quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Para refletir...

A cada ano que passa a desilusão com a profissão é cada vez maior. Admito que os que nela se mantêm (pelo menos a maioria) o fazem porque o curso que obtiveram e a idade entretanto atingida não lhes permitirá sair de um sistema estrangulador.

E para este sistema estrangulador contribuem diversos factores, a que poucos serão indiferentes, como por exemplo:

a) Um número cada vez maior de alunos por turma (em salas de aulas que não apresentam características físicas que o suportem);
b) A crescente falta de respeito a que somos sujeitos por alunos, encarregados de educação, opinião pública e pelos sucessivos governos;
c) O acréscimo insustentável de trabalho burocrático (algum dele que deveria - e já foi - ser responsabilidade de quem se encontra nos serviços administrativos);
d) A multiplicação de documentos e de trabalho que nem sequer encontra suporte na legislação, mas que agrada a quem dirige as escolas e agrupamentos de escolas;

e) A cada vez maior solicitação científica, nomeadamente nos cursos profissionais, onde são atribuídas disciplinas que deveriam ser asseguradas por técnicos especializados;
f) A manutenção de programas das disciplinas com um número inferiores de horas para os concluir;
g) A constante e sistemática alteração das regras e normas, que só com muito esforço consegue ser acompanhada;
h) A permanente ameaça de "ausência de componente letiva", de "não renovação contratual" ou simplesmente de desemprego.

E muitos outros poderiam ser referidos... Mas penso que estes são suficientemente abrangentes.

Tudo aquilo que enumerei anteriormente terá como culpados óbvios os governantes que se sucedem no tempo, mas também nós, enquanto classe contribuímos para tal. Somos desunidos e acima de tudo suportamos a nossa defesa em demasiados sindicatos. 

Soluções? Não as consigo vislumbrar... Para muitos resta sobreviver, em substituição de viver uma profissão que até há uma década atrás consideravam como estimulante e que contribuía para a formação dos jovens portugueses.

13 comentários:

  1. Como sempre, tens a perfeita noção da realidade. Pena que não sejam todos assim :(

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  2. pois é pena que nao sejam todos assim, porque as coisas estariam muito melhores

    http://ocarteiravazia.blogspot.pt /

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  3. As escolas mais pequenas de província são as piores na burocracia e no trabalho administrativo. É só tretas que não interessam a ninguém. Ninguém vai olhar para aquilo, mas perdemos inúmeras horas a preencher papelada e a fazer relatórios da treta.

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  4. Ricardo, apontas em dúvida pontos fundamentais para uma crescente desilusão dos professores na sua profissão. Eu, entre muitos, sinto isso. Aliás, para quem me conhece, que sabe que estou a dar os últimos cartuchos no ensino (infelizmente), sabe que o digo, há muito tempo.

    Contudo, e sendo tudo isso verdade, na realidade os dois pontos essenciais para a saída de muitos professores do ensino (uns para outras profissões, outros simplesmente para o desemprego) baseiam-se na falta de horários, mas igualmente, a obrigatoriedade de concorrer a duas zonas gigantescas.

    Apesar de dar aulas à mais de 10 anos, pessoalmente decidi não continuar a viver vida de nómada. Até agora, todos esses sacrifícios eram feitos numa lógica de evolução no concurso e nas probabilidades de ficar cada vez mais perto de casa, com alguma estabilidade envolvida. Neste momento, é o contrário. Neste momento, a maioria dos professores contratados sabe (ou deveria saber), que se não forem de Lisboa ou Porto, terão de andar nos próximos anos a pedinchar horários por todo o país. E mesmo nas duas maiores cidades do país haver horário não é líquido.

    Portanto, apesar de todos os pontos que indicaste serem motivo de afastamento, desilusão, desmotivação, entre muitas outras coisas, os dois pontos que estão a afastar (na maioria dos casos permanentemente) os professores do ensino são mesmo os brutais cortes na educação (alguns mencionados por ti) e a tremenda falta de respeito pelos contratados ao abrigarem-nos (indivíduos sem qualquer vínculo ao estado) a concorrer a áreas muito superiores do que qualquer professor vinculado ao estado.

    Cumprimentos de um futuro ex-professor...


    (ps: aparentemente nunca fui professor. Passei anos a ser chamado por MLR de candidato a professor, e de repente, passei a futuro ex... Viva o Crato!)

