quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Os exames nacionais não resolvem nada - Entrevista do CM a Maria de Lurdes Rodrigues.

No Correio da Manhã de 12/09/2007: "Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, assegura que este ano vai haver mais acção social. Garante que o abandono escolar diminuiu e espera estender a escolaridade obrigatória ao 12.º ano. Arrasa as listas de graduação dos professores.

- Correio da Manhã – Esta semana foram celebrados contratos de autonomia com 22 escolas. É a solução para diminuir o abandono e insucesso escolares?

- Maria de Lurdes Rodrigues – É uma das soluções. Em todos os contratos as escolas assumem o compromisso da melhoria dos resultados escolares e da diminuiçao do abandono. As escolas definiram metas. Não são muito ambiciosas, mas a ambição vem com o tempo e com o sucesso dos primeiros passos.

(...)

– Um dos problemas das famílias é onde deixar os filhos quando não há aulas. Como é que o Ministério da Educação pode ajudar a resolver este problema?

– É um problema. Houve uma resposta da Segurança Social, com os ATL. Este ano combinámos com os pais e municípios que, nos locais onde não exista esse tipo de instituições, verificar-se a possibilidade de esse serviço ser promovido pelas associações de pais ou pelas câmaras. A escola está lá, muitas das vezes é um problema de recursos humanos.

– Várias associações de professores têm sugerido a realização de exames nacionais alternados por disciplinas e anos lectivos. Vai manter a actual matriz de exames?

– Há modalidades de avaliação que estão associadas aos currículos e programas e que os alunos têm o direito de conhecer e acompanhar. Os exames, tal como as provas de aferição, têm a virtude de ser uma prova nacional e um objecto de avaliação externa. É um instrumento insubstituível, para aferir externamente a qualidade das aprendizagens. Mas não vale a pena ‘reificar’ esse instrumento, porque tem capacidade limitada de avaliação. Não avalia a performance oral, é um exame limitado, avalia uma parte da competência dos alunos e não a totalidade. Não vale a pena pensar que é ter um exame a todas as disciplinas e em todos os anos que resolve o problema. A prova é que temos exames do secundário desde 1997 e os resultados nunca melhoraram. Os exames não resolvem nada.

– Na regulamentação do Estatuto da Carreira Docente, o ministério propõe a realização de três provas para os professores acederem à carreira, com a nota mínima de 14 valores. Não é fechar a porta aos docentes?

– A prova de acesso é muito importante e necessária. Ninguém conhece, entrevistou, viu, sabe quem são os professores que se candidatam. O docente apresenta-se na escola sem que ninguém perceba qual foi o método de selecção, a não ser uma mítica lista graduada feita em função do número de anos e da nota do curso. Qualquer grande empregador faz esta selecção.

– Os professores vêm mal preparados dos cursos?

– Não tenho opinião sobre essa matéria. Como grande empregador, o ministério tem a obrigação de ter um sistema de recrutamento que garanta que está a seleccionar os melhores. É uma carreira compensadora, bastante exigente, deve-se conhecer minimamente quem são os professores. Sabendo que estamos a contratar um número muito reduzido de professores por ano, não há razão para que o ministério não procure recrutar os melhores.

– A lista graduada deixa de ter razão de existir?

Nunca conheci um instrumento de gestão tão mau.

– No próximo concurso não vai haver lista graduada?

Ainda vai ser preciso fazer o decreto do concurso, estabelecer as regras... Vai haver a avaliação, é muito importante que os resultados da avaliação sejam considerados.

(...)

– Quantas escolas primárias vão fechar ainda?

Devem fechar todas as que não tiverem condições para funcionar. Devemos ter a ambição de ter as crianças concentradas em centros escolares com uma dimensão média de 100/200 alunos, porque isso permite ter massa crítica, condições de qualidade, uma biblioteca, actividades de enriquecimento com profissionais residentes na escola e não a saltitar de escola em escola."

Ver Artigo Completo (Correio da Manhã)

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Espero sinceramente que não passe pela cabeça da Ministra da Educação terminar com as listas graduadas! Embora até já fale em criar o "decreto do concurso"!! Mais... As "novas" listas (aparentemente) irão contemplar os resultados da avaliação dos professores, o que eleva e de que maneira a subjectividade das mesmas!! Para além de prejudicar muitos colegas e criar enormes injustiças, passa um enorme atestado de incompetência ao ensino superior. Sinceramente pensei que conseguia aguentar todas as investidas deste ministério da educação, mas terminar com as listas graduadas tal como as conhecemos poderá ser demais! É caso para dizer: Tenham medo, tenham muito medo...
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2 comentários:

  1. Como já li algures: o Estado forma... o Estado contrata... mas o Estado que contrata desconfia do Estado que forma.

    Dá para perceber este Estado?

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  2. Não encontraria melhor "reflexão" para esta notícia...

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