sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Exame de Filosofia regressa.

No Público a 19/11/2010: "A disciplina de Filosofia deverá voltar a integrar, já no próximo ano lectivo, o lote de exames obrigatórios para a conclusão do ensino secundário. Esta foi a garantia que o Ministério da Educação deu à Sociedade Portuguesa de Filosofia, indicou ao PÚBLICO o seu presidente, Ricardo Santos.

O último exame de Filosofia realizou-se em 2007. O fim desta prova, realizada no 11.º ano, fora decidido dois anos antes pelo Ministério da Educação. A disciplina de Filosofia deixou também de ser obrigatória no 12.º ano dos cursos científico-humanísticos, geralmente escolhidos pelos estudantes que querem prosseguir estudos. Deste modo deixou também de figurar entre as provas de acesso pedidas pelas instituições do ensino superior.

Estas medidas foram contestadas pela sociedade portuguesa e pela associação de professores de Filosofia e também por vários responsáveis do ensino superior, que alertaram para o perigo de uma morte a prazo da disciplina. O Ministério da Educação não forneceu números sobre a evolução do número de inscritos em Filosofia no 12.º ano. Ricardo Santos assegura que a disciplina deixou praticamente de existir neste ano de escolaridade. No 10.º e 11.º continua a ser obrigatória, mas, segundo o presidente da SPF, as medidas adoptadas contagiam também estes anos: "Registou-se uma desvalorização da disciplina. Os alunos deixaram de investir tanto nela e há uma maior desmotivação dos docentes".(...)"


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Comentário: A prova de Filosofia, por aquilo que sei (e que posteriormente confirmei no sítio do GAVE), não era realizada no 11.º ano, mas sim no 12.º ano. Um pequeno erro, mas que considero importante corrigir. Agora, e como não poderá deixar de ser, passará a ser sujeita a exame nacional no 11.º ano.
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16 comentários:

Daniel disse...

Nunca houve exame a Geografia no 11.º ano. Esteve previsto mas nunca foi realizado.

Existia no 12.º ano para os alunos que frequentassem a disciplina (opcional). Acabou em 2006, tal como acabaram os das restantes disciplinas opcionais do 12.º ano (Biologia, Geologia, Física, Química, Psicologia, Sociologia, Direito, Geometria Descritiva B, IDES, Inglês nível 8, etc.)

FD disse...

Daniel,

FI...LO...SO...FI...A!!!
FILOSOFIA!!!

Um abraço.

C. Pires disse...

Ricardo,

Não há erro. Em 2006 e 2007 houve de facto exame nacional de 10.º/11.º anos a filosofia (exame 714). A passagem foi contudo tão fugaz que é natural que quem não é da área não se recorde, tendo ficado apenas memória do de 12.º ano (114).

Como professora de filosofia que fico muito satisfeita com este regresso e desejo que não se repitam as razões que o fizeram desaparecer depois de 2007. Não interessa aqui nem agora apontá-las, mas seria muito bom para a disciplina que os professores do 410, desde os que elaboram os exames aos que os vêem aplicados às suas turmas não repitam os tiros no pé de então, a bem da disciplina e dos alunos.

C. Pires disse...

Vou deixar de me poder queixar dos testes intermédios de biologia, física e matemática que tantas aulinhas me têm levado... ;)

A este respeito, os alunos das CT com biologia e física já reclamam que é uma injustiça irem ficar com mais intermédios que todos os demais. Têm alguma razão, mas tudo passa, a meu ver por encarar os intermédios como uma etapa do processo avaliativo como outra qualquer.

Daniel disse...

Referia-me a Filosofia, é claro. E repito que o exame nunca chegou a ser obrigatório no 11.º ano.

A minha área é Geografia (à qual há exame no 11.º ano, visto ser específica), daí o deslize.

C. Pires disse...

O exame de filosofia de 10º/11.º foi obrigatório como prova de ingresso para 357 cursos do ensino superior nos anos de 2006 e de 2007, substituindo nessa altura o exame de 12.º ano. O que não chegou a ser foi universal, o que parece ser agora a intenção da tutela.

C. Pires disse...

Em 2007 foi entregue à Ministra MLR uma petição subescrita por reitores e responsáveis de cursos de várias universidades públicas e priivadas e também por várias personalidades do meio político, científico e literário, em nome individual, solicitando a reintrodução deste exame do 10.º/11.º. Como sabemos a anterior ministra não era muito dada a escutar quem quer que fosse e será também pouco sensível à filosofia enquanto espaço de argumentação racional e democrático por excelência.

HD disse...

Agora só falta que reponham as horas que retiraram a Ed. Visual e Ed. Tecnológica no Básico. E talvez voltar a aplicar a História da Arte (ou como se chama actualmente História da Cultura e das Artes)no 12º ano. A meu ver os alunos que não escolheram no 10º ano a G. Descritiva ou a Matemática ou então a História da Arte deveriam ser obrigados no 12º ano a ter essa disciplina como carácter B (como existia antigamente Historia da Arte para 3h semanais ou 4h semanais; Geometria descritiva B ou Métodos quantitativos). Podem achar ridículo este meu comentário mas o que eu acho ridículo é que alunos meus na disciplina de desenho 12º ano não saibam o que foi o Futurismo, o Fauvismo e um deles não sabia quem foi Braque ou Magritte!! E qual foi a justificação apresentada? o "professor eu não tive História da Arte no 10º nem no 11º".

