quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Críticas aos exames são primitivas".

No Jornal de Notícias de 31/07/2008: "As críticas aos exames nacionais de Matemática são primitivas; não passam de impressões. Para uma análise séria seriam precisos dados que não são públicos". A afirmação é de Jaime Carvalho e Silva, da Universidade de Coimbra.
(...)
O investigador conseguiu integrar Portugal no estudo "Pipeline" do ICMI - constavam apenas cinco países - justamente para perceber o que está na base da dificuldade em recrutar alunos para a Matemática. O relatório preliminar será publicado no próximo ano; o definitivo em 2010.
(...)
E dá um exemplo: "Em Dezembro do ano passado, havia 96 docentes candidatos a todo o ensino Básico e Secundário, isto é, para nove anos". O cenário tenderá a agravar-se "se entrar em vigor a imprescindível e inevitável medida de aumentar a carga horária da disciplina. Nessa altura, pura e simplesmente, não haverá professores suficientes."
(...)
Sobre as críticas da Sociedade da Matemática, que alega o facilitismo das provas, é peremptório: "Os exames da segunda fase foram exactamente iguais aos do ano passado. Na primeira fase, a Matemática A não saiu bem. Mas os resultados da Matemática B e da Matemática aplicada às Ciências Sociais já foram normais. Ou seja, não está demonstrado que resultados melhores significam exames mais fáceis. Até porque os resultados podem depender mais do critério de avaliação do que da prova". No entanto, "isto é uma impressão", insiste. "Para fazer uma análise objectiva e para definir políticas educativas, precisamos de ir além das impressões".

Neste aspecto, o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) terá um papel crucial. "O processo melhorou muito desde que o GAVE existe. Mas era necessário que o Ministério da Educação colocasse lá especialistas em avaliação e estatística para podermos fundamentar as nossas impressões. O GAVE devia também falar com institutos congéneres; alguns têm um trabalho notável", afirma."

Ver Artigo Completo (Jornal de Notícias)

------------------------
Comentário: Escreve e "fala" quem sabe. O que é visível nos resultados poderá levar a conclusões diferentes, no entanto, quem sou eu para discutir a dificuldade (ou facilidade) dos exames nacionais de Matemática A e fazer a relação entre os critérios de avaliação e os consequentes resultados. No entanto, enquanto continuarem a elaborar exames com níveis de dificuldade díspares, será impossível estabelecer correlações. E é precisamente nesta impossibilidade que reside alguma vantagem estatística para o Ministério da Educação.
------------------------

Sem comentários:

Enviar um comentário