quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Laxismo ou laxante?

Rigor ou facilitismo na nova avaliação.

Comentário: No dia 19 de Novembro (ou seja, exactamente há uma semana) o editorial do Diário de Notícias brindava-nos com um título "fantástico" ("Um governo vergado aos sindicatos"), agora o tema é o que se vê acima. Deixo-vos com a questão deixada no editorial, que será mais apropriada para um ambiente com muitos laxantes:

"A questão do momento é, assim, inquietante: poderá esta classe profissional renascer do seu laxismo moral do passado, pugnando hoje pela avaliação rigorosa e exigente que o futuro reclama?"

11 comentários:

  1. É mesmo laxante! O editor do DN bem que está a precisar.

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  2. Discordo do Ricardo, tendo a concordar com o editorial quando acusa a classe de laxismo moral. A anterior "avaliação" era uma fantochada de créditos obtidos em "acções de formação" inúteis e com relatórios de auto(sublinhe-se o AUTO)-avaliação feita com base em relatórios policopiados. Lembram-se os mais velhos que houve luta contra uma tal avaliação, mas também houve comodismo e acomodação após esse impacto inicial. O que significa que as clientelas estavam satisfeitas: satisfeitos os avaliados, por fazerem formações menores e baratas; satisfeitos os sindicatos, por constituírem centros de formação profusamente pagos pelo erário público (já ninguém se lembra do Torres Couto?); satisfeitos os governantes, pois assim domesticaram a única classe com massa cinzenta durante décadas.

    Afinal, que avaliação querem os profesores? Eu, que também o sou, diria que quero uma avaliação não administrativa, mas reconhecedora do mérito; não condicionada a quotas, mas sujeita a entraves que permitam a separação do trigo e do joio.

    Se os professores não querem (também) este modelo, está na altura de apresentar um. Que seja razoável, pois a proposta da fenprof não o é. É mais do mesmo.

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  3. Para Insensato: Colega, em parte sinto-me tentado a concordar com a sua análise, no entanto, não me revejo numa classe de vendedores de aulas mas sim de profissionais do ensino. Os vendedores de aulas partilham o mesmo espaço que eu na escola (e auferem da mesma forma ou superior) mas não os vejo como iguais e muito menos como colegas.

    Mas na nossa "classe" existe de tudo (provavelmente como em outras) e infelizmente fomos (e somos) rotulados com adjectivos depreciativos com os quais não me revejo nem revejo a maioria dos que me rodeiam. Provavelmente tenho sorte nas escolhas que faço.

    No entanto, e como não sou cego nem parvo, sei perfeitamente que a sua análise assenta que nem uma luva a muita gente... Infelizmente!

    Relativamente ao sistema de avaliação que os professores querem, nada posso dizer. Eu sei que tipo de avaliação quero. Um sistema o menos possível permeável a influência externas e internas, mas exigente e que distinga efectivamente. E temos de reconhecer que o anterior sistema, mesmo introduzindo algumas (poucas) novidades que me agradaram não cumpria esse objectivo.

    Quanto a eventuais propostas: Era bom que estas e outras discussões entre bloggers, conhecidos ou desconhecidos fosse "vertida" para papel e utilizada pelos sindicatos.

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  4. Ricardo,

    Peço imensa desculpa por me encontrar sob anonimato. Infelizmente, parte das coisas que devem ser ditas não o podem ser efectivamente. E como sou apenas uma peça desta engrenagem, não estou em condições (políticas e profissionais) de revelar a minha identidade - apesar de não passar de um simples e vulgar anónimo.

    Um abraço para o Ricardo, cujos blogues sigo há muito e que me merece a maior consideração.

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  5. vamos sempre ter ao mesmo sítio: como é que se avaliam os profs? não vendemos carros, pelo que nenhuma avaliação que seja feita por grelhas vai resultar. a única coisa que faz algum sentido é haver exames em todos os finais de ciclo, os profs estarem estabilizados e manterem as mesmas turmas, pelo que seriam avaliados pelas notas de exame dos seu alunos, sendo que esta teria que ser comparada com o exame do ciclo anterior. Possível? não me parece

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  6. Caro Anónimo, fiquei baralhado... 1º afirma "a única coisa que faz algum sentido" e termina com "Possível?! Não me parece", mas adiante...

    Nessa sua lógica, diga-me lá como é que avaliaria professores como eu, que por contingências de serviço e experiência profissional, fiquei com um projecto que ninguém quer e no qual os alunos não se apresentam a exame!!! Ficamos por avaliar ou haverá por aí alguma solução brilhante?!

    Não se zangue com o meu comentário. O problema é que ninguém para pensar devidamente no assunto, muito menos na complexidade de situações do mesmo. Nem mesmo o ME...

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  7. Hzolio, claro que não me zango, e não faço a mais pequena ideia de como avaliar os profs na sua situação (nem, aliás, os do 1º ciclo, que não têm exame anterior para ver a progressão). é aqui que reside o problema, não há um sistema justo. aulas assistidas? todos nós tivémos estágio e sabemos o que muitos fazem nas aulas assistidas, desde preparar a aula com os alunos, a ser uma aula completamente diferente das restantes, etc. filmar todas as aulas? absurdo. preencher papéis? é por isso que eu digo que não há sistema justo. enquanto acharem que temos uma profissão igual às outras que pode ser avaliada como as outras vamos bater em sistemas cheios de falhas porque não se adaptam.

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  8. Ora aí está... Na última reunião de departamento vi umas quantas araras (pois não lhes posso chamar outra coisa... kersedezer até podia, mas depois o Ricardo ficava zangado comigo) a olhar para mim com cara de fim-de-semana mal gozado quando eu disse que no meu grupo de trabalho passávamos 80% do tempo a trabalhar competências sociais com os 'meninus'. É claro que alguém perguntou como era possível então lhes ser dada a certificação de 3º ciclo de escolaridade, ao que eu respondi que se as metas fossem escolásticas NÓS não era uma oferta de última linha para aqueles miúdos...

    Não perceberam!!!... Como não as trago para casa para remoer, e após ter ouvido um maravilhoso "pois, isso assim é muito fácil..." convidei essas pessoas a, no próximo ano lectivo, trabalharem comigo ou até, quem sabe, a me substituirem em tão simples tarefa...

    É fácil´, é fácil, mas ninguém quer!!!... ;)

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  9. Hzolio, também tenho CEFs. LOL. E adoro. (mais esquisito ainda)

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  10. MAs eu não estou a falar de CEF's... eheheheh

    Esses que remédio tem o pessoal senão aceitar.

    Estou a falar de algo mais 'Arde Core'. ;)

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  11. quase desidratada...
    esse laxante vive comigo já lá vão 4 anos...

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