terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Duas medidas para combater o desemprego docente"

Enviado para a minha caixa de correio por um colega contratado, actualmente sem colocação...

"Uma ideia assaltou-me a mente. Imbuído do espírito da New Deal (pacote de medidas apresentado por Roosevelt em 1932, para acabar com os efeitos nefastos da crise económico-financeira de 1929), sugiro que o horário completo passe das 22 horas lectivas para as 21 ou 20. Deste modo, libertar-se-iam horas que permitiriam a constituição de novos horários e, por conseguinte, mais professores poderiam aceder a um emprego.

Naturalmente, esta é uma ideia que não agradará a todos, até porque a redução de uma ou duas horas vem acompanhada da correspondente diminuição salarial. Contudo, seria sempre uma solução provisória, que duraria enquanto subsistir este problema.

Vamos à outra ideia. Neste momento, um docente pode acumular até 28 horas. Na sequência da medida atrás enunciada este plafond deveria baixar de 28 horas para 21 ou 20 (a carga lectiva dos novos horários completos, que corresponderiam, como é óbvio, aos 365 dias de serviço anual).

Notas finais:
a) É, reitero, uma medida provisória;
b) Parece-me uma medida difícil de aplicar nos grupos 100 e 110;
c) Vai ter muita oposição por parte de muitos colegas;
d) Não invalida, a montante, um esforço de regulação no que concerne ao numerus clausus dos cursos de formação de professores;"

11 comentários:

  1. Deixo aqui um desabafo. Sempre estive ao lado dos colegas contratados (também eu o fui durante vários anos), no Agrupamento onde trabalho sempre tentamos dar o máximo apoio a quem chega de novo tentando minimizar ao máximo situações nada agradáveis (estar longe de casa e da família, não ter pontos de referência com a comunidade ...), tentamos mostra a zona aos novos colegas e não é a primeira nem a segunda vez que colaboramos na procura de casa. Temos tidos colegas que mesmo sabendo que apenas ficam colocados um ou dois meses dão o melhor de sino tempo que são nossos colaboradores. Tenho boas memórias de quase todos os colegas contratados que têm passado pelo nosso agrupamento(muitas das vezes desempenham um papel mais importante que a "mobília" da casa). Mas hoje sinto-me frustrado, mais uma vez um docente recusou uma colocação através da bolsa de recrutamento. O horário a que me refiro é um horário completo por substituição de uma docente na situação de gravidez de risco, no Agrupamento somos optimistas e achamos que tudo deverá correr bem dom a colega, logo a duração implica o terminus do atestado mais a licença de maternidade (deve durar até Junho Julho). Mas em duas semanas consecutivas (e posso dizer que todos os anos temos duas a três situações como esta)telefono a quem ficou colocado pela bolsa de recrutamento e do outro lado ouço a mesma coisa. "Não vou aceitar.""Isso fica muito longe.""Quando concorri ao país todo não imaginava que podia ser colocado(a) para esses lados." E com isto, já passaram três semanas em que alunos do 9º ano estão sem aulas a Matemática. Os colegas da escola vão começar a dar aulas nas horas da componente individual a estas turmas (voluntariamente). E por esse país deve existir alguém que quer trabalhar mas não pode porque as listas estão cheias de vários colegas que concorrem mas não conhecem o mapa de Portugal. O Agrupamento em causa não fica em nenhuma zona problemática (daquelas que estão sempre a aparecer na televisão) do país mas pelos vistos o Distrito de Setúbal fica sempre demasiado longe de tudo.
    Mas ainda tenho colegas que me respondem assim:
    "Distrito de Setúbal? Óptimo! O ano passado fiquei no Algarve, pelo menos este ano fico a meio caminho!"

    Perdoem o desabafo.

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  2. A medida não resulta no panorama atual porque os tempos são totalmente diferentes.
    Atualmente vivemos na era de globalização e não podemos mexer na valorização do euro.

    Sabem o que é que acontece se o estado encontrar formas de dar dinheiro às pessoas? As pessoas gastam o dinheiro em... produtos estrangeiros. Algumas pessoas seriam capazes de ter férias fora do país. E outras sentiriam-se estimuladas a pedir crédito para habitação ou consumo.
    Ou seja, o Estado estaria a distribuir capital para que, no fim, ele saísse das nossas fronteiras.