C. Pires disse...

HD,

Completamente de acordo. O empobrecimento da dimensão humanística e artística não é nem cultural, nem cientificamente desejável. Esse problema que referes sinto-o também quando lecciono a dimensão dos valores estéticos no 10.º ano e principalmente quando lecciono esta temática nas turmas de Artes sem História. A ideia de que é possível contruir "competências" nos nossos alunos sem conhecimentos tem sido desastrosa.

PdF disse...

Corroboro as palavras da Catarina.

Há poucos anos existia um exame de filosofia no 12.º ano (prova 214). Posteriormente, quando passaram a existir exames nacionais nas disciplinas terminais do 11.º, e porque a filosofia do 12.º não era uma sequência trienal da "introdução" (que já não o era) da filosofia de 10.º e 11.º, foi intruduzido um exame no final do 11.º ano versando sobre os conteúdos dos dois anos (prova 714). O mesmo viria a ser extinto durante o absolutismo despótico de alter Lemos, gerando inúmeras reacções por parte das escolas e de várias instituições de ensino superior.

Sérgio Lagoa

PdF disse...

Acrescento: o exame foi obrigatório. Um ano, mas obrigatório.

FD disse...

Exames!?
Porque não a todas as disciplinas e a partir do 4º ano, com um aumento gradual da ponderação da nota do exame, na nota final da disciplina, ao longo dos anos!?
E porque não um currículo mais "estanque"!? Ou seja, uma primeira parte da escolaridade para adquirir competências base, uma segunda parte de transição e uma terceira parte específica nas competências e não nas disciplinas, como agora acontece!
O que hoje há, não é uma flexibilização do currículo, é uma flexibilização para os números!
Também deduzo que não dá jeito para a "estatística", mudar a escala de avaliação do básico de 1 a 5, para 0 a 20, ou até mesmo para de 0 a 10! Assim quanto mais abrangente, maior é o "saco", mais lá cabe a falta de rigor! Já para não falar na avaliação “a brincar” de Formação Cívica e Estudo Acompanhado!
Legisla-se o aumento da escolaridade obrigatória e depois faz-se um "restauro" numa "casa" com alicerces já mal estruturados para 9 "pisos", mas que agora vai ficar com 12! Pois, é isso mesmo, o mais certo será cair ou fissurar por todos os lados! Tanto mais que a "casa" de 9 "pisos", tem os mesmos alicerces de quando teve 6 “pisos”, ou mesmo 4 no “tempo da outra senhora”!
Chega de crescer para o "céu" da estatística, "adquiram" terreno (saber), para dar "ar" ao “prédio” da Educação e não o asfixiem mais! Não baste olhar para o ar e vê-lo crescer!

Um abraço.

P.S. Para quando educação com a Educação!?

Manuel disse...

Provavelmente o exame vai começar por ser nacional (como deve ser) e, mais ano menos ano, passa a ser feito na escola, ou seja, transforma-se numa prova global que mais não é do que cenário para uma luta de poder no interior do grupo disciplinar no sentido de cada um tentar impor a maneira como leccionou e os conteúdos que sobrevalorizou, fazendo desaparecer os que considerou (sabe Deus e toda a gente porquê) desnecessários...
Apesar de tudo, em termos de exame nacional, completamente de acordo! até porque é preciso expôr a ignorância, quase centenária, daqueles que continuam a ensinar o que aprenderam no manual do secundário que usaram no ano em que fizeram estágio.

C. Pires disse...

Acho que o objectivo dos exames, sejam eles de filosofia ou do que qualquer outra disciplina não devem ser expor a ignorância de quem quer que seja, professores ou alunos, mas contribuir para harmonizar trabalho e critérios de avaliação, bem como aumentar o grau de exigência quer em relação aos conteúdos leccionados em si mesmos, quer em relação à sua actualidade, rigor e pertinência. Se era a isto que se referia, estamos de acordo. Se o objectivo for crucificar professores, promover o dogmatismo doutrinário, banir correntes/ autores e expurgar a filosofia da sua diversidade crítica e controversa, dividindo os professores entre os iluminados e os ignorantes, então esqueça, acho que isso será a morte do próprio ensino da filsofia e do espírito socrático (nada de confusões...) que deve estar subjacente ao seu ensino e às virtudes do exame nacional.

Ricardo Montes disse...

Para C. Pires: No meio da discussão fiquei perdido, no entanto, dá para concluir que não será um erro mas uma imprecisão uma vez que ambas as situações (de exame no 12.º e 11.º). É isto?

Espero que sim... :)

C. Pires disse...

Ricardo,

É isso, sim. A partir de 2006 acabou o exame de filsoofia no 12.º ano (exame 114). Em 2006 e 2007 houve de facto exame de filosfia no 11.º ano (exame 714). Este exame não era para todos os alunos que têm a disciplina, mas apenas para os que precisavam dele como prova de ingresso, mas existiu. A partir de 2007 deixou de haver exame.

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