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  5. Sinto exatamente o mesmo e sei que é uma questão de tempo (curto prazo) abandonar a profissão. porque a cada dia que passa fazem-me sentir mais lixo.

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  6. Subscrevo! Trabalho há 30 anos e, este ano, tenho "só" 10 turmas (4 todas juntas), 5 níveis e apoio a 2 alunos NEE. Das 10 turmas, 4 são de ensino regular (3º ciclo) e 6 são de profissional. Nestes 5 níveis, disponho de 2 disciplinas para leccionar: Português e Francês...Que dizer? Se chegar à Páscoa sem um esgotamento, sobrevirei ;)
    Carmo Roby

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  7. Como todos que aqui deixaram o seu testemunho, e se calhar tú, ainda acrescentaria mais uns pontos...mas é um excelente resumo do desabafo sobre o estado da profissão e da educação.

    Este não bastam! Sobram.

    E pior são o tipo de desabafos de quem se preocupa com a Educação, correndo o risco, ou estando mesmo condenado a abandona-la. E esses, os que realmente se preocupam é que fazem falta.

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  8. c) O acréscimo insustentável de trabalho burocrático (algum dele que deveria - e já foi - ser responsabilidade de quem se encontra nos serviços administrativos)

    Que trabalho burocrático deveria ser feito nos serviços administrativos?

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  9. - É fácil ter uma turma com 38 alunos, é simples:
    Os primeiros 20 alunos a entrarem na sala sentam-se em cadeira e têm direito a mesa, os 10 alunos seguintes sentam-se no chão e escrevem sobre as pernas, os restantes 8 alunos não entram na sala de aula pois não há espaço, tivessem rasteirado primeiro os outros e teriam conseguido entrar.

    - É fácil ensinar uma turma de 38 alunos:
    Inicia-se a aula pela respectiva chamada, a qual se coloca no respectivo sumário,, o caos será de tal forma que em 20 minutos a tarefa estará conseguida.
    Debita-se 10 minutos de "matéria concentrada ao essencial". Responde-se durante 5 minutos a dúvidas. Os últimos 15 minutos de aula são para marcar e registar as 15 ocorrências disciplinares.

    - É fácil avaliar uma turma de 38 alunos:
    Realizam-se 2 testes por período. Nestes as respostas serão, apenas, por cruzinhas. A atribuição de uma classificação no período, ou no final do ano lectivo, segue a distribuição estatística gaussiana.

    ISTO É OBVIAMENTE O TOTAL OPOSTO DO QUE DEVE SER PRATICADO.
    ISTO É TOTALMENTE ANTIPEDAGÓGICO.
    ISTO NUNCA GERARÁ APRENDIZAGENS, PELO MENOS AS QUE REALMENTE SE PRETENDEM.
    ISTO É DESUMANO.
    ISTO É...
    MAS PARA UM cRATO QUE SÓ QUER NÚMEROS E PARA PAIS QUE SÓ QUEREM NOTAS NUM PAPEL PARA OS FILHOS, E QUE NA SUA GRANDE MAIORIA NUNCA SE PREOCUPARAM COM A DESTRUIÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA...

    VERGONHA!!!!!


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  10. Muitas vezes verifico que há professores que complicam a sua vida e a dos restantes, prolongando, por exemplo reuniões, que até podiam ser rápidas e produtivas, com comentários que nada têm de importante. Verifico que há nas escolas professores que são "workaholics", parece que só vivem para a escola,se lhes pedem para fazer uma grelha apresentam logo duas ou três.

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  11. HÓ PATEGOS OLHAI O VALÃO

    HÓ MICAS O BINHO É BÔ

    NÃO GOSTO BINHO

    BOTA BOTA ADUBO

    HÓ PATEGOS OLHAI O VALÃO

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  12. à é diferente de HÁ. Há x anos e não à y anos.

    AT - o ano letivo anterior tive uma reunião sobre o preenchimento do E-bio. Caso os serviços administrativos chamassem todos os professores para confirmar o preenchimento desses elementos na plataforma eu, por exemplo, teria ganho 3 horas de vida pessoal!

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  13. Durante 20 anos fui professor contratado,o estado pagou-me a profissionalização em serviço; agora começaram a desaparecer horários e fui para o desemprego sem a mínima compensaçao pecuniária.


    A única satisfaçao que tive, foi saber que o meu sobrinho com o 9º ano e que já é guarda, ganha mais que um professor com Mestrado.

    Mais um ano "normal".

    No se passa nada.

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