    Em 1932 Roosevelt não tinha esse problema porque a distribuição de capital na população permitiu a dinamização da economia fazendo com que as empresas americanas tivessem maior produção. Naquele tempo os americanos não compravam produtos estrangeiros.

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  3. Tem toda a razão.Dá Deus nozes.....Tomaria eu um horário completo em Setúbal!E moro cá para o norte.Ficaria afastada da minha família.Já não era a 1ª vez.Mas não sou de Matemática;e concorri a nível nacional.

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  4. Eu tb n entendo como há tts desistências... Se n querem n concorram. Nos 2 últimos (e únicos) anos em q fiquei colocada foi sempre em horários que já tinham sido recusados pelo menos 1 vez. E este ano, como tenho estado atenta a tds as bolsas de recrutamento que têm saído, estou sp a ver horários repetidos, ou seja, novos selecionados para o mm horário, semana após semana.

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  5. E, como este ano, resolveram transformar anuais em temporários, os tais seleccionados estão no final da lista. N tarda, esgotam-se os candidatos e eu aqui... à espera. Este ano a seleção devia andar para trás... Já q está tudo virado ao contrário...

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  6. Que pena que eu tenho de não ser de Matemática, dada a situação actual, sei que tinha de deixar filhos (principalmente uma filha de 1 ano) mas claro que aceitava o horário. Na minha terra dizem "dão nozes a quem não tem dentes" e já leccionei num agrupamento que faz portas com o "bairro Cova da Moura" sabem é mais a fama do que o proveito. Já agora, não precisam de alguém do grupo 420 (Geografia).

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  7. voltando às ideias do ricardo...penso que realmente não deveria ser permitido acumular horas lectivas, estanto tantos colegas no desemprego...
    Ultrapassar um pouco as 22h...por vezes poderá ser necessário..para os contratados completarem o horário, visto andarem por mais de uma escola e concorrerem a Ofertas de escola...
    Mas conheço casos de colegas que têm horários COMPLETOS E concorrerem a Ofertas de escola...ou trabalham em escolas particulares... Não devia ser permitido.
    Eu sei que cada um sabe de si...mas com tanto professor desempregado, haver colegas que querem mais...é injusto uns ficarem com tudo e outros sem nada!

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  8. O pior é quando numa escola há professores do mesmo grupo uns com horário incompleto e outros com horas extraordinárias.Isto é ilegal.Mas os colegas não se mexem.Lurdes

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  9. cada um sabe de si...
    o que se ganha é para pagar casa,comer,vestir... e alimentar aquilo com que se desloca...
    falem dos ladroes que nos roubam o emprego ...e,agora, os miseraveis subsidios do nosso trabalho ;como pago os seguros , acerto o condominio ,e,pago o atrasado... agora,como é?

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  10. Eu sou de MAtemática. Antigamente as pessaos ficavam impedidas de concorrer no ano seguinte se recussasem um horário....mudaram as regras, mudam tudo.
    Eu concorri de forma consciente, de forma aceitar qualquer horário em que ficasse. Estou bem graduada, só concorri a anuais...e agora estou em casa! Nem em OE tenho conseguido ficar. As regras estão a mudar para pior.....

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  11. Cuidado quando falam de castigos... Eu fiquei colocado na 3º BR e fui obrigado a recusar. Não pela distancia (somente 300 km diarios) mas sim pq o horario em questão que era completo deveria ter sido apresentado para um tecnico. Era para dar Desenho 3D e Modelação. Claro que agora vai aparecer algum Designer a dizer que dava isso. Ainda bem... eu tambem o daría se não fosse de outra área e se na altura em que tirei o meu curso (quase 20 anos)isso fosse leccionado nas Universidades . Agora o que eu não concordo é que por causa disso tenha sido retirado da lista e ainda para mais apanhar um castigo (como muitos andam ai a pedir). Quando telefonei para a Escola o Director disse que "o ano passado vimo-nos aflitos para que aceitassem o mesmo horário". Por isso mesmo deveria ter sido para um técnico...

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