto é verdade, no entanto parece-me que vai haver aqui uma deturpação do aspeto mais importante que existe na nossa classe: uma lista graduada. É esta lista que identifica o esforço que fizemos para sermos professores, e há quanto tempo andamos nesta luta. Este concurso extraordinário será injusto, se forem ocupadas vagas por colegas menos graduados do que aqueles que estão em QZP´s a centenas de Km de casa, e que desta forma jamais conseguirão aproximar-se de casa.

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  6. Aproveito para divulgar o quu foi publicado no Blog de Arlindo e o que podemos fazer ativamente para melhorar a nossa situação:

    http://www.arlindovsky.net/2014/05/pedido-de-divulgacao-providencia-cautelar-ao-concurso-extraordinario/

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  7. 100% de acordo (gostava colocar 10000%, mas matematicamente seria um erro grave.. ;))
    É excelente ver-te de volta com os teus magníficos textos de reflexão.
    Forte abraço

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  8. Concordo em pleno. Parabéns pela clareza.

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  9. Parabéns, Ricardo!
    A injustiça é sempre injustiça, doa a quem doer. Na nossa classe tem vindo a aumentar o número de pessoas que só olham para o seu umbigo. Temos que ser francos e justos, por mais que nos custe.
    Boa sorte para todos.

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  10. Híbrida és tão boa!! e eu que o diga

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  11. REGRESSA FAZES FALTA.GRANDE REFLEXÃO NOVAMENTE.BEM HAJA.

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  12. Alguém de quadro no índice 167???

    Pois para o ano vão ganhar menos que os contratados com 4 anos de serviço!!
    Veja-se Artigo 43º do Famoso DL83-A/2004!!

    Quero concorrer a contratada!!